Obama perde 9 milhões de votos em quatro anos

De uma eleição para outra, a ida às urnas encolheu 11 milhões de votos por conta do estelionato eleitoral de Obama, que prometeu “mudança”, traiu e governou para os bancos e para o Pentágono

Na “democracia da exclusão” que vigora nos EUA, Barack Obama se reelegeu com menos de 30% do total de eleitores, mais exatamente 28,9%. 43,6% não votaram. Romney ficou com 27,5%. De uma vantagem de quase 10 milhões de votos contra John McCain em 2008, Obama caiu para uma diferença de 2,8 milhões de votos sobre Romney. Em quatro anos, a sua votação se reduziu em quase 9 milhões de votos. Em termos de votos válidos, o resultado ficou em 50% Obama versus 48% Romney - 60.579.325 a 57.757.283.

O papel do voto é cada vez menor nos EUA. De uma eleição para outra, o comparecimento às urnas caiu 11 milhões de votos; pelo menos 90 milhões de eleitores inscritos não foram votar. Efeito colateral do estelionato eleitoral de Obama e das encenações do adversário prometendo, logo ele, “milhões” de empregos e “mudança real”. E do sistema de partido único, com duas alas direitas, uma republicana, outra democrata, que governam para a plutocracia e só fazem favorecer os bancos, o cartel do petróleo e o Pentágono.

Desta vez não houve um comício com 200 mil pessoas de arrepiar, mas uma mensagem de Obama mais curta, com ar de quem se safou na última hora, ainda que entremeada de frases de efeito, como ele gosta, tipo a América “é sobre o que pode ser feito por nós, juntos”. Juntos. Como o bailout dos bancos e o despejo de milhões de suas casas pelos bancos. Ou os fantásticos bônus dos banksters e os 23 milhões de desempregados na pior.

A diferença de votos entre Obama e Romney - e sua tradução no famigerado colégio eleitoral – fez com que aquele vexame de fraudes e tapetão visto na era W. Bush ficasse para outra oportunidade; o republicano concedeu prontamente a derrota. No quesito, os republicanos tiveram uma destacada atuação, impugnando em massa registros de eleitores quando se tratava de negros ou latinos e aprovando nos estados leis para dificultar o voto.

Ajudado pelo papel de bom presidente no socorro às vítimas do furacão Sandy, Obama esticou o pescoço e venceu na maioria dos estados indecisos, aonde a campanha presidencial se concentrou nos últimos dias. Venceu no colégio eleitoral por 332 (incluindo 29 votos da Flórida) a 206, comparado com 365 a 173 de quatro anos atrás. Uma possível recontagem na Flórida não altera o resultado final de vitória de Obama. A bem da verdade, o especulador abutre era um candidato muito fraco, que só ascendeu por conta das traições do democrata ao eleitorado.

Foi a eleição mais cara da história dos EUA, com Obama, segundo a revista “Mother Jones”, se tornando o primeiro presidente de US$ 1 bilhão – enquanto Romney chegou a US$ 800 milhões. E isso só na contabilidade da campanha presidencial, sem contar os gastos com deputados e senadores, e os anúncios dos grupos de pressão – autorizados desde 2010 pela Suprema Corte – e que acabaram na prática com qualquer limite ao financiamento privado de campanhas. Uma “democracia” dos bancos e cartéis, movida a himalaias de dólares, e não foi através do pinga-pinga na internet que se chegou aos US$ 1 bilhão.

No Congresso, os democratas levaram a melhor no Senado, ficando com 53 cadeiras a 45, enquanto que os republicanos mantiveram a Câmara dos Representantes (deputados), por 233 a 193. Em vários casos, foram ajudados pelo redesenho dos distritos eleitorais de forma capciosa. A bancada mais raivosa dos republicanos, o Tea Party, colheu importantes derrotas.

Na política externa, continua tudo como antes: execuções sumárias com drones, intervenção na Síria, guerra no Afeganistão, cerco com sistema antimíssil à Rússia e com a frota naval à China, patrocínio de golpes de estado, Guantánamo aberto, ameaça de guerra e sanções de aleijar ao Irã, caçada ao fundador do WikiLeaks Assange e apoio à Troika na Europa e ao FMI. A guerra cambial do “quantitative easing” prossegue.

No teatro interno, continuidade da Lei (In) Patriótica e da Lei de Defesa Nacional, que na prática anulam a constituição, abolem o habeas corpus, permitem prisão indefinida e violam até o sigilo do advogado com seu cliente. Grampo generalizado nos telefones e nos e-mails. Continuação da perseguição a imigrantes e a muçulmanos.

“ABISMO FISCAL”

Agora, como diz Obama, é “em frente”. Para janeiro já está prometido o “abismo fiscal” – o corte automático de gastos no montante de US$ 600 bilhões se não houver acordo com os republicanos sobre o controle do déficit. O “abismo” foi criado para empurrar para a frente o impasse com o teto do endividamento do governo federal, e estima-se em 3,5% do PIB o impacto na economia, considerando ainda o fim da isenção de impostos para ricos que vence em janeiro.

Ou seja, a discussão agora é sobre os cortes no Medicaid, Medicare, seguro desemprego e outros programas sociais que vêm salvando milhões do desamparo. O déficit só existe por causa das guerras, do corte de impostos dos ricos e do bailout dos bancos, mas é sobre os mais pobres que querem lançar seu “combate”.

A divergência é sobre o tamanho do corte, não sobre se haverá cortes. Os republicanos querem manter a isenção de impostos de W. Bush para os ricos. Obama, quando tinha maioria no Congresso, deixou estar; agora, que não tem a Câmara, é difícil acreditar que irá fazer os ricos pagarem imposto na mesma proporção dos mais pobres.

Pelo visto, o estelionato eleitoral fase 2 não demora: o preferido de Wall Street já está a postos na Casa Branca.

                                                                                        ANTONIO PIMENTA 


 

 


 

 

 

 

 
                                                                                         

                                                                                            
                                                                                                
                                                                                         

                                                                                         






                                                                                             






 



 


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