80 mil marcham em Paris: “não ao arrocho do Pacto Merkozy”

Os manifestantes denunciaram que o tratado Merkozy atenta contra soberania francesa por exigir que o Orçamento aprovado no parlamento do país seja submetido à Comissão Europeia

“Não ao Merkozy”: com este lema, 80 mil pessoas marcharam por
Paris no domingo dia 30 de setembro para repelir o “Pacto Orçamentário” da União Europeia, que obriga a uma austeridade permanente, e que irá a votação nesta semana. Na sexta-feira dia 28, o governo Hollande, que foi eleito prometendo reverter o arrocho de Sarkozy e retomar o crescimento, anunciou seu próprio pacote de arrocho, no valor de 33 bilhões de euros, para rebaixar o déficit fiscal de 4,5% do PIB este ano para 3% em 2013 como exigido pelo “Tratado de Estabilidade” europeu.

“Este é o dia em que o povo francês entra em marcha contra a política de austeridade”, afirmou o candidato à presidência da Frente de Esquerda nas últimas eleições, Jean-Luc Mélenchon, que, ao lado do secretário-geral do Partido Comunista Francês, Pierre Laurent, encabeçava a mobilização. “Deputados, nada de traição!”, conclamavam cartazes conduzidos pelos manifestantes. É a primeira grande manifestação na França desde a eleição de Hollande em maio e as eleições legislativas de junho vencidas pelo PS, partido que agora tem maioria no parlamento suficiente para aprovar ou repelir o tratado. Logo após o resultado da eleição, Hollande havia se comprometido a “renegociar o pacto de austeridade” e que não “seria aprovado tal como está”.

O tratado recebeu esse apelido – Merkozy - por ter sido imposto pela primeira-ministra alemã Angela Merkel, com a bênção do então presidente francês Nicholas Sarkozy, e cria sanções automáticas sobre os países que não se sujeitarem à camisa de força fiscal proposta. Grande parte dos países europeus tinha superávit orçamentário, que se transformou em graves déficits por causa do socorro aos bancos na crise de 2008-2009, situação que se agravou com a especulação contra as dívidas soberanas. A própria França, cuja dívida como porcentagem do PIB passou de 64% para 91% sob Sarkozy.

25 dos 27 países da União Europeia se comprometeram em aprová-lo, mas o Merkozy se preocupa unicamente em garantir dinheiro para os bancos, obrigando a profundos cortes nos programas sociais, salários e aposentadorias, e ignora completamente o dramático problema do desemprego que, só na França, acaba de romper a barreira dos três milhões. Diante disso, o manifesto de convocação afirma que o tratado “empurra toda a União Europeia numa espiral depressiva que se arrisca a generalizar a pobreza”, e o considera “um recuo sem precedentes desde a II Guerra Mundial”.

Os manifestantes denunciaram ainda que o tratado atenta contra a soberania francesa, por forçar com que o orçamento aprovado no parlamento francês seja submetido à Comissão Europeia, que ninguém elegeu, e que poderá intervir fazendo cortes arbitrariamente, segundo os interesses dos bancos, e dando a última palavra.

A economia francesa está patinando pelo terceiro trimestre consecutivo, a um passo da recessão, com modestíssima previsão para 2013 de 0,8% de alta do PIB, e o governo Hollande, eleito prometendo crescimento, vai subtrair da economia 33 bilhões de euros. Mélenchon fez questão de assinalar que a manifestação não era contra Hollande, mas pela correção de rumo.

CORTES À HOLLANDE

O plano de arrocho de Hollande foi apresentado à população como uma nova forma de redistribuir os sacrifícios, “com os ricos e as empresas” pagando mais, mas subtrai cerca de 3 bilhões de euros – o valor exato ainda está para ser anunciado – da Previdência Social e congela os salários de cinco milhões de servidores públicos. Os cortes previstos para o setor público atingem 10 bilhões de euros.

Está sendo feito enorme alarido sobre os 75% de imposto de renda sobre os que recebem mais de 1 milhão de euros, mas esses são apenas 1500 contribuintes, gerando pouco mais de 200 milhões de euros, que vigorará nos próximos dois anos. Dos 10 bilhões que viriam dos contribuintes pessoas físicas, 6,2 bilhões se referem aos 50.000 franceses com renda maior que 150.000 euros, que serão taxados em 45% sobre o que exceder esse montante. 10 bilhões de euros virão da taxação de empresas, com deduções financeiras limitadas a 85%.



                                                                                    
                                                                                             

                                                                        
ANTONIO PIMENTA

 


 

 

 

 

 
                                                                                         

                                                                                            
                                                                                                
                                                                                         

                                                                                         






                                                                                             






 



 


.


 



 

 

                      

 


Capa
Página 2
Página 3

Plenária decide mobilização contra os leilões de petróleo

Google aprende a remover vídeo após diretor passar algumas horas no xilindró

Fernando Haddad faz comício com Lula e Dilma; Serra e Russomano intensificam campanha na reta final

O que acontece no STF (2)

Candidato rebate TVs e mostra que a lei não proíbe a participação em debates de partidos sem deputados 

Mais um repórter é vítima das agressões de Serra

Página 4

Cobranças ilegais da Prefeitura revoltam moradores de mutirão

Homicídios aumentam 15,2% na cidade de São Paulo

Curitiba: Ducci tenta nova censura contra candidato

Plataforma sul-coreana operada pela Vale aderna no Maranhão

CARTAS

Página 5 Página 6

Japoneses exigem saída de tropas dos EUA de Okinawa

Vietnã: descoberta mais uma vala comum com chacinados por invasores norte-americanos

"O povo palestino jamais renunciará ao direito de ser livre. Derrotaremos o apartheid de Israel"

Informe das Universidades de Stanford e NY denuncia ‘democracia’ dos drones

Cristina: Chávez é um líder democrata

Página 7

80 mil marcham em Paris: “não ao arrocho do Pacto Merkozy”

Multidão em Madri cerca parlamento contra cortes e pede a saída de Rajoy

ArcelorMittal anuncia desativação de dois altos fornos da usina de Florange e indigna França

Chávez convoca ofensiva final para vitória na eleição do próximo dia 7

Polônia mobiliza-se contra o aumento da idade para início das aposentadorias

Portugueses vão às ruas em defesa dos salários e dos direitos

Página 8

Os escritos e pronunciamentos econômicos de Getúlio Vargas (8)