Centrais apoiam servidores e exigem proposta do Governo 

Governo recebe entidades após 2 meses de greve 

As centrais sindicais manifestaram apoio à greve dos servidores públicos federais e repudiaram a intransigência por parte do governo no processo de negociação. Desde o início do movimento, os representantes do governo adiaram todas as reuniões, deixando o funcionalismo sem qualquer proposta.

Após mais de dois meses de greve, com a ampliação das mobilizações e adesões de categorias, entre elas a Polícia Federal, o governo marcou para esta semana as primeiras reuniões de negociação, às vésperas da data limite para as alterações da Lei de Orçamento Anual (LOA), 31 de agosto. Além de protelar a negociação por todo esse período, o governo editou um decreto que substitui os servidores grevistas por servidores estaduais e municipais. A medida também foi condenada pelas centrais sindicais.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, que representou as centrais sindicais durante a 1ª Conferência Nacional do Trabalho Decente, ocorrido entre os dias 8 e 11, ressaltou que a greve é um direito dos trabalhadores e que o movimento sindical está unido contra medidas que têm como objetivo inibir o movimento. “Tem que fazer proposta e receber as entidades representativas que foram eleitas pelos servidores”, afirmou.

Para o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas, Bira, “o governo prefere reprimir as greves em lugar de apresentar uma proposta decente de aumento para os servidores públicos federais, que usaram seu direito constitucional de recorrer à greve para conquistar o reajuste. A greve, é bom que se diga, só foi deflagrada em função da política do Ministério da Fazenda de arrochar os salários, em nome de um ‘ajuste fiscal’ que só serve para favorecer os bancos”, afirmou, durante manifestação dos servidores em Brasília.

O funcionalismo federal segue com os salários arrochados desde 2010, com uma defasagem de mais de 12%. Desde então, os servidores vêm tentando negociar com o governo, mas não houve diálogo. Nos últimos dias, as mobilizações da categoria se intensificaram. Na manhã desta segunda-feira houve uma manifestação em frente ao Departamento de Polícia Federal, na zona oeste de São Paulo. Servidores ocuparam a escadaria do prédio para protestar pela reestruturação da carreira e aumento salarial. Em Minas Gerais, os servidores da PF protestaram no início da tarde deste domingo, no aeroporto de Confins.

Nos portos também ocorreram diversos protestos. Ainda na segunda-feira, 152 embarcações ficaram paradas na barra do Porto de Santos aguardando liberação, mais do que o dobro de um dia normal, quando esse número fica em torno de 60 navios.

“É justamente a falta de negociação entre as partes — postura adotada pelos governos passados — que gerou o descontentamento generalizado dos servidores, há décadas submetidos a uma política de desvalorização da carreira de servidor e de arrocho salarial”, afirma nota da CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central e UGT.

“Entendemos, porém, que cortar o ponto e substituir grevistas por outros trabalhadores servem apenas para acirrar os ânimos e por lenha na fogueira do descontentamento do funcionalismo público federal”. “Repudiamos todas as formas de autoritarismo no trato com reivindicações legítimas dos trabalhadores e trabalhadoras do setor público”.

“Solidárias com os grevistas, as centrais sindicais reconhecem que a saída para a paralisação está na disposição das partes sentarem à mesa e negociarem até a exaustão, tendo como perspectiva a solução rápida do conflito, reduzindo, assim, os prejuízos causados aos próprios servidores e à população”, conclui o documento. 

MINAS GERAIS 

Dentre as manifestações que aconteceram esta semana, ficou claro o descontentamento que sentem os servidores, durante o lançamento de uma nova etapa do programa social Brasil Sorridente em Rio Pardo de Minas-MG, na última sexta-feira. Ao iniciar seu discurso, a presidente Dilma Rousseff foi vaiada por dezenas de professores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Os manifestantes entoavam “Ô Dilma, a culpa é sua. A greve continua”. Logo que iniciaram as manifestações Dilma respondeu, novamente alegando a crise internacional como motivo para o arrocho. “Hoje, estamos enfrentando uma crise no mundo. O Brasil sabe que pode e vai enfrentar a crise e vai passar por cima dela, assegurando empregos para todos os brasileiros. O que o meu governo vai fazer é assegurar empregos para aquela parte da população que é a mais frágil, que não tem direito à estabilidade”.


Capa
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Expediente

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