Não aos leilões de petróleo!, decide o Congresso da UNE

Participantes lembraram palavras da presidente Dilma do durante campanha eleitoral: “é um crime privatizar o pré-sal”

"Honrando a história daqueles que lutaram pela democracia e soberania do nosso país convocamos a reedição da campanha "O Petróleo é Nosso! Contra os leilões!", foi a resolução aprovada pelos mais de 10 mil estudantes presentes no 53º Congresso da União Nacional do Estudantes, realizado entre os dias 29 e 2 de junho em Goiânia (GO).

A então secretária-geral da UNE, Michelle Bressan, ressaltou o papel da entidade nesta luta. "A UNE tem ao longo da sua história cumprido um papel importante nas lutas do nosso país. Em 1947 quando não se sabia se tinha petróleo ou não no Brasil, a UNE (presidida pelo estudante de direito da USP, Carlos Alberto Batista Jr) já tomava as ruas pela defesa do Petróleo é Nosso! E hoje, mais do que ninguém, nós temos a responsabilidade de barrar esse crime cometido contra a nossa soberania que são os leilões do petróleo marcados para outubro deste ano, em que se pretende leiloar este patrimônio do povo brasileiro. Um verdadeiro absurdo", afirmou Michelle.

Foi consenso entre os estudantes a necessidade de se barrar os leilões do petróleo. Durante todo o congresso entoaram palavras de ordem sobre o tema, como: "Leilão! Leilão! É privatização. O pré-sal é nosso e não abrimos mão!" e "Dilma, não faz leilão se não, não vai ter reeleição".

Durante o terceiro dia do congresso, empunhando faixas levando os dizeres "O petróleo é nosso" e "Não aos leilões" os estudantes presentes no congresso realizaram uma grande manifestação pelas ruas de Goiânia na sexta-feira (1).

A estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Iara Cassano, eleita secretária-geral da entidade para a próxima gestão [ver matéria na página 4] afirmou que "a UNE tem o dever de apoiar os avanços e as mudanças, mas também tem a responsabilidade de condenar os atrasos e os erros. Por isso, barrar os leilões do petróleo tem que ser a atividade central da UNE no próximo período".

No 53º Congresso da UNE ser contra a privatização do petróleo brasileiro foi unânime. Estudantes participantes de diferentes teses, condenaram os leilões.

Para os estudantes do movimento Mutirão, por exemplo, a retomada dos leilões do petróleo "significou uma ruptura com a medida de paralisar os leilões, tomada por Lula em 2008, após a descoberta do pré-sal", e significou também "uma mudança em relação ao que foi declarado pela presidente Dilma, durante a campanha eleitoral". O Movimento Mutirão é liderado pela Juventude Pátria Livre – JPL.

"Defender a privatização do pré-sal significa tirar dinheiro do país para investir em educação de qualidade, em ciência e tecnologia, meio ambiente, investir em cultura, em saúde e fazer uma política em que o Brasil tenha um passaporte para o futuro. Desde já, eu afirmo a minha posição: é um crime privatizar a Petrobrás ou o pré-sal. Isso seria um crime contra o Brasil. Nós acreditamos que o fortalecimento das nossas empresas é bom para todo o povo brasileiro", afirmava a presidente durante a campanha eleitoral de 2010.

Em sua tese, o Mutirão ainda ressaltou que "quem argumenta que precisamos extrair todo o petróleo – ou a maior parte dele a curto prazo – é porque quer que ele seja explorado de acordo com necessidades e interesses que não são os nossos - numa palavra, que são contra os nossos", além de que "à exceção da traição nacional, a única justificativa seria um pensamento profundamente colonizado, intimidado, tacanho e vira-lata, sintonizado com a campanha reacionária de que o Brasil não tem capacidade de ter indústrias fortes, de dominar tecnologia de ponta e de ter empresas capazes de controlar setores estratégicos da nossa economia, como o das telecomunicações, portos, petróleo e etc.".

Os estudantes que compõem o Campo Popular (composto pelo Levante Popular da Juventude e as tendências do PT: EPS, Articulação de Esquerda e Mudança) afirmaram em sua tese que "os recuos frente a transformações estruturais da sociedade abrem margem para a retomada da organização e influência de setores conservadores mais tradicionais, e outros na base aliada do governo. Podemos ver essa tendência na retomada de agendas de privatização, que vão na contramão do que conquistamos nos últimos anos"

Para o Campo Popular é fundamental "combater a prática de leilões de petróleo e gás, desenvolvendo ciência e tecnologia nacional própria para a exploração dessa importante riqueza".

A defesa do petróleo é uma das principais bandeiras da entidade para o próximo período. Segundo a resolução aprovada, as pautas estudantis serão levadas adiante a partir da sua Jornada Nacional de Lutas, que será iniciada no próximo mês de agosto.

MAÍRA CAMPOS


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