Produção industrial cai 2,5% em fevereiro frente a janeiro

Em relação a fevereiro de 2012, queda foi de 3,2%

Enquanto a equipe econômica prosseguir bloqueando o investimento público, notícias como a de terça-feira, quando o resultado da “Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física” do IBGE (PIM-PF) constatou que a produção da indústria em fevereiro, já descontadas as diferenças próprias a cada mês, caiu -2,5% em relação a janeiro e -3,2% em relação a fevereiro do ano passado, não serão propriamente uma surpresa, por mais desastrosas que sejam.

É óbvio que as “desonerações” não substituem o investimento público – senão, a economia estaria nos píncaros da atividade. Também é óbvio o que causaria, neste momento, um aumento de juros, tal como a mídia parasitária vem pregando, através dos cretinos de sempre, e aos berros.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse no Senado, duas horas após o anúncio do resultado da produção industrial, que a meta de 3,1% do PIB para o superávit primário (R$ 155,9 bilhões) é “contracionista”, no momento em que a economia precisa se expandir.

Sem dúvida, é verdade. Mas o que isto quer dizer, senão que é preciso desviar menos dinheiro público para juros (já que é a esse desvio que se chama “superávit primário”) - ou seja, que é preciso gastar menos com juros para aumentar os investimentos públicos?

No entanto, Tombini passou por cima dessa questão. Preferiu pular para o oposto: as desonerações, que equivalem a cortes de gastos públicos em perspectiva, ou seja, reduzem o poder do Estado de fazer investimentos, financiamentos e aplicar recursos em manutenção (custeio), precisamente os maiores estímulos ao crescimento e, especialmente, ao investimento privado.

Fora isso, Tombini fez uma demostração ridícula, de como, ao longo do ano passado, o Brasil “emparelhou” seu crescimento trimestral com os demais países do G-20: como se pode ver no décimo slide de sua apresentação, tal emparelhamento não se deu porque o Brasil aumentou o crescimento – que foi insignificante -, mas porque, entre o primeiro e o quarto trimestre de 2012, houve uma derrubada nas economias do Japão, México, Austrália, Alemanha, EUA e Canadá.

Tombini não comentou a China, que, nessa mesma base trimestral, aumentou seu crescimento de 1,5% para 2%, com uma projeção (da Bloomberg, mostrada em outro slide) de +8,1% para este ano, portanto superior ao ano passado (7,5%). Na China, que tem a maior taxa de investimento do mundo (48,7% do PIB), o investimento público é 40% do investimento total (um número provavelmente subestimado, retirado de um estudo que já tem alguns anos; apesar disso, devido à tese da autora – que já se demonstrou errada - a respeito de um suposto sobreinvestimento público chinês, devemos considerá-lo, até prova em contrário, insuspeito, pois não havia interesse em rebaixar o investimento público: cf. Mylene Gaulard, “Les limites de la croissance chinoise”, Revue Tiers Monde, 2009/4, n° 200).

Notemos que 40% de 48,7% do PIB = 19,5% do PIB chinês. Em termos relativos, proporcionais, o investimento público chinês é mais que todo o investimento brasileiro (privado+público), que está em 18,1% do PIB. Em termos absolutos, ou seja, em termos monetários, nem é bom falar...

No Brasil, o investimento público não voltou ao nível de 2010, depois que o sr. Mantega o reduziu em 2011, com a estúpida tese de que isto abriria espaço para o investimento privado. Segundo os números recentemente apresentados por Mantega, o investimento público total (federal + estadual + municipal) caiu -14,89% em 2011 em relação a 2010 e, em 2012, permaneceu -6,38% abaixo de dois anos antes.

Quanto aos financiamentos do BNDES, em termos reais (descontada a inflação), eles caíram -22% (ou seja, mais de 1/5) em 2011 em relação ao ano anterior, e, em 2012, permaneceram -17,9% abaixo de 2010. Os dados foram revelados pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho (cf. “Desempenho do BNDES em 2012”, 22/01/2013).

