Marcha das Centrais reúne 50 mil e Dilma negocia pauta trabalhista 

CUT, CGTB, Força, CTB, NCST e UGT defendem campanha nacional unificada 

Mais de 50 mil trabalhadores se reuniram em Brasília nesta quarta-feira, 6, na 7ª Marcha das Centrais Sindicais, uma das maiores marchas realizadas nos últimos anos pelo movimento sindical.

Após a manifestação, os representantes das centrais CUT, CGTB, Força Sindical, CTB, NCST e UGT foram recebidos pela presidente Dilma, num encontro onde elas entregaram o manifesto com a pauta da marcha, que inclui redução da jornada, negociação no serviço público, valorização dos aposentados, fim do fator previdenciário, ampliação do investimento público, entre outros pontos. Na reunião, a presidente assinou o decreto que internaliza a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da negociação coletiva para trabalhadores do setor público. A convenção, ratificada em 2010, precisa ser adaptada à legislação nacional para entrar em vigor.

“Abriu-se oficialmente a negociação para o processo de regulamentação da Convenção 151. O governo assume o compromisso oficial, assinando decreto, de internalização desse compromisso de estabelecer a negociação no setor público”, explicou o ministro do Trabalho, Brizola Neto.

De acordo com o presidente da CUT, Vagner Freitas, além da Convenção 151, o governo se mostrou disposto a discutir a questão do fim do fator previdenciário e a redução da jornada. “A presidenta entende que é possível, em negociação, construir acordos em torno disso”. Também foi debatida a questão das demissões imotivadas. “Ela (Dilma) diz com todas as letras que a rotatividade atrapalha o país. Atrapalha, inclusive, empresários sérios. Teremos um processo de negociação em torno desses temas”, afirma Freitas.

No início da marcha, os manifestantes se reuniram em frente ao Estádio Mané Garrincha e seguiram, por volta das 10h, rumo à Esplanada dos Ministérios e ao Congresso Nacional, ressaltando a necessidade de ampliar os investimentos públicos, fortalecer o mercado interno e distribuir renda, acabando com a receita neoliberal de arrocho e desemprego.

O presidente da CUT lembrou que todas as conquistas obtidas pelos trabalhadores no último período foram graças à atuação unitária das centrais. “A CUT afirma em alto e bom tom: a ação conjunta fortalece o nosso protagonismo. Hoje não vamos apenas entregar nossa pauta à presidenta Dilma, mas defender que se consolide um processo de negociação perene com o governo, como se fosse uma grande Campanha Nacional Unificada das centrais, que garanta avanços, fundamentais para a sustentação do projeto democrático e popular que ela representa”, disse o sindicalista.

O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, apontou que “ampliar os investimentos públicos para que o país avance de forma significativa no caminho do desenvolvimento, com mais salários, empregos e direitos” é questão fundamental. “A defesa do nosso mercado interno, da nossa indústria, depende de maior investimento público e da prioridade do governo para as empresas genuinamente nacionais”, completou Bira.

“É a marcha da integração nacional, que sublinhou a necessidade da valorização dos salários como alavanca propulsora da economia do país”, declarou o presidente da Nova Central, José Calixto Ramos. Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, é com essa unidade que este ano “conseguiremos conquistar os avanços esperados para que o Brasil continue no caminho do crescimento”.

A primeira reunião após o término da marcha foi às 12h30, com o senador Renan Calheiros, presidente do Senado. Na sequência, o encontro foi com o deputado Henrique Alves, presidente da Câmara dos Deputados, no gabinete da presidência. Os senadores Paulo Paim (PT-RS) e Inácio Arruda (PCdoB-CE) – além do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) que também preside a Força Sindical – acompanharam os representantes das Centrais na reunião. “Muitas reivindicações da pauta trabalhista já estão em debate no Congresso como, por exemplo, a questão do fim das demissões imotivadas (convenção 158 da OIT), o fim do fator previdenciário e a redução da jornada”, diz Paulinho.

“Não dá mais para o Executivo e o Legislativo atenderem só a pauta do setor empreendedor. É preciso que se atenda aos empresários, mas também aos trabalhadores. Estou no Congresso há 26 anos. Uma marcha com mais de 50 mil pessoas organizada pelo movimento sindical foi para mim foi a mais forte. Entendo que ela vai repercutir de forma positiva”, disse o senador Paim.


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