Cachoeira, Veja e Demóstenes tramaram contra governo do DF

Ódio da quadrilha contra Agnelo Queiroz era para beneficiar a empreiteira Delta 

As últimas gravações da Polícia Federal, que vieram a público nos últimos dias, com mais diálogos entre Carlos Cachoeira e seus capangas, como o diretor da revista Veja, Policarpo Jr. e com o senador Demóstenes Torres, não deixam dúvidas sobre o papel desempenhado por esses elementos na organização criminosa. Numa das gravações eles atuam juntos pressionando o governador do DF, Agnelo Queiroz, sobre supostas denúncias do ex-delegado Durval Barbosa contra Agnelo, para garantir os interesses da empreiteira Delta.

A trama começa a se delinear com uma conversa entre Idalino Matias, o Dadá, e outro integrante da quadrilha, de nome Andrezinho. Segue o diálogo:

Dadá: “Falei com o Olho Azul (Claúdio Abreu), hoje, cara. O negócio lá deu um pouco de virada. O senador deu uma castigada ontem no governador. Aí chamaram para conversar, entendeu? Aí, o Cláudio tá vindo aqui amanhã. Vamos ver se o cara paga agora, né”.

Andrezinho: “Mas o senador fez mesmo ou foi o Cláudio que pediu, como é que foi?

Dadá: “Sei lá, eu falei com o Carlinhos. Não deu prá falar com o Cláudio. Falei com o Carlinhos porque tinha uma oportunidade com a Veja que ia sair, né? Aí falei para ele provocar para que o senador fosse ouvido na matéria. O senador foi ouvido na matéria que fala do Durval, da fita que fala do governador. Aí o senador deu uma caprichada na vida dele, aí os caras ficaram putos. Chamaram para conversar hoje. Acho que ele ligou para o senador”

Andrezinho: “Então deu uma reviravolta, bicho”.

Dada: O cara tem que apanhar. Todo o dia a gente vai lá, o cara empurra com a barriga, entendeu?”

Andrezinho: Pois é. O governador fez consciente, a mando ou...”

Dada: “Não, ele que pediu para falar com o senador, foi o governador que pediu. Aí o senador falou que só conversa com ele, só almoça com ele, depois que resolver os problemas, os pedidos dele. Aí chamaram o Cláudio aqui amanhã para conversar, vamos ver”.

Andrezinho: “Tem que descer a marreta urgente naquela situação. Eu não vi a Veja, foi pesada sobre o Agnelo, foi?”

Dadá: “Foi. Você não viu os telejornais não, caralho? A Globo então só não chamou ele de gente. Globo. Record, SBT, regaçou com ele hoje”

Andrezinho: “Entendi. Pegou pesado.

Dadá: “É a situação dele tá crítica. Vamos ver agora como é que fica. Também sem as forças dele, né? Ele tá com medo também”.     

Andrezinho: “O Agnelo chamou o Demóstenes para conversar e o Demóstenes falou que só senta com ele quando resolver os problemas?”.

Dadá: “Falou que só almoça depois que resolver os problemas, pedido dele, né? Na realidade o cara deixou de atender não é a empresa, deixou de atender o senador, né? Mas se o cara não resolver, ele ta deixando de atender o senador, não a empresa, né, cara?”.

Na edição da Veja citada, além da armação do Durval contra Agnelo, saiu a matéria arranjada por Policarpo Jr. com Demóstenes Torres. O título era o seguinte: “Senador do Dem diz que Agnelo agiu de maneira criminosa”. 

Depois, Dadá informa Cachoeira sobre as repercussões da matéria.

Dadá: Fala Chico (codinome)

Carlos: “Fala Chicão”

Dadá: Ó, o negócio tá tendo uma repercussão violenta, rapaz. Esse negócio da revista Veja, aqui”.

Carlos: “Ah, é? Agora ele cai?”

Dadá: “Sei não, cara. Sei que a repercussão envolveu Ministério Público(...). Mas a imprensa toda, Globo, hoje. Globo, Record, todo mundo batendo no cara. O bicho ta pegando”.

Carlos: “Tá. Estou tendo uma reunião. Depois te falo”

A conversa prossegue mas tarde:

Carlos: “Então o trem tá feio aí?”

Dadá: “Tá, bicho. A Globo bateu pesado nele. Record. Ele ta dando as explicações aqui, mas os caras não estão se convencendo, não, entendeu? Ta gaguejando aqui na televisão”.

Carlos: “Então libera o gordinho, né?”

Dadá: “(...) falei com ele agora, com o Cláudio (...) Porra, a gente tem  que resolver isso”. (...) resolve e vai ser hasteada a bandeira branca, bicho”

Carlos: “É. Eles pediram mais alguma coisa procê, não?”

Dadá: “Não. Pediu pro gordinho, entendeu? Receber o cara bem e parar de bater”.

Carlos: “Você tem que avisar que eles vão apanhar, entendeu? Vão continuar apanhando”.

Dadá: “Não, lógico. Vou avisar. Daqui a pouco eu vou ligar para eles”.

Carlos: “Porque é o seguinte, não vai perder uma oportunidade dessa não, uai”.

Dadá: “Pro cara cair é 3, 4 meses. É o tempo que vence aquele negócio”.

Carlos Cachoeira conversa depois com Cláudio Abreu sobre como deve ser a chantagem:

Cláudio: “Deixa eu falar, o Dadá me posicionou aqui. Aquela história, nós não pedimos nem nada, mas, deu uma reviravolta na turma lá. Ta tudo desesperado, né? O Dadá já me falou que você falou prá ele ‘botou a cabeça, agora deixa’, eles que tem que resolver, não resolvem minhas coisas lá, bicho.

Carlos: “Falei pro Dadá, eu liguei pro nosso amigo, falei: ó, solta o bete (...) é ao contrário, vai bater, depois de arrumar os seus negócios, ele para, entendeu?”.

Cláudio: “É, exatamente (...). Arrebentou. O bicho arrebentou, hein?

Carlos: “Foi bom demais, hein?”

Cláudio: “Mas eu já tinha falado isso pro PJ lá (Policarpo Jr.). ‘PJ, vai nesse caminho’, bicho, se o PJ for em cima do cara que eu falei do alcoforado, rapaz do céu, vai estourar trem prá cacete”.

A Delta tinha contratos para coleta de lixo no DF desde os tempos de Arruda. O que esses diálogos mostram é que o grupo de Cachoeira fazia pressão para obter algum acerto com o governador Agnelo Queiroz e se associou à Veja e a Demóstenes para fazê-lo.


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Expediente
 

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Cachoeira, Veja e Demóstenes tramaram contra governo do DF

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CARTAS

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Daniel Olesker - Crescimento e distribuição de renda: a Frente Ampla no governo do Uruguai