Eletrobrás anuncia corte de 30% da folha com a demissão de 5 mil 

Programa de Incentivo ao Desligamento (PID) tem como alvo 9 mil funcionários 

O presidente da Eletrobrás, José da Costa Carvalho Neto, anunciou nesta segunda-feira (8) que vai reduzir em 30% a folha de pagamentos da empresa em três anos com o Programa de Incentivo ao Desligamento (PID). Ele informou que o plano prevê a demissão de 4 a 5 mil funcionários da estatal. O custeio também será reduzido em 30% em três anos. Serão cortados 20% do orçamento em 2013 em “materiais, serviços e outras despesas”.

A justificativa de José da Costa, um ex-secretário do tucano Eduardo Azeredo, para essas medidas seria porque a Eletrobrás teve um prejuízo líquido de R$ 6,8 bilhões em 2012 devido, supostamente, a “efeitos da Lei 12.783/13” - na qual se transformou a MP 579, elaborada pela presidente Dilma para baixar as tarifas de energia. Só que esse prejuízo seria em 2012 - antes, portanto, da queda das tarifas.

Parece estranho que a redução das tarifas tenha sido responsável por este suposto prejuízo de 2012. Até porque, ao lançar seu plano de redução das tarifas de energia elétrica, em setembro do ano passado, a presidente Dilma explicou que as concessões tinham um tempo muito maior do que o necessário para a amortização dos investimentos realizados nas usinas. E que, como as hidrelétricas eram já “velhas senhoras”, elas já tinham sido pagas. Portanto, a redução dos custos decorrente disso podia ser repassada para a população sem prejuízo para as empresas. Parece claro, por isso, que a redução não poderia ter trazido o prejuízo anunciado pelo presidente da Eletrobrás. No entanto, se a presidente Dilma disse que a empresa não ia perder nada com a redução das tarifas, esse prejuízo apresentado ou se trata de um prejuízo fictício ou a presidente faltou com a verdade.

Caso contrário, de onde, então, o presidente da Eletrobrás teria tirado esse déficit de quase 7 bilhões? Não foi da operação das 19 empresas do grupo Eletrobrás, pois na mesma nota em que comunica o suposto prejuízo, é dito que “a Receita Operacional Líquida (ROL), porém, foi 16,6% maior, subindo de R$ 29,211 bilhões para R$ 34,064 bilhões”. Também não foi das operações financeiras da Eletrobrás: “O resultado financeiro foi melhor em 2012 do que no ano anterior (…) – em 2011, o resultado financeiro foi positivo em R$ 234 milhões, atingindo, ano passado, R$ 633 milhões”.

O estardalhaço em cima do suposto prejuízo da Eletrobrás só pode vir, portanto, do cacoete tucano de querer desgastar a imagem da empresa para poder privatizá-la. Um outro dado que reforça que o presidente da Eletrobrás não parece estar falando toda a verdade é que ele próprio anunciou investimentos de R$ 20,3 bilhões em novos projetos de geração, transmissão e distribuição, sendo R$ 32,1 bilhões já contratados - totalizando R$ 52,4 bilhões. Esse investimento, evidentemente, é uma parte do lucro que está sendo gasto para ampliar a capacidade da empresa.

Ou seja, mesmo que seja verdadeiro, o prejuízo anunciado tem caráter meramente contábil. Ou seja, ele é apenas uma redução patrimonial. Não justifica os corte e as demissões anunciadas. E o pior é que entre os demitidos estarão os funcionários mais experientes da empresa o que, além de prejudicar a qualidade dos serviços, colocará em risco os sistema elétrico e a segurança energética do país. O plano de cortes tem como público alvo cerca de 9 mil funcionários com longo tempo de casa e salários 50% acima da média. O presidente da empresa avalia que entre 4 e 5 mil funcionários deverão aderir ao plano.

Além das demissões, estão previstos outros cortes no funcionamento da estatal. “A redução de custos da companhia será maior ainda com a economia em outras rubricas como serviços, material, publicidade e promoções”, disse Costa. Ele explicou ainda que espera captar R$ 4,9 bilhões ainda neste semestre junto a bancos estatais como BNDES e Caixa usando garantias da União. Esses aportes, segundo Costa, estão previstos no plano de negócios, de modo a que a companhia mantenha sua participação no mercado que é de 35% na geração de energia e 56% na transmissão.

O presidente da Eletrobrás disse também que pretende sugerir ao governo a venda de parte das distribuidoras. “O compromisso é em 2015 estar dando lucro. Se tudo ficar como está, em 2014 as empresas estão quase equilibradas. Como não estão definidos os critérios da renovação, temos até junho para apresentar alternativas ao Ministério de Minas e Energia”, disse. A economia da Eletrobrás virá também, segundo Costa, com a venda de 51% do controle das seis distribuidoras federalizadas: as distribuidoras do Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Piauí e Alagoas.

Costa confessou que os cortes estão no limite para a empresa poder manter a qualidade dos serviços prestados. “Nós vamos aumentar o sistema elétrico substancialmente nos próximos anos. Quando se avalia o efeito unitário o efeito é bem maior. Então é um compromisso entre o que é possível sem prejudicar a qualidade do serviço. Nesse período, mesmo fazendo a redução, nós pretendemos melhorar ainda mais o nosso desempenho operacional”, ressaltou, sem explicar como pretende fazer isso.

As condições definidas no PID têm sido criticadas pelos sindicatos. São elas: meio salário por ano trabalhado, um ano de plano de saúde e valor correspondente à multa de 40% do FGTS. Segundo cálculos dos privatistas seria necessário diminuir em 50% os gastos com pessoal e com serviços ligados a pessoal. Em Furnas, uma das empresas do grupo que está finalizando um PDV iniciado em 2011, 1.400 pessoas (33%) aderiram à proposta de receber meio salário por ano trabalhado, limitado a 24 anos e teto em torno de R$ 200 mil, e um ano de plano de saúde, além de valor correspondente a 40% do FGTS. Os sindicatos que representam os funcionários da Eletrobrás já estão se mobilizando contra as demissões (veja matéria nesta página).

SÉRGIO CRUZ


Capa
Página 2
Página 3

Leilão da ANP premia as múltis e lesa a Petrobrás, afirma Siqueira  

ANP autoriza a multinacional Chevron a retomar a produção onde ela poluiu

“Não deve haver monopólios de mídia no Brasil”, disse Lula

Lula foi investigado e nada o envolveu com o suposto “mensalão”, diz Eduardo Campos

Jornalistas e escritores lançam autor de “A Privataria Tucana” para disputar vaga na ABL contra FHC  

É preciso "forçar a barra" pela democratização da informação, defende Tarso

Barbosa volta a desacatar os juízes e suas entidades

Página 4 Página 5 Página 6

Mísseis dos EUA assassinam 11 crianças no Afeganistão

Índia anuncia teste com sucesso de míssil com capacidade nuclear

Rússia condena atentado terrorista em Damasco

Maduro denuncia que delinquentes ligados a Capriles sabotaram o sistema elétrico no país

Petróleo que Exxon deixou vazar atinge um alagado preservado na região de Mayflower

O mundo ao revés: nos EUA, os jornais podem mentir legalmente (II)

Página 7 Página 8

Requião: “a MP dos Portos é burra, entreguista e inédita no mundo” (1)