Tarifas de ônibus, metrôs e trens caem após manifestações no país

Preços da passagem em São Paulo de ônibus, metrô e trem voltam para R$ 3,00 após subir para R$ 3,20

Após duas semanas de protestos, que se espalharam pelas principais cidades brasileiras, as tarifas do transporte público foram reduzidas em diversas localidades. Na capital paulista, as passagens de ônibus, metrô e trens, que subiram para R$ 3,20 no dia 2 de junho, voltarão a custar R$ 3,00 a partir de segunda-feira (24). A integração dos ônibus com o metrô e trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) voltará a custar R$ 4,65 – hoje o valor é R$ 5,00.

Em São Paulo, a decisão foi comunicada à população na quarta-feira (19), após reunião entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT), no Palácio dos Bandeirantes. "Quero dizer que no caso do metrô e trem, nós vamos revogar o reajuste dado, voltando a tarifa original de R$ 3,00", disse Alckmin ao anunciar a medida. Haddad disse que o gesto foi feito "em proveito do diálogo com a cidade". "É um gesto de abertura e aproximação", disse.

Pouco depois do anúncio, por volta das 19 horas, manifestantes começaram a se reunir espontaneamente na avenida Paulista, no centro da cidade, e fecharam as pistas no sentido Paraíso, em comemoração à revogação dos aumentos.

No Rio de Janeiro, a passagem de ônibus que havia aumentado de R$ 2,75 para R$ 2,95, no dia 1º de junho, foi suspenso. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) anunciou ainda que os aumentos no metrô (de R$ 3,20 para R$ 3,50), trens (de R$ 2,90 para R$ 3,10) e barcas (R$ 4,50 para R$ 4,80) também serão revogados.

"Essa suspensão se dá em conjunto com o prefeito de São Paulo", disse Paes no final da tarde. Ele informou que a medida foi fruto de uma negociação conjunta das prefeituras do Rio de Janeiro e de São Paulo e dos governos dos dois estados. A revogação nos valores valerá já a partir desta sexta-feira (21), quando a decisão deve ser publicada nos diários oficiais do município e do Estado.

A redução do valor das tarifas foi adotada depois que os protestos contra o aumento das passagens, iniciados na capital paulista no dia 6 de junho, começando com 2 mil pessoas, se espalharam pelo país na última segunda-feira (17) e surpreenderam pelo tamanho.

O segundo protesto em São Paulo, dia 7, aumentou de tamanho e reuniu em torno de 5 mil pessoas. Em 11 de junho, cerca de 5 mil manifestantes se concentraram na avenida Paulista. (Ver matéria com outros estados e cidades na página 4).

Em 17 de junho, a onda de protestos atingiu seu ápice e levou mais de 250 mil pessoas às ruas, de forma pacífica, depois de negociações para que as ações truculentas da PM contra os manifestantes não se repetissem. O ato reuniu 100 mil pessoas no Rio e 130 mil manifestantes ocuparam as avenidas Faria Lima, Paulista, Juscelino Kubitschek e a Marginal Pinheiros em São Paulo. As manifestações continuaram no dia seguinte.

Após nova à onda de protestos que sacudiu o Brasil, na última quarta-feira (19), as autoridades recuaram e optaram por revogar o aumento das tarifas. Ocorrem manifestações em São Paulo, Belo Horizonte, Niterói, Rio Branco, Brasília e até em Buenos Aires, onde os manifestantes se reuniram na frente do emblemático Obelisco para caminhar até a embaixada brasileira, onde entregaram uma carta.

"Encontramos uma maneira de ajudar, como em outros países, daqui, mostrando que o que dizem os veículos de comunicação no Brasil são visões e relatos parciais que não mostram a realidade", disse um manifestante em Buenos Aires.

A revogação do aumento das passagens de metrô, ônibus e trem foi uma medida sensata. Mesmo assim os preços ainda continuam altos. Segundo admite a própria Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), que reúne a maioria das empresas do setor, desde 2005 os aumentos nas passagens ultrapassaram a inflação em, pelo menos, 14 pontos percentuais (+64% contra +50% do IPCA).

O caso da capital paulista é pior. É a tarifa mais cara das capitais do Brasil. De 2004 a 2012, o valor arrecadado com o pagamento da tarifa passou de R$ 3,3 bilhões – valor já corrigido pela inflação do período – para R$ 4,5 bilhões. Isso significa um aumento real de 30%. Nos últimos 18 anos, preço da tarifa superou em 60% a inflação. Além do mais, enquanto o número de passageiros aumentou 80% em 2012 ante 2004 a frota diminuiu de 14,1 mil para 13,9 mil coletivos no período.


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Tarifas de ônibus, metrôs e trens caem após manifestações no país

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