Na véspera do Copom, IBC-Br atiça campanha pelo aumento dos juros 

Tombini declara que “continua trabalhando nesse sentido”

As intenções por trás da última divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apareceram até mesmo algumas horas antes de se saber o resultado: “Esse cenário reforça a estratégia do BC de elevar a taxa básica (Selic), mesmo em um mundo onde os juros reais são negativos e crescer tornou-se um privilégio de poucas nações. Caso a previsão do mercado [para o IBC-Br] se concretize (…) Esse desempenho, que pode ser comemorado devido à robustez, é visto, porém, como um risco para o custo de vida. O próprio diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, em discurso recente, chamou a atenção para o PIB potencial do Brasil, que, nas palavras dele, gira atualmente ao redor de 3% ao ano” (Correio Braziliense, 16/05/2013).

Nos dois últimos anos, o PIB cresceu menos, na média anual, que no governo Fernando Henrique (1,8% contra 2,3%) - e nem vamos falar de Lula, que fez o país crescer a uma média anual de 4%. Não há diluição desses dois anos em 10 anos que apague, repetimos, um resultado ainda pior que o de Fernando Henrique. No entanto, temos aqui a volta do “PIB potencial”, aquele que Lula, muito justamente, classificou de “imbecilidade de certos economistas”: segundo esses imbecis, quer dizer, segundo esses “economistas”, o PIB potencial é aquele acima do qual o país não pode crescer – e, para que não cresça, é preciso aumentar os juros e mantê-los bem altos. Nem entraremos nos pretextos “inflacionários” dessa indigência mental. O que importa mesmo é aumentar os juros - e mantê-los altos.

Os atuais paladinos do PIB potencial, inclusive, reduziram-no em relação aos tucanos, que, no governo Fernando Henrique, diziam que o limite era 3,5%. O de agora é apenas 3%.

Certamente, esses elementos não se preocupam com eleições, porque nunca enfrentaram uma, nem pretendem enfrentar. No artigo que citamos acima, seguia-se uma peroração sobre a necessidade de aumentar os juros, diante do resultado do IBC-Br, que nem havia saído ainda – e pérolas como: “o país tem um patamar de consumo muito superior à capacidade de oferta de bens e serviços”.

Já deveríamos, portanto, ter desaparecido, pois nem as importações explicam tal fenômeno (onde arrumamos, então, o dinheiro para essas importações?). Pelo contrário, o consumo está caindo brutalmente: segundo o IBGE, a variação do volume de vendas no varejo foi negativa em março/fevereiro, com uma média móvel trimestral – que é um indicador de tendência – igual a zero. No entanto, disse o presidente do BC, Alexandre Tombini, no dia seguinte à divulgação do IBC-Br: “O BC já subiu os juros em abril e vai continuar trabalhando nesse sentido” (cf. discurso de Tombini no Seminário Anual de Metas para a Inflação – grifo nosso).

Já o ministro Mantega, famoso internacionalmente por suas sensacionais e sempre infalíveis previsões, disse que o IBC-Br do primeiro trimestre (1,05%) “é um excelente sinal, pois significa que a economia está avançando próxima de 4%”.

Antigamente (quer dizer, há uns três ou quatro anos) ninguém no Brasil fazia esse tipo de conta, que é uma  multiplicação de bergamotas por macaxeiras. Quem é capaz de garantir que nos próximos três trimestres o crescimento será o mesmo do primeiro? Logo, tais contas só servem para ilusão e auto-ilusão.

No caso atual, pior. O objetivo declarado do IBC-Br é “contribuir” para a política de juros (literalmente, diz o BC: “... foi considerada pertinente a criação de um indicador nacional - Índice de Atividade Econômica do Banco Central-Brasil (IBC-Br) - que (…) contribuísse para a elaboração da estratégia de política monetária” - v. BCB, “Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br)”, in Relatório de Inflação, março 2010, pág. 24, grifo nosso).

