Centrais convocam povo às ruas por mais investimento público 

Manifestações serão realizadas por todo o país nesta quinta-feira, dia 11 

O Dia Nacional de Lutas com Greves e Paralisações, nesta quinta-feira, 11 de julho, organizado pelas Centrais Sindicais CUT, CGTB, Força Sindical, CTB, NCST, UGT e CSP-Conlutas, em conjunto com diversas entidades do movimento social, como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e o MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra), já conta com dezenas de entidades com presença confirmada para os atos, paralisações e manifestações em todo o país.

Dentre as principais reivindicações estão o investimento público para o transporte, saúde e educação, como os 10% do PIB para a Saúde e 10% do para a Educação, além do fim dos leilões do petróleo. No entanto, para investir na população, o governo tem de, primeiro, parar de investir nos bancos, com as constantes reservas feitas para o Superávit Primário, desvio de dinheiro público para pagamento de juros da dívida pública (ver matéria na página 3).

A CGTB publicou na semana passada uma nota em que propõe uma solução aos problemas de investimento público através da alocação de R$ 60 bilhões: “R$ 20 bilhões do superávit primário – o que é permitido pela Lei Orçamentária Anual já aprovada pelo Congresso Nacional -, R$ 20 bilhões revertidos das desonerações e R$ 20 bilhões dos financiamentos do BNDES, a juros do PSI (Programa de Sustentação de Investimentos