Presidente da Eletrobrás anuncia demissão de 5.000 trabalhadores

Ao mesmo tempo, disse que pretende investir R$ 52,4 bilhões e reduzir o custeio em 30%

O presidente da Eletrobrás, José da Costa Carvalho Neto, apresentou na quinta-feira o Plano Diretor de Negócios e Gestão 2013–2017, com uma redução nos recursos de custeio de 30% em três anos, um contingenciamento de 20% do orçamento em 2013 de “materiais, serviços e outras despesas” em todas as empresas do Grupo Eletrobrás, e um corte de 5 mil dos 27 mil empregados, ou seja, uma demissão de mais de 18% dos trabalhadores – a ser feito, segundo Costa, por um daqueles planos de demissão “voluntária” que, no governo Fernando Henrique, eram a antessala da privatização.

Costa, um ex-secretário do tucano Eduardo Azeredo, disse que essas medidas são inevitáveis porque a Eletrobrás teve um prejuízo líquido de R$ 6,878 bilhões devido, supostamente, a “efeitos da Lei 12.783/13” - na qual se transformou a MP 579, com que a presidente Dilma baixou as tarifas de energia.

Estranhamente, no mesmo dia, a cotação das ações da Eletrobrás na Bolsa de Valores subiu 16,9%.

Se o leitor acha que isso é coisa de maluco – uma empresa que anunciou um prejuízo líquido de R$ 6,878 bilhões e uma perda total de R$ 10,085 bilhões, poucas horas depois ter o preço de suas ações aumentado em 16,9% - tem muita razão. Mas sempre é prudente lembrar, como diz um filósofo aqui da nossa redação, que jabuti não sobe em árvore. Quando se enxerga algum em cima de uma mangueira, é porque alguém lá o colocou.

Até porque, nesse caso, há dois jabutis chupando manga em cima da árvore: o outro consiste em que o presidente da Eletrobrás anunciou investimentos de R$ 20,3 bilhões em novos projetos de geração, transmissão e distribuição, mais R$ 32,1 bilhões já contratados - totalizando R$ 52,4 bilhões.

O investimento, evidentemente, é uma parte do lucro que é gasto para ampliar a capacidade da empresa. Naturalmente, a Eletrobrás pode ter acumulado, com os lucros dos anos anteriores, o suficiente para esses investimentos de R$ 52,4 bilhões. Se isso for verdade, o prejuízo anunciado tem pouco significado. Mas voltaremos a esse assunto.

Se esses investimentos de R$ 52,4 bilhões vão ser feitos, isso implicará, necessariamente, no aumento dos gastos com manutenção, pessoal, etc., ou seja, nos gastos de custeio. Como o presidente da Eletrobrás pretende investir R$ 52,4 bilhões e, ao mesmo tempo, reduzir o custeio em 30% e em quase 1/5 o número de trabalhadores? Costa não explicou mais essa mágica, digo, jabuti.

Ao lançar seu plano de redução das tarifas de energia elétrica, em setembro do ano passado, a presidente Dilma afirmou:

... a energia hidrelétrica é uma energia (…) que tem grande longevidade, que, portanto, o seu tempo de duração é muito maior do que o tempo de concessão e o tempo de amortização. É simplesmente esse fator que permite que nós estejamos aqui nos propondo a transferir para os consumidores a energia já paga durante o contrato de concessão. Esse é um ativo da sociedade brasileira. É um ativo que está nos trazendo hoje e ainda nos trará frutos muito bons. (…) porque tem concessões vencendo, concessões que já foram amortizadas, vencendo neste período. (…) Decorre do fato da matriz de energia elétrica deste país ter como base a hidroeletricidade. E, portanto, velhas senhoras, tem algumas com mais de 70 anos, elas continuam a gerar benefícios e nós teremos de transferi-los para a população. (…) essa renovação [das concessões] permitirá, pela primeira vez na história do setor elétrico, retorno para o consumidor dos investimentos que foram financiados por ele. Ele terá redução da tarifa de energia elétrica. E as concessionárias, ao serem indenizadas pelos investimentos ainda não amortizados, vão dispor de um capital livre, o que lhes permitirá condições muito melhores de investimento. Em suma, a renovação das concessões de geração, de transmissão e distribuição, nos termos que estamos fazendo, beneficia a todos sem exceção. (…) Dos 120 mil megawatts, que é o total de energia produzida no Brasil: 120 mil megawatts, nós estamos revertendo em benefício do consumidor 22 mil 341 megawatts, 18,3% do total de energia, porque é isso que está vencendo” (grifos nossos).

Parece claro. De onde, então, o presidente da Eletrobrás tirou um prejuízo de  quase 7 bilhões por conta dessa medida da presidente Dilma?

Não foi da operação das 19 empresas do grupo Eletrobrás, pois na mesma nota em que comunica o suposto prejuízo, é dito que “A Receita Operacional Líquida (ROL), porém, foi 16,6% maior, subindo de R$ 29,211 bilhões para R$ 34,064 bilhões”.

Também não foi das operações financeiras da Eletrobrás: “O resultado financeiro foi melhor em 2012 do que no ano anterior (…) – em 2011, o resultado financeiro foi positivo em R$ 234 milhões, atingindo, ano passado, R$ 633 milhões”.

Portanto, o estardalhaço em cima de um suposto prejuízo da Eletrobrás vem da gana tucana e externa de privatizar a empresa. Assim, uma desvalorização patrimonial de caráter contábil é anunciada como o juízo final, mas as ações da empresa disparam na Bolsa; o presidente da empresa anuncia cortes de 30% no custeio, fala em “sobra de pessoal” e corte de 18% dos funcionários, ao mesmo tempo que anuncia investimentos de R$ 52,4 bilhões. A única lógica que desse chienlit (mais elegante que o correspondente português: cachorrada) é a de tentar um assalto sobre a Eletrobrás, contra a presidente Dilma, e aproveitando-se de uma medida sua que não tinha esse objetivo.

VALDO ALBUQUERQUE

 


 


 


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