Segundo o próprio Mantega, somados todos os níveis, o investimento público estaria em 4,4% do PIB – e o investimento da União, em apenas 0,7% do PIB (mais 1,9% do PIB, das estatais federais).

Temos razões para desconfiar que essa conta, apesar de pequena, está superestimada. Porém, mais importante é notar que o investimento público, depois de dois anos de derrubada do crescimento, permanece manietado, segundo os próprios dados do ministro da Fazenda (cf. a apresentação de Mantega na primeira sessão do road show da privatização, “A economia brasileira e oportunidades de investimento”, 05/02/2013, depois repetida em Nova Iorque, na língua dos nativos: “The Brazilian Economy and Investment Opportunities”, 26/12/2013).

Como seria de esperar, com a débàcle da economia – especialmente da indústria – apareceram os gênios recomendando o apressamento daquilo que o presidente do BNDES definiu como  “privatizações através de concessões”, em quase qualquer setor – rodovias, aeroportos, ferrovias, portos, produção de eletricidade, petróleo, gás e o escambau. Houve até um famoso exegeta que pregou o “aumento do investimento público” através de passar dinheiro público aos monopólios estrangeiros, para que eles se apropriem (e supostamente expandam, com mais de 80% de dinheiro fornecido por nós, isto é, pelo Brasil) dos portos, ferrovias, usinas, poços e campos de petróleo e gás, etc.

A questão é que isso somente vai piorar a situação. Passar dinheiro público para empresas ou consórcios estrangeiros não aumenta, e nunca aumentou, a taxa de investimento ou o crescimento – porque isso não é investimento público, mas mera alavancagem de monopólios externos por doação ou semi-doação de dinheiro público, às custas da coletividade, da população, da sociedade e do Estado. Pelo contrário, essa é uma forma de desviar os recursos com que o governo conta para o investimento público, drenando-os para a caixa de alguns monopolistas – que, ato contínuo, o enviarão para o exterior ou para qualquer coisa, menos investir naquilo que o país precisa.

Certamente, financiar os investimentos das empresas nacionais é a função do BNDES. Por isso, em 1975-1979, ao liberar financiamentos abundantes para as indústrias nacionais de bens de capital (máquinas e equipamentos), durante o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), a taxa de investimento do país roçou os 25% do PIB.

Completamente diferente é passar dinheiro público para empresas ou consórcios estrangeiros, o que faz aumentar, não os investimentos ou o crescimento, mas as remessas para o exterior, as importações e a estagnação econômica própria do domínio de cartéis e mopnopólios. Em suma,  nos levam em direção, não somente a uma recessão, mas a uma crise nas contas externas. Quanto ao investimento, esse jamais aumentou desse jeito, pois investir não é a função das filiais de multinacionais, muito menos desse tipo de empresa estrangeira, especialmente parasitária e dada ao gangsterismo na apropriação de um monopólio natural em outro país, para esfolar os nacionais do lugar e o seu Estado - sobretudo o seu Tesouro.

Se fosse como dizem algumas beatas carpideiras do capital estrangeiro, Fernando Henrique teria aumentado barbaramente a taxa de investimento do Brasil, pois se algo ele fez – e com gosto de sócio - foi passar dinheiro do BNDES para açambarcadores levarem o nosso patrimônio, das teles às elétricas.

Com isso, a taxa de investimento caiu de 20,7% do PIB (1994) para 15,3%, no ano em que entregou a faixa presidencial ao presidente Lula (2003).

Com um esforço hercúleo, e com base no PAC, isto é, no investimento público, Lula conseguiu elevar essa taxa, desses 15,3% do PIB para 19,5% (2012).

Em dois anos, com sua política de bloquear os investimentos públicos, aumentar os juros, expandir os “superávits primários”, aumentar importações e vender empresas nacionais por atacado e a retalho, o investimento caiu para 18,1%, o crescimento caiu de 7,5% para 0,9% e  a produção industrial foi de +10,5% para -2,5%. Mais definições não são necessárias.

CARLOS LOPES

 


 


 


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