Globo larga a mão de Perillo e o tucano se complica mais

“Fala: é pro governador. Vamos lá pagar ele logo no Palácio”, diz bicheiro para comparsa 

   

   Percebendo que, mais cedo ou mais tarde, seria inevitável o surgimento de novas denúncias envolvendo o seu tradicional aliado, Marconi Perillo, as Organizações Globo resolveram jogá-lo ao mar. Correram para publicar tanto em seu jornal como na TV a gravação, feita pela Polícia Federal, mostrando o contraventor Carlinhos Cachoeira mandando seu comparsa, o ex-vereador do PSDB, Wladmir Garcez, “entregar o dinheiro para o governador, no Palácio”. O dinheiro era para pagar a casa vendida por Perillo.

O diálogo não deixa dúvidas de que foi Cachoeira que negociou e comprou a casa de Marconi Perillo. E foi nesta residência do governador que o criminoso foi preso durante a operação Monte Carlo, da PF. Até agora, Perillo repetia a tática de Demóstenes e negava tudo. Dizia que não recebeu em dinheiro pela transação. Inventou uma versão de que teria recebido través de três cheques. Foi desmentido de cara por Walter Paulo Santiago, representante da empresa Mestra, que depôs na CPI e disse que pagou em dinheiro vivo. Em “pacotinhos” de notas de cem e cinqüenta reais, explicou. Com tudo isso, a Globo teve que desistir de ficar criando pseudo-crises contra Agnelo Queiroz para tentar tirar o foco dos crimes de Perillo. 

Na ligação feitas através de seu aparelho Nextel, que reproduzimos abaixo, Garcez dá a entender que está esperando um emissário. Parece se tratar de Lúcio Fiúza, assessor especial de Perillo que pediu exoneração na semana passada, ou do professor Walter Paulo. O ex-vereador diz a Cachoeira que irá se encontrar com Jayme Rincón em um shopping. Antes, o contraventor questiona se seria bom ele estar presente, mas Garcez o desestimula, porque não vê uma boa explicação para justificar a presença do chefe.

Cachoeira:  “Tá aí?”

Garcez: “Não. Ele ligou agora disse que tá chegando. Atrasou um pouquinho”.

Cachoeira: “Quer que eu vá ai?”.

Garcez: “Precisa não, você que sabe. O que você estaria fazendo aqui?”

Cachoeira: “É verdade, então não vou aí, não”.

Garcez: “O Jayme já está indo lá no Alpha Mall, marcou comigo, qualquer coisa vou encontrar com ele na Agetop”.

Cachoeira fala para o auxiliar ligar para Jayme Rincón e dizer que atrasou, mas que é para ele aguardar Garcez na própria Agetop. E demonstra pressa na conclusão da transação. Na ligação, Cachoeira manda Garcez fechar o negócio no mesmo dia.

Cachoeira: “Você liga para o Jayme, fala para ele te esperar na Agetop, que atrasou. Tô indo lá, encontrar com o menino. Vende este trem hoje, hein. Pega o dinheiro logo, urgente”.

Garcez: “Aquilo que nós combinamos. Não vou perder. Dois milhões a gente já fechou. Se ele não fizer mais nada que dois, mete bronca. Mas vou tentar os R$ 2.250. Se não der... aí eu te dou uma ligada disfarçada, daquele jeito, viu”.

Cachoeira pede para Garcez dizer que é para entregar o dinheiro para o governador, no Palácio.

Cachoeira: “Fala: é pro governador. Vamos lá pagar ele logo no Palácio, chega lá pro Jayme. Já manda ele levar o dinheiro. Já entrega a chave pra ele, entendeu. Depois tira os trens que tem que tirar aqui”.

Cachoeira: “cê vai lá, chama o Lúcio. O Lúcio, você conversa com ele. “Ô, Lúcio, é que eu vendi lá, então tô vendendo mobiliada já, por dois e tanto”.

Cachoeira: Quanto?

Garcez: Uai, Carlinhos, ele mandou, deixa eu ver aqui... Foi um e quinhentos em dinheiro e quinhentos mil em gado, sabe? Mas aí eu vou conversar pessoalmente com o doutor Lúcio, que esse trem por telefone é ruim demais.

Perillo disse que havia vendido a casa por R$ 1,4 milhão. As gravações mostram que as conversas foram feitas em julho ou seja, depois que o governador já tinha recebido pela venda da casa. Marconi Perillo declarou que recebeu o pagamento em três cheques, em março, abril e maio.

Com o cavalo de pau dado pelas Organizações Globo, abandonando um velho aliado, Perillo terá muito o que se explicar ao país e aos parlamentares. Em 2005, a Globo tinha dado ampla repercussão ao então governador de Goiás, quando ele inventou ter alertado o presidente Lula sobre uma suposta compra de parlamentares em seu governo. Perillo e Globo queriam com isso dar sustentação à armação golpista contra o então presidente Lula.

Agora, abandonado à própria sorte, Perillo terá muito trabalho, além da entrega do dinheiro de Cachoeira no Palácio, terá que explicar também o pagamento de seu ex-assessor de imprensa feito com dinheiro de uma empresa de Cachoeira. Luiz Carlos Bordoni, ex-assessor de imprensa de Perillo, revelou recentemente que o governador pagou por seus serviços com dinheiro de uma empresa de propriedade de Cachoeira, a “Alberto e Pantoja”. Segundo Bordoni, ele recebeu metade em dinheiro do próprio governador e a outra metade, R$ 45 mil, da empresa do contraventor.

SÉRGIO CRUZ


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