Bando de Cachoeira articulava com Gurgel, revelam e-mails   

CPMI deve convocar o deputado Francischini para esclarecer o seu envolvimento na trama  

Gravações de conversas e interceptações de e-mails de Idalberto Matias, o Dadá, agente secreto da quadrilha de Carlos Cachoeira, feitas pela Polícia Federal, revelaram que o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) e o ex-senador do DF, Alberto Fraga, do DEM, armaram junto com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para derrubar o governador de Brasília, Agnelo Queiroz. O trabalho do grupo envolvia, ainda, a publicação de notícias em blogs políticos de Brasília contra o governador.

Numa das gravações da PF, Dadá informa a Cachoeira que Francischini estava montando um escritório em Brasília para “fuder” o governador. De acordo com Dadá, Francischini estava mudando seu domicílio eleitoral do Paraná para Brasília para concorrer ao GDF em 2014. Dadá diz que quem passou essa informação tinha sido um cara da Polícia Federal. Informa ainda que a Polícia Federal iria monitorar uma reunião do Alberto Fraga com o senador Demóstenes Torres em fevereiro de 2012. Cachoeira responde que “vai avisar” Demóstenes.    

Fraga tinha feito denúncia à Veja de uma suposta central de grampos, no governo do Distrito Federal, contra adversários políticos de Agnelo Queiroz. Ele estaria entre os alvos, assim como os jornalistas Edson Sombra e Mino Pedrosa. Em abril, Francischini disse até que pediria a prisão do governador do Distrito Federal.

Para proteger e garantir que seus planos dessem certo, Fraga aparece num e-mail, interceptado pela PF, sugerindo a Edson Sombra que falasse com Mino Pedrosa para maneirar as denúncias contra Agnelo, para não prejudicar o trabalho do procurador-geral. “Você tem que falar com o Etelmino (Pedrosa) para ele ir com calma. Pois todo esse alvoroço pode até atrapalhar o trabalho que o Gurgel está fazendo junto com o Francischini”, diz ele. “Por favor, peça a ele mais prudência, e que ele aguarde o momento certo para publicar as coisas”, insiste.  

Num e-mail de 15 de fevereiro, de Edson Sombra para Francischini, ele informa sobre um rapaz que eles querem levar para conversar com Roberto Gurgel. “Vou fazer o possível para resolver isso, mas o rapaz está com receio de que descubram ele lá no Palácio (Buriti), por isso ele não quis encontrar com o senhor na quinta feira”, explica Sombra. “Ele (o rapaz) diz que aguardaria mais um pouco e depois ele marcaria novamente comigo”. No dia 23 de fevereiro de 2012 Francischini troca outro e-mail com Edson Sombra e diz: “O Dr. Gurgel está me perguntado sobre o rapaz”.

Em seguida Thomé passa a Dadá o conteúdo de mais um e-mail de Francischini para Edson Sombra com os seguintes dizeres: “OK. Continuo aguardando você e o rapaz lá do Palácio na semana que vem para nos reunirmos com o Dr. Gurgel para ele tirar as conclusões dele sobre aqueles documentos”. No dia 27 de fevereiro outra mensagem entre Thomé e Dadá revela um outro e-mail de Fraga para Edson Sombra: “Como está a situação daquele inquérito sobre os contratos da saúde? O negócio da empresa do Gama? O Dr. Gurgel precisa apresentar logo essa denúncia”. Thomé passa então a resposta de Sombra para Fraga: “Segundo o Dr. Francischini a investigação está sendo feita, mas parece que ainda não conseguiu nada de relevante”.

No mesmo dia 27 de fevereiro Thomé informa a Dadá sobre mais outro e-mail do Sombra para Francischini. Diz a mensagem: “Está confirmado. Eu consegui falar com o rapaz do Palácio. Aquela reunião de apresentação dele para o Dr. Gurgel, eu consegui marcar para a quarta-feira, dia 29 de fevereiro. Ele concordou numa boa e disse que vai colaborar no que for preciso mediante segurança dele e de sua família”. Em seguida vem a resposta de Francischini para o Sombra. Diz a mensagem: “Maravilha. Vou ligar para o Dr. Gurgel e avisá-lo para não marcar nada nesse dia. O rapaz vai ajudar muito no que ele sabe sobre aqueles contratos que já estão com o Dr. Gurgel”, destaca.

Depois de uma troca de e-mails onde Francischini e Sombra reclamam de uma absolvição do GDF pela ANVISA, os dois voltam a falar da armação com Gurgel. Sombra diz esperar que “a PF não deixe de investigar aquelas denúncias (...)”. “Concordo com você”, responde Francischini. Mas não podemos baixar a cabeça e devemos continuar com nosso trabalho (...)”. “Por isso a importância da reunião de quinta-feira com o Dr. Gurgel”, completa o deputado. A CPI deverá convocar Francischini (afastado da CPI pelo PSDB) para prestar esclarecimentos sobre esses fatos. E a pressão sobre Gurgel, que já era alta pelo fato dele sentar em cima das denúncias contra Demóstenes, agora, deverá aumentar ainda mais.


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Expediente

 

 

 


 

 

 
 


 

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CARTAS

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