Veja sabia da posição de Demóstenes na quadrilha

A Rede Record levou ao ar no último fim de semana, em seu programa “Domingo Espetacular”, uma extensa reportagem detalhando a associação da revista Veja com a quadrilha comandada pelo contraventor Carlos Cachoeira. A reportagem, com 16 minutos de duração, mostrou várias situações em que a revista Veja chafurda na bandidagem ao lado de Cachoeira e seu bando, além de promover a badalação do “mosqueteiro” Demóstenes Torres, braço político da organização criminosa.

Veja sabia do papel de Demóstenes na quadrilha e fazia uma desavergonhada apologia do senador como “paladino da moralidade”. Ou seja, não é porque Cachoeira era uma boa “fonte”, como alega Veja, ela deu espaço a Demóstenes porque sabia que o senador do Dem era da turma do contraventor e tinha interesses na associação criminosa. 

Numa das conversas sobre um esquema em Goiás, Cachoeira fala com Demóstenes: “E aí doutor, novidade?”, Demóstenes responde: “Poli me ligou dizendo que vai estourar o diretor geral (...)”. Eles estavam armando para cima de um grupo goiano. Num outro, Cachoeira conta a Demóstenes que seu capanga, Jairo Martins, entregou uma fita a Policarpo com imagens do hotel onde José Dirceu se hospedava em Brasília. A ideia era difamar Dirceu como articulador da queda de Palocci.

Fitas gravadas pela Polícia Federal, e mostradas logo no início da matéria da Record, Carlos Cachoeira aparece afirmando a um comparsa que “o Policarpo confia muito em mim, viu”. O repórter da Record explica que Cachoeira abastecia Policarpo, que nesta época era diretor da sucursal da Veja em Brasília, com “denúncias” e depois falava disso com parceiros de negócios, como era o caso de Claudio Abreu, diretor executivo da empreiteira Delta, que também está preso.

Numa conversa com Claudio Abreu, Cachoeira pergunta: “Esteve com o Policarpo aí?”

Claudio responde: “Cara, show de bola, bicho...achei que ele ia me dar um beijo”. A Record lembra que várias matérias de capa da Veja, cinco, segundo a reportagem, foram fruto de versões plantadas por Cachoeira. O repórter ressalta ainda que, fora as capas, muitas matérias internas da revista foram municiadas com informações da quadrilha.

O locutor mostra que Cachoeira comemorava as matérias emplacadas na revista, como nessa conversa com o diretor da Delta onde ele festeja a demissão de integrantes do Ministério dos Transportes, após Veja publicar uma matéria plantada por ele. Cachoeira: “Então, a reportagem saiu e ela (Dilma) mandou afastar todo mundo?”. Claudio: “Já mandou afastar todo mundo”.  Carlos Cachoeira, segundo o repórter da Record, favorecia a empresa Delta.

No ano passado a Delta se desentendeu com a cúpula do Ministério dos Transportes e teria partido para o ataque. Cachoeira ligou para Policarpo e colocou em contato com o diretor da Delta, Claudio Abreu, que passou informações para a revista. Depois que saiu a matéria e a cúpula do Ministério foi demitida, eles fizeram a comemoração descrita acima onde Claudio disse que Policarpo quase lhe deu um beijo. Cachoeira pergunta a Claudio se Policarpo gostou da dica. Claudio responde: “Prá caramba, né, amigo? Fonte, né? Você é uma fonte de primeira”.

Depois que a presidenta Dilma demitiu vários funcionários do Ministério dos Transportes, Cachoeira e Claudio comentaram: “Você chegou a ler a matéria deles, não?, perguntou Cláudio. “Não, foi boa?”, pergunta Cachoeira. “Agora, as 15h e 12 min a presidente Dilma Rousseff convoca o ministro dos Transportes e manda afastar todos os citados na reportagem da Veja”, fala Claudio, debochadamente, imitando uma locução, soltando uma gargalhada. Em outra gravação Cachoeira diz que plantou matéria de Luiz Antônio Pagot, diretor do Denit. “Ele anotou tudo, viu? Agora o Pagot está fudido (sic) com ele”, diz Cachoeira.

Depois de mostrar também a armação contra o ex-ministro José Dirceu, a reportagem conclui que a CPMI terá que investigar toda essa relação suspeita e promíscua entre a Veja e a quadrilha de Cachoeira. Vários entrevistados, entre eles o professor da USP, Laurindo Leal, e o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Celso Schröder, condenaram a atuação de Policarpo e da revista Veja. O deputado Fernando Ferro (PT-PE) cobrou que, não só Policarpo, mas também o dono da revista, Roberto Civita, seja convocado pela CPMI (veja matéria nesta página).

 


Capa
Página 2

Produção industrial cai pelo quarto trimestre consecutivo

A redução nos rendimentos da poupança e o ganho dos bancos

Vale vende 61,5% em mina de Caulim para americanos

Importações provocam tombo no setor eletroeletrônico em março, diz Abinee

Produção de veículos recua 15,5% em abril

Vendas de material de construção caem 8,5%

Fecomercio: inadimplência atinge 21,8% dos paulistanos

ERRATA

Expediente


 

Página 3

Para relator, Demóstenes usou o mandato para atos escusos

Veja sabia da posição de Demóstenes na quadrilha

Relação de Veja com contraventor vai ser apurada, diz relator da CPMI

Policarpo obedecia ao Roberto Civita, afirma Fernando Ferro

Cinco universidades públicas do Rio de Janeiro conferem título a Lula

Líder do PSDB defende investigação de “fatos criminosos na atuação da imprensa”

PPL de Porto Alegre anuncia apoio à pré-candidatura de Adão Villaverde à prefeitura 

Contratos da Delta dispararam com Serra na prefeitura e Estado

Página 4

Ataques aos direitos autorais lesam os artistas brasileiros

A CPI do Ecad - ALDIR BLANC

Ecad é necessário para arrecadação, diz ministra

Justiça decreta prisão de responsáveis pelo Massacre de Eldorado dos Carajás

Seminário do FNDC defende convocação de donos da “Veja” na CPI do Cachoeira

CARTAS

Página 5

 

 

Página 6

Eleições na Grécia: 68% dos votos vão para os que rejeitam arrocho

Produção industrial da Espanha caiu 10,4% em março, afirma INE

Sírios repudiam terrorismo participando aos milhões nas eleições parlamentares

Israel: apartheid e chantagem nuclear (I)

Na Argentina, níveis recordes de emprego e redução da pobreza pouco tem a ver com exportações

 

Página 7 Página 8

O Dom Casmurro de Machado pelo crítico Agripino Grieco