Serra não foi candidato em 2006 a presidente porque foi derrotado

Explicações dele na televisão são falsas

   José Serra tem dispensa do boa parte de seu tempo de campanha tentando, em vão, convencer o eleitor de que não vai abandonar o mandato outra vez para disputar outras eleições. A queda vertiginosa nas pesquisas revela que o povo não está caindo de novo na sua conversa fiada. Também pudera. Não tem uma palavra que soe verdadeira nele. Disse que saiu para o governo em 2006 porque Geraldo Alckmin não podia se reeleger e que o governo do Estado poderia “cair nas mãos do PT”.

Nada mais falso. Todo mundo sabe que Serra queria era ser presidente. Que ele tentou passar o trator em Alckmin e sair candidato ao Planalto em 2006. Serra acabou derrotado no PSDB e foi obrigado a desistir. Com a derrota para presidente, ele podia ter ficado na Prefeitura, mas deixou Kassab em seu lugar, e foi disputar outra eleição, a de governador. Ou seja, mesmo tendo jurado para o Boris Casoi que não sairia da Prefeitura, Serra, na verdade, já havia decidido que largaria a administração municipal qualquer que fosse a situação. Em suma, o tucano não tem o menor respeito pelo eleitor. Diz qualquer coisa. Mente como quem troca de camisa.

Serra estava ávido pela candidatura à Presidência da República e queria ser candidato com o apoio da cúpula e de todo o PSDB. Disse que aceitava ser candidato se fosse unanimidade no PSDB, para que, inclusive, fosse mais fácil justificar sua saída da prefeitura com um ano e poucos meses. A contenda Alckmin X Serra impregnou até a disputa pela liderança do PSDB na Câmara. De um lado, estava o deputado Jutahy Júnior (BA), que apoiava Serra, e de outro o deputado João Almeida (BA), que estava do lado de Alckmin. 

A Folha, de 14 de março, registrou a pretensão do então prefeito de São Paulo: “Serra quer candidatura, mas sem prévia”. Mas Alckmin frustrou seus planos e defendeu a realização de prévias para definir o candidato. O partido foi ganho para a proposta de Alckmin. José Serra sabia que ia se dar mal nas prévias e decidiu sair fora.  Em nota, porém, ele procurou passar que tinha desistido pela unidade do partido. Mas não fez um pronunciamento de apoio a Geraldo Alckmin. Tanto assim que o Estadão cravou em manchete naquele período: “Sem a presença de Serra, PSDB lança Alckmin à Presidência”. Portanto, era a presidência da República e não a governadoria paulista que Serra almejava.    

Além disso, de novo, Serra  segue mentindo sobre o Seguro Desemprego. Insiste novamente em dizer que foi ele que criou. Não é verdade. O seguro-desemprego foi criado pelo decreto presidencial nº 2.284, de 10 de março de 1986, assinado pelo então presidente José Sarney. Sua regulamentação ocorreu em 30 de abril daquele ano, através do decreto nº 92.608, passando a ser concedido imediatamente aos trabalhadores. Da mesma forma, o FAT foi criado pelo Projeto de Lei nº 991, de 1988, de autoria do deputado Jorge Uequed (PMDB-RS).

Um ano depois Serra apresentou um projeto sobre o FAT (nº 2.250/1989), que foi considerado prejudicado pelo plenário da Câmara dos Deputados, na sessão de 13 de dezembro de 1989, uma vez que o projeto de Uequed já havia sido aprovado”.

Quando, na eleição presidencial de 2010, ele foi desmascarado, teve que recorrer à outra mentira para continuar dizendo que foi ele quem criou o Seguro Desemprego. Disse que foi o autor da emenda ao dispositivo que resultou no artigo 239 da Constituição, que trata do Seguro Desemprego.

Já naquela época, em matéria assinada por Carlos Lopes, o HP desmontou mais essa versão. Buscamos as atas da Constituinte para checar a informação de Serra. Descobrimos então qual foi a “grande contribuição” do constituinte José Serra ao artigo 239 da Constituição. Veja a seguir.

No Diário da Assembleia Nacional Constituinte (DANC), página 13.933, de 1º de setembro de 1988, encontramos a muito importante contribuição de Serra. Nesse dia, o presidente da Constituinte, Ulysses Guimarães, anunciou um acordo, com a fusão das emendas sobre o seguro-desemprego, permitindo a votação imediata do que é hoje o artigo 239 da Constituição (cf. DANC, página 13.931).

Os constituintes cujas emendas foram unidas no artigo 239 estão listados na página 13.932 do Diário. A lista segue abaixo, sem o nome de Serra. Confira você mesmo, caro leitor.

Adolfo Oliveira; Airton Cordeiro; Almir Gabriel; Aluizio Bezerra; Álvaro Valle; Antônio Mariz; Arnaldo Faria de Sá; Átila Lira; Bonifácio de Andrada; Brandão Monteiro; Carlos Alberto Caó; Carlos Chiarelli; Carlos Mosconi; Celso Dourado; Costa Ferreira; Djenal Gonçalves; Felipe Mendes; Hermes Zanetti; Humberto Lucena; Iram Saraiva; Ismael Wanderley; Itamar Franco; Jairo Carneiro; Jesualdo Cavalcanti; Joaquim Francisco; Jorge Leite; José Camargo; José Carlos Coutinho; José Elias Murad; Leopoldo Peres; Manoel Moreira; Maria de Loudes Abadia; Marluce Pinto; Mauro Campos; Mendes Botelho; Mendes Thame; Messias Soares; Nelson Seixas; Nelson Wedekin; Octávio Elísio; Oswaldo Trevisan; Percival Muniz; Ruy Bacelar; Sólon Borges dos Reis; Tadeu França; Teotonio Vilela Filho; Vasco Alves; Wilma Maia.