Somente nesse sentido, o IBC-Br é uma “prévia do PIB”: seu objetivo é fazer com que a diretoria do BC fique confortável para manejar juros a cada mês, já que o PIB só é divulgado pelo IBGE nas Contas Nacionais Trimestrais. Com certeza, o arraigado hábito da diretoria do BC não está em diminuir os juros – e somente um fariseu pode dizer que há índices neutros, que não são afetados pelo objetivo para o qual foram elaborados nem por quem os elaborou.

Alguns leitores devem estar lembrados do vexame no último trimestre de 2012, quando o IBC-Br aumentou, no ano, 1,64% (ou 1,35% com “ajuste sazonal” - isto é, depois de descontados os fatores acidentais), deixando eufóricos Mantega e mais alguns bobos do governo, que esperavam semelhante aumento do PIB – o que só demonstrava a consciência da própria incompetência, pois é evidente que, se tal fosse a variação do PIB, nada haveria para comemorar.

No entanto, era pior: o aumento do PIB foi 0,9%, o que fez Mantega declarar que era necessária uma investigação para saber porque o PIB resultou tão diferente do IBC-Br. A ideia primária de que o IBC-Br estava errado não lhe passou, aparentemente, pela cabeça.

Agora, às vésperas da reunião do Copom, o IBC-Br serviu para despejar gasolina na campanha pelo aumento dos juros. Se o país está tão bem, que problema ocasionará mais 0,5 ponto percentual de juros?

A situação do país, não há marketeiro que possa embelezar – desde um desastre no Nordeste, em grande parte devido à demora em enfrentar a maior seca dos últimos anos, até, em março, a queda da produção industrial, em relação ao mesmo mês do ano anterior, no PA (-14%), ES (-13,1%), CE (-6,8%), SC (-6,2%), RS (-5,3%), PR (-4,4%), MG (-4%), PE (-3,7%), GO (-3,2%) e SP (-2,6%).

É nessa situação que querem aumentar, pela segunda vez seguida, os juros. Um economista de banco declarou que “o IBC-Br reforça nosso cenário de um PIB de 1% no primeiro trimestre de 2013, com destaque para uma aceleração forte de investimentos”. Mas, diz ele, sua previsão para o PIB deste ano é apenas 2,8% - e nem vamos reproduzir a sua explicação para essa contradição, pois não vamos ocupar espaço com bobagem.

Todos os economistas de banco sabem para onde estamos indo. Por isso, as previsões do Boletim Focus, a “pesquisa de mercado” do BC, para o PIB, estão caindo desde janeiro: de 3,50% para 3,40%; 3,30%; 3,26%; 3,20%; 3,19%; 3,10%; 3,09%; 3,08%; 3,03%; 3,01%; 3,0%; e, na segunda-feira, para 2,98%.

A tagarelice em torno do IBC-Br de 1,05% é palhaçada. Veja-se o presidente do BC, afirmando que o IBC-Br, anualizado, mostra um avanço de 4,25%, logo, “é isso. Está compatível com a nossa projeção de crescimento do ano, de 3%”. Compatível? 3% ao ano é o novo “PIB potencial” do BC; 4,25% é uma conta esdrúxula, mas é um ponto percentual acima – e o leitor pode perceber que um ponto percentual a mais num PIB que, em 2012, foi de R$ 4,4 trilhões, não é pouca coisa.

Portanto, vale tudo, inclusive dizer qualquer besteira, para aumentar os juros.

Enquanto isso, o governo - que, ao contrário desses luminares, foi eleito pelo povo - está assistindo a esse circo para eliminar a grande conquista da presidente Dilma: precisamente, a redução dos juros. Os investimentos públicos continuam escassos até para uma situação de emergência, como a seca nordestina. Entrega-se o sistema portuário ao cartel externo dos armadores – e projeta-se a entrega de rodovias, ferrovias, e, Deus tenha piedade, do petróleo, a outros cartéis.

Não é por acaso que qualquer boato vagabundo causa uma confusão, como a acontecida em torno do Bolsa-família, em nada menos que 12 Estados. Ou que a Virada Cultural, papagaiada que o Haddad adotou dos tucanos, tenha quase virado um massacre. De tanto o governo fornecer segurança a multinacionais, cartéis, bancos e outros parasitas ou picaretas, é o povo que se sente inseguro.

CARLOS LOPES


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