Procurador conhecia crimes de Demóstenes desde 2009

Deixou a quadrilha agindo solta por um ano

O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, está tendo muitas dificuldades para explicar por que não tomou as medidas normais que deveria tomar ao receber, em 2009, das mãos do delegado Raul Alexandre Marque de Souza, o Inquérito da Polícia Federal, resultante da Operação Vegas. Se ele achasse que não havia indícios de crime envolvendo o senador Demóstenes Torres, deveria, segundo opiniões de juristas como Wálter Maierovitch, arquivar ou solicitar novas investigações. Não fez nem uma coisa nem outra. Apenas sentou em cima do inquérito por mais de um ano, deixando a quadrilha e seu senador livres para continuarem agindo impunemente.

As primeiras justificativas do procurador estão saindo pior do que a encomenda. Segundo Gurgel, sua decisão fazia parte de uma “estratégia de investigação”. Ou seja, já que as investigações prosseguiriam, ele não entregaria o inquérito ao STF para não atrapalhá-las. Só que ele recebeu o inquérito com denúncias gravíssimas contra Cachoeira e Demóstenes em setembro de 2009 e não pediu nenhuma nova investigação. Elas só foram abertas em setembro de 2010, e não por sua iniciativa, mas por solicitação da Promotoria de Justiça da cidade de Valparaíso, em Goiás, que redundou na Operação Monte Carlo. Ou seja, se dependesse de Gurgel, não haveria investigação nenhuma.

Ao argumentar que havia a tal “estratégia de investigação”, Gurgel chegou a mentir, afirmando que teria havido escutas da PF em junho de 2010. Essa versão do procurador, de que não podia atrapalhar as investigações em curso, inicialmente chegou a confundir até membros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, do STF, acreditando nela, manifestaram apoio ao procurador. “Não há porque convocá-lo para explicar sobre as suas atribuições, que são constitucionais, são legais”, disse Barbosa. “Evidente que a procuradoria pode ter a sua estratégia em relação a qualquer tema”, afirmou Gilmar Mendes. “Está descambando para o lado pessoal. Não é bom”, emendou o ministro Marco Aurélio Mello, embarcando na canoa do procurador.

Só que não havia estratégia nenhuma de investigação em andamento. Apenas em setembro de 2010 teve início a Operação Monte Carlo, e mesmo assim, não por iniciativa de Gurgel, mas da Promotoria de Justiça de Valparaíso. As tais escutas de junho de 2010 às quais se referia o procurador, ocorridas entre Cachoeira e Cláudio Abreu, aconteceram, na verdade, em junho de 2011 e não em 2010. Não havia, portanto, investigação nenhuma em andamento em 2010 que justificasse o engavetamento do inquérito. O país precisa saber que motivos reais levaram Gurgel a engavetar as investigações por quase um ano. A CPMI do Cachoeira quer ouvi-lo sobre isso.

A outra versão, apresentada pelo procurador, através de sua mulher, a subprocuradora Cláudia Sampaio, de que não havia indícios suficientes de crime no inquérito da PF resultante da Operação Vegas, se desmoralizou completamente com os relatos das barbaridades cometidas por Cachoeira, Demóstenes e Perillo, feitos na semana passada, pelo delegado Raul Alexandre, responsável pela operação, à CPMI.

Aliás, se fosse verdade essa versão de que não havia indícios de crimes, a decisão a ser tomada era arquivar o inquérito ou solicitar novas diligências. Ele não fez nada disso. Engavetou. E, a outra desculpa, inventada logo em seguida pela subprocuradora para tentar limpar a barra do marido, saiu pior ainda. Ela disse que recebeu um pedido da Polícia Federal para que não fosse feita abertura de processo judicial. A Polícia Federal desmentiu essa versão (Veja matéria nessa página).

Acuado por ter sido flagrado colocando na geladeira, desde 2009, as graves denúncias referentes ao inquérito policial nascido com a Operação Vegas, e sem conseguir justificar seu estranho comportamento, o Procurador partiu para agressões. Disse que está sendo “atacado por réus do mensalão”. Acrescentou que os ataques recebidos são de autoria dos que estão “morrendo de medo do julgamento do mensalão”. Só que é toda a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira que quer investigar os motivos de Gurgel sentar em cima das denúncias.

Os integrantes da comissão e a sociedade querem que ele esclareça por que só tomou providências às pressas quando as notícias dos crimes de Demóstenes, Policarpo e Cachoeira já tinham chegado à torcida do Flamengo.

SÉRGIO CRUZ


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Expediente


 

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Procurador conhecia crimes de Demóstenes desde 2009

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CARTAS

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“A Causa Secreta” - um conto de terror de Machado de Assis (1)