Em seguida, a Constituinte passou à discussão da emenda. Fizeram uso da palavra os constituintes Luís Roberto Ponte, Octávio Elísio, Inocêncio Oliveira, Eduardo Jorge, Edmilson Valentim, Bonifácio de Andrada, Ademir Andrade, José Maria Eymael, Solon Borges dos Reis, Floriceno Paixão, Almir Gabriel, Arnaldo Faria de Sá, José Carlos Coutinho, e até o Roberto Freire.

E o Serra? Não defendeu nada. Ulysses Guimarães, então, colocou em votação a emenda. Foi aí que Serra percebeu que o artigo do seguro-desemprego não podia passar sem o seu toque. Transcrevemos literalmente o que está na página 13.933 do “Diário da Assembleia Nacional Constituinte”:

“O SR. PRESIDENTE (Ulysses Guimarães) - Passa-se à votação.

(Procede-se à votação)

O SR. JOSÉ SERRA (PSDB-SP) - Sr. presidente, peço a palavra para uma questão de ordem.

“O SR. PRESIDENTE (Ulysses Guimarães) - Concedo a palavra ao nobre Constituinte José Serra.

“O SR. JOSÉ SERRA (PSDB-SP) - Sr. presidente, gostaria apenas de sublinhar a enorme importância que têm as correções de redação, às quais o Constituinte Almir Gabriel fez referência há pouco. Elas são vitais para melhor precisão do texto final.

“O SR. PRESIDENTE (Ulisses Guimarães) - Isso vai ressaltar a importância da redação que vamos acompanhar.”

Essa foi a contribuição de Serra. A fusão das 48 emendas fora apresentada, discutida, e a votação iniciada. Porém, sem a percuciente observação de Serra, certamente os trabalhadores não teriam o seguro-desemprego. É de homens assim, preocupados com coisas “vitais” como são as “correções de redação” do Almir Gabriel, que o país está precisando.

Só para ser mais preciso, não havia emenda de Serra entre as que deram origem ao artigo 239 da Constituição porque elas foram rejeitadas. Na primeira delas (emenda 158/1987), segundo a Subcomissão dos Direitos dos Trabalhadores e Servidores Públicos, “o seguro-desemprego não corresponde ao que a classe trabalhadora expressou através das entidades sindicais. E nem reflete o grau de obrigação do Estado e dos empregadores na matéria. Somos pela rejeição”.

Na segunda (emenda 159/1987), ele propunha acabar com o FGTS, o PIS e o PASEP. O seguro-desemprego era um pretexto para tirar do trabalhador o direito a sacar seus depósitos nesses fundos. Como disse a mesma Subcomissão: “O FGTS e o PIS-PASEP, com todos os seus defeitos, são hoje fundos que trazem algum lenitivo à penúria dos trabalhadores e guardam os patrimônios deles ali depositados. Trocar esta situação por outra que não dará nenhuma garantia de ser melhor é, no mínimo, desinteressante. Opinamos pela rejeição”. E as emendas de Serra foram rejeitadas.

VALTER SILVA


Capa
Página 2

Considerações sobre o modelo e a derrubada do crescimento

Impostos não impediram distribuidoras de energia de lucrarem US$ 3,97 bi em 2011

Cida Malavazi

Em sete meses, produção industrial registra queda em SP, Rio e Minas

Companhia chilena CPMC compra 100 mil hectares de floresta no RS

Chinesa Lenovo leva a tradicional CCE

Expediente

Página 3

Serra não foi candidato em 2006 a presidente porque foi derrotado

Ministério Público processa prefeitura por falta de vagas em creches. Serra finge que não há problema

“Mensalão” não dá votos para candidatos tucanos

PSDB é o partido que tem mais fichas sujas

Planilha apreendida pela PF aponta que Perillo recebeu 500 mil reais de Cachoeira  

Depoimento de Policarpo pró-Serra desmente quem diz que convocá-lo na CPMI “atenta contra a imprensa”  

Candidato acusado de integrar milícia é descoberto no partido de Freixo, que apoia a expulsão

Página 4

Os escritos e pronunciamentos econômicos de Getúlio Vargas (2)

Página 5

 

 

Página 6

Gregos ocupam as ruas de Tessalônica contra arrocho

Pacote de Coelho "é golpe que torna Portugal uma embaixada dos interesses financeiros"

Metalúrgicos da Alcoa enfrentam a polícia de Roma contra o fechamento de fábrica e 2 mil demissões

Terroristas assassinam prisioneiros em Alepo

Premiê português anuncia privatização de TAP e água

Governo de Honduras chama consultor norte-americano para instalar bordéis fiscais

Exército sírio inflige dezenas de baixas a mercenários em Homs, Alepo e Daraa

Página 7

Convenção indica Obama e desemprego segue devastador

Professores de Chicago vão à greve por aumento salarial

Jimmy Carter defende fim do bloqueio americano a Cuba

Número de crianças sem-teto em Nova Iorque bate recorde: 19 mil

BCE quer compra ilimitada de dívida a especuladores e arrocho para povos

RPDC: “EUA não assina a paz para manter o pretexto da ocupação do sul da Coreia”

Crescimento da pobreza nos Estados Unidos [II]

 

 

Página 8

CGTB: desnacionalização da indústria está derrubando nosso crescimento

Bira: “Arrocho salarial e redução do investimento estão afundando PIB”

Brizola Neto resgata papel de Getúlio na união entre indústria nacional, trabalhadores e Estado

Empresários apontam riscos da desindustrialização para o país