Obama requenta na ONU contra Irã mentiras anti-Iraque de W. Bush

O Nobel da Paz fez novas ameaças ao Irã por não “provar que seu programa nuclear é pacífico” e insinuou que os EUA inundam o mundo com dólares frios só para dar um apoio aos emergentes

Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (24), o presidente Barack Obama repetiu a encenação praticada em 2003 por W. Bush, que exigia do governo Sadam “provas” de que não tinha armas de destruição em massa, que não existiam, e usou isso como pretexto para invadir o Iraque. Agora, Obama disse que “o Irã não aproveitou a oportunidade de demonstrar que seu programa é pacífico” e acrescentou que “o tempo” para uma solução diplomática “não é ilimitado”, ensaiando outra guerra.

Na época, todas as ações de inspetores da ONU que estavam no Iraque e que não encontravam nada - porque não existiam tais armas de destruição em massa - eram apresentadas de forma fraudulenta por W. Bush como o indício de que, se não se achava nada, era porque o governo iraquiano escondia. O mesmo se repete agora contra o Irã, que sempre afirmou que se trata de um programa de uso pacífico da energia nuclear, que não tem armas nucleares, e a cada afirmação Washington volta a insistir “onde estão as armas nucleares” e que o Irã “está escondendo seu programa nuclear militar”. Em seu discurso, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad denunciou que tem prevalecido “a intimidação através de armas nucleares ou de destruição em massa por parte dos poderes hegemônicos”, isto é, os EUA, e ainda, Israel, que é quem tem centenas de bombas atômicas no Oriente Médio.

Antes de ameaçar o Irã, Obama se ocupou com o incômodo cadáver do embaixador-agente da CIA, Chris Stevens, mandado para as profundezas por patriotas líbios, e a maré de manifestações contra embaixadas dos EUA que estendeu por mais de vinte países nos últimos dias. Foi um discurso recheado de demagogia, que incluiu até citações sobre “favelas do Rio e escolas de Mumbai” e “olhos que brilham com promessas”, mas que não tem uma só palavra sobre sua “democracia dos drones”, apesar de noutra passagem Obama ter asseverado que “não há palavras que desculpem a morte de inocentes”. Ele prometeu “justiça” contra os que deram cabo de Stevens – episódio que segundo a imprensa dos EUA desmontou a estrutura da CIA na Líbia (e tornou frágeis as expectativas de uma pilhagem fácil do petróleo líbio).

Também estava repleto de mentiras deslavadas, como a de que os EUA, “não têm buscado, e não buscarão, ditar o resultado das transições democráticas no exterior”, peculiar forma de chamar as intervenções que cometeu. É o que mostra a destruição trazida à Líbia pelos bombardeios da Otan que Washington capitaneou, o assassinato do presidente Muamar Kadafi, as tentativas de manter no poder o ditador Mubarak no Egito e outro capacho na Tunísia, a substituição de um fantoche por outro no Iêmen e, agora, o patrocínio aberto dos mercenários da CIA na Síria para derrubada do governo legítimo. o episódio do filme ofensivo à fé muçulmana e ao Profeta Maomé, Obama voltou a acoitar o insulto sob o pretexto de que se trata de “liberdade de expressão”, como se as guerras de Washington contra o Iraque e Afeganistão, os drones no Paquistão, Iêmen e Somália, e as intervenções na Líbia e na Síria nada tivessem a ver com o clima de histeria contra os islâmicos nos EUA, e fosse simplesmente “blasfêmia” como disse. Mal se comparando ao Profeta, se disse muitas vezes ofendido, sem revidar, nas suas lides de “presidente” e “comandante-em-chefe”. Asseverou, ainda, que “queimar uma bandeira americana não educará as crianças”.

INVERSÃO

O discurso também revelou tendência de Obama a se comportar como um invertido. Assim, são os palestinos – as vítimas – que impedem a paz por violarem o direito de “Israel existir”. Noutro trecho, condena o “tipo de política” que “insufla o Leste contra o Oeste” – quando foi ele que, recentemente, decidiu transferir para as costas da China o peso da frota naval norte-americana, operação “Pivô do Pacífico”. Ele, que diariamente mata mulheres e crianças na Ásia com seus drones, é que acusa o presidente sírio Assad de “disparar foguetes sobre blocos de apartamentos”.

Uma semana após os EUA decretarem a terceira fase da guerra cambial com superemissão de dólares, US$ 85 bilhões por mês, por prazo ilimitado, na Assembléia Geral Obama teve a cara dura de dizer que “estabelecemos parceria com os países emergentes para manter o mundo no caminho da recuperação”. Adiante ele falou em promover governos “que sejam abertos e transparentes – o que deve ser uma referência a entidade de fachada que, segundo o jornal “Guardian”, operava na Rússia com financiamento do Departamento de Estado.

O discurso terminou por onde começou: com o cadáver de Stevens no colo de Obama, na véspera da eleição.

                                                                                    
                                                                                             

                                                                        
ANTONIO PIMENTA

 


 

 

 

 

 
                                                                                         

                                                                                            
                                                                                                
                                                                                         

                                                                                         






                                                                                             






 



 


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