Milhares tomam as ruas de São Paulo pela redução da passagem

130 mil manifestantes ocuparam as avenidas Faria Lima, Paulista, Juscelino Kubitschek e a Marginal Pinheiros. Violência de Alckmin contra o protesto anterior intensificou a manifestação

Na tarde da última segunda-feira (17) porvolta das 17 horas o
Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista, já estava tomado por manifestantes que exigem a revogação do reajuste das tarifas de ônibus, do Metrô e da CPTM, aumentada para R$3,20. A concentração estava marcada para as 17h.Por volta das 18h, quando já não era mais possível enxergar o início e o fim da multidão, os mais de 130 mil manifestantes saíram em passeata tomando todas as faixas da Avenida Faria Lima.

Eles seguiram pela Faria Lima puxando palavras de ordem como: “mão para o alto, R$ 3,20 é um assalto”; “governador preste atenção: a juventude não aceita repressão”; “se a tarifa não baixar, a cidade vai parar”; “governador, pode escolher, ou cai a tarifa ou cai você”. Além do patriotismo a flor da pele dos manifestantes que entoavam o Hino Nacional e “eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor” seguidos de incansáveis aplausos.

A manifestação seguiu pacífica, sem a ação truculenta e fascista da PM tucana comandada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), como foram as últimas manifestações. Não houve ações de depredação do patrimônio público qualquer que fosse. A resposta dos manifestantes foi: “que coincidência! Não tem polícia, não tem violência”.

Quando a passeata cruzou a Avenida Rebouças uma parte já começou a subir em direção a Avenida Paulista, mas a maioria seguiu pela Faria Lima. Chegando no cruzamento com a avenida Juscelino Kubitschek ela se dividiu novamente, uma outra parte foi sentido Paulista e o restante seguiu para a Avenida Nações Unidas, a Marginal Pinheiros, com o objetivo de pará-la e seguir para a região sul da cidade.

Na Marginal Pinheiros os manifestantes ocuparam todas as sete faixas e mais uma vez pararam o trânsito. Outra multidão vinda do sentido oeste se juntou a manifestação na altura da Ponte Estaiada, em frente à Rede Globo. Já os que seguiram para o centro pararam todas as faixas da Avenida Brigadeiro Luis Antônio e tomaram a avenida Paulista. Algumas das principais vias de trânsito da cidade foram paradas simultaneamente pelos manifestantes.

A manifestação seria encerrada na Ponte Estaiada. Porém, alguns milhares de manifestantes ainda seguiram pela Avenida Morumbi, rumo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.

Na última semana, Alckmin, após as ações truculentas da PM com os manifestantes, afirmou que “a Polícia Militar agiu com profissionalismo” e que iria manter a atuação da PM. A declaração foi feita na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Paris. Alckmin ainda disse que “A polícia estava trabalhando. Se houve excesso, foi pontual, e será apurado”.

A indignação da população que aderiu em massa a manifestação desta segunda-feira se deu claramente pela ação desmedida da PM dirigida pelo tucano. Nas últimas manifestações, esta já foi a quinta contra o aumento da passagem, a Polícia Militar espancou dezenas de manifestantes, inclusive mulheres. Jornalistas foram atingidos por balas de borracha. Bombas de efeito moral e balas de borracha foram amplamente atiradas nos manifestantes para obrigar a dispersão. Mais de 200 pessoas foram detidas.

Alguns deles foram presos apenas por portarem vinagre, que alivia o efeito do gás lacrimogêneo, como se esse fosse algum tipo de ato “subversivo”. Outros foram detidos por vestirem camisetas de movimentos sociais, estudantis e políticos.

Na manifestação de quinta-feira, a PM mobilizou grande aparato, com tanques blindados, helicópteros e até a cavalaria, além da Tropa de Choque, policiais da Rota e da Força Tática atuaram na repressão, totalizando efetivo de 900 homens.

NEGOCIAÇÃO

Na manhã de segunda-feira durante reunião com membros do “Movimento Passe Livre” o secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella, se comprometeu “a não usar balas de borracha contra os manifestantes”.

Alckmin disse que estar “aberto ao diálogo” sobre um possível recuo no reajuste das tarifas do transporte coletivo (Metrô e CPTM). “Estamos sempre abertos ao diálogo”, afirmou para a Agência Estado. Porém, não recebeu os manifestantes que foram até o Palácio dos Bandeirantes para dialogar.

MAÍRA CAMPOS

 
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