Parlamentares defendem na CPMI rigor e apuração sem privilégios

Até no Reino Unido, Murdoch foi investigado e chamado para dar explicações no parlamento

Cresce entre os parlamentares do Congresso Nacional, e particularmente entre os integrantes da CPMI, a convicção da necessidade de investigar a associação de Policarpo Jr, diretor da revista Veja, com a quadrilha de Carlos Cachoeira. As últimas revelações das armações entre Policarpo e Cachoeira, entre elas a que mostra Cachoeira plantando na Veja ataques ao Ministro dos Transportes por este ter tomado medidas de controle sobre obras da Delta, são cada vez mais comprometedoras.

“Todos devem ser investigados no setor público, privado e na imprensa. Sem paixões e sem arroubos. Nós vamos descobrir muitas coisas quando forem feitas as quebras de sigilo – o fiscal, por exemplo. Devemos apoiar sempre a liberdade de expressão. Mas, não podemos confundi-la com uma organização criminosa. Para o bem da sociedade e da própria liberdade de expressão”, declarou o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-SP).

Na mesma direção argumentou também o senador Roberto Requião (PMDB-PR). “A CPI sem a Delta ou a CPI sem a Veja não é CPI nenhuma. Não serve para nada”, disse o senador, em aparte ao discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS). O senador Fernando Collor, por sua vez, chegou a apresentar, na quinta-feira (17), atabalhoadamente é certo, um requerimento solicitando todas as gravações feitas entre Policarpo e Cachoeira. O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), argumentou que as gravações de Policarpo já estão incluídas no HD bruto, já solicitado ao STF e à PF, contendo todas as gravações feitas pela Polícia Federal com autorização da Justiça. A proposta não chegou a ser votada.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) considerou o requerimento de caráter “persecutório” e reforçou sua tese, já diversas vezes manifesta, de que a “convocação de um jornalista constitui atentado à liberdade de imprensa”. Somaram-se a dele às defesas do líder o PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR) e do senador Pedro Taques (PDT-MT). O último considerou o requerimento como “inconstitucional”. Se dentro da CPMI cresce a ideia de convocar a Veja e o Policarpo para testemunharem, fora dela a revista continua fazendo carga pesada contra as investigações de Policarpo tendo neste tema “O globo” e a “Folha” como cúmplices. O pretexto usado por eles, e repetido pela oposição tucana, e até por oportunistas como Miro Teixeira, é de que isso seria um ataque à liberdade de imprensa.

Respondendo à essa afirmação, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), afirmou que há liberdade de imprensa no Brasil, mas que não se pode confundir liberdade de imprensa com cometer crimes. “Políticos que cometem crimes têm que ser investigados. Nenhuma profissão pode cometer crime. O que nós estamos fazendo aqui é investigar um jornalista que manteve permanentemente relação com um criminoso. Esse jornalista teve uma relação de dez anos com o esquema criminoso, relação essa permanente. O que nós queremos é investigá-lo”, ponderou.

“O Reino Unido acabou de julgar o seu jornal e o seu jornalista e quem o fez? Foi o parlamento. E o parlamento brasileiro hoje tem poderes judiciais e não pode deixar de investigar”, destacou. “Esse jornalista está sendo investigado. Não há pré-julgamento. Se não estivesse sendo investigado não haveria as ligações reveladas pela Polícia entre ele e o contraventor. Esse jornalista há sete anos esteve numa comissão do Conselho de Ética da Câmara para depor a favor de quem? Depôs aqui nesta Câmara a favor do senhor Carlinhos Cachoeira”, prosseguiu Teixeira.

O senador Humberto Costa (PT-PE), líder da bancada do PT no Senado, criticou o fato de parte da Comissão querer blindar o jornalista. “Não há intocáveis aqui. Tudo virá à tona”, acrescentou. Mais tarde, ao fazer a defesa da quebra dos sigilos da filial da construtora Delta no Centro-Oeste, foi a vez do deputado Cândido Vacarezza se posicionar: “Se, no decorrer dos trabalhos, encontrarmos links com qualquer pessoa que seja, inclusive o Policarpo, nós vamos investigar”.

Líder do PSOL na Câmara, o deputado Chico Alencar (RJ) se somou aos parlamentares como Fernando Ferro (PT-PE), Protógenes Queiroz (PCdoB), Iris de Araujo (PMDB-GO) e outros e disse que “se ficar comprovado que há um esquema espúrio de seleções de matérias para atender aos interesses do crime organizado, aí sim o jornalista terá que ser investigado pela CPMI”. Já o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) saiu em defesa da associação da Veja com o crime e considerou o requerimento de caráter “persecutório”.

SÉRGIO CRUZ


Capa
Página 2

Cresce penetração de importados no consumo pessoal e industrial

Patriota plagia W. Bush sobre Síria e referenda crimes dos mercenários

P. Bernardo quer agraciar teles com mais isenções

Índice de Atividade Econômica do BC registra queda de 0,35% em março frente a fevereiro

Vendas no varejo sobem apenas 0,2%

Expediente


 

Página 3

Parlamentares defendem na CPMI rigor e apuração sem privilégios

Lula lembra Getúlio e JK e afirma que “a elite não admite que se governe para os pobres”

Dilma homenageia Conceição Tavares

Para Requião, livrar grupo Abril da CPI é acobertar crime organizado

TV Record repele falácia da “Veja” com mais denúncias contra diretor da revista

PT aprova resolução apoiando investigação de Cachoeira e “alguns órgãos de imprensa”

 

 

 

Página 4

Países ricos não querem o Mercosul forte, diz Samuel Pinheiro Guimarães

Sucateamento do Metrô é resultado da sabotagem tucana em São Paulo

Dilma pode vetar “entre 12 ou 14 artigos” de texto do Código Florestal, afirma Carlos Minc

PPL Pará lança pré-candidatura de Leny Campêlo à Prefeitura da cidade de Belém

CARTAS

Página 5

 

 

Página 6

Sob fogo da guerrilha afegã, Otan se reúne em busca de uma saída

“Sírios podem resolver a crise entre eles. Nada de armar terroristas”, alerta Ladsous

Manifestação cerca encontro da Otan em Chicago

“O Egito precisa de um presidente independente e que não se submeta a ditames da Casa Branca”

Israel: apartheid e chantagem nuclear (III)

Alicia: “Soberania também significa nos libertarmos do cepo das transnacionais”

Página 7 Página 8

Lembranças de 1964: o Brasil, o golpe de Estado e a verdade (1)