Ata do Fed promete nova inundação de dólares frios

Nos três últimos trimestres o desempenho da economia dos EUA tem decaído. Fato é usado pelo BC dos EUA como pretexto para intensificar a guerra cambial, alavancar exportações e abocanhar ativos

 

O Federal Reserve prepara nova inundação de dólares no planeta, conforme a ata da reunião de agosto do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que estabeleceu que "muitos membros julgaram que uma acomodação monetária adicional provavelmente será justificável muito em breve, a não ser que as informações a serem divulgadas apontem para um fortalecimento substancial e sustentável no ritmo da recuperação econômica".

Nos três últimos trimestres, o desempenho da economia dos EUA vem decaindo, com 1% no último trimestre de 2011, 0,5% no primeiro trimestre de 2012 e 0,375% no segundo trimestre, na comparação com o período anterior, e piorando. Segundo o "New York Times", o comitê "também discutiu desencadear uma nova rodada de compras agressivas de ativos para derrubar as taxas de juros [de longo prazo] e estimular investidores a investir agora". E ainda manter a taxa de juro real negativa "para além de 2014", limite até aqui estabelecido. Observações prontamente traduzidas – e comemoradas - pelos especuladores dos EUA como "vem aí o Quantitative Easing 3". O Fed roda a impressora, compra papéis dos bancos e entope os bancos de dinheiro.

Assim, a guerra cambial deflagrada pelo Fed desde o final de 2008, e transformada em política de estado por Obama, será acirrada nos próximos dias. O governo dos EUA vai proceder a nova rodada de depreciação do dólar através de superemissões unilaterais transferidas aos monopólios dos EUA para que especulem e adquiram empresas de outros países, como já sucedeu em 2010 com o programa "Quantitative Easing 2", de US$ 600 bilhões. Com o dólar artificialmente rebaixado, os EUA aumentam ainda suas exportações à custa dos demais países: o projeto de Obama era dobrar até 2014 o montante, para US$ 3,14 trilhões, "o maior aumento que um país já fez". Mas os EUA continuaram recordistas em déficit na balança comercial.

 

GUERRA CAMBIAL

 

Quem não se proteger – como ocorreu com o Brasil diante do QE2 - irá sofrer de forma mais aguda as conseqüências da reiteração da guerra cambial, sacrificando suas exportações e ficando escancarado às importações. Também verá aumentar a desnacionalização - com os monopólios dos EUA usando os dólares frios do Fed para açambarcar fábricas e terras - e, em seguida, a própria desindustrialização. Já que, com capacidade produtiva em excesso nos EUA, vão usar essas aquisições para transformar fábricas em entre-postos de importação, ou simplesmente fechá-las. Mas, embora seja um ato de agressão econômica e de tentativa de fugir da crise descarregando-a sobre o mundo inteiro, o novo tsunami de dólares é também um sintoma da fragilidade: a recuperação da economia dos EUA, tantas vezes anunciada, não decola, e o desemprego não se move.

                                               

                                 
 


ANTONIO PIMENTA

 


 

 

 

 

 
                                                                                         

                                                                                            
                                                                                                
                                                                                         

                                                                                         






                                                                                             






 



 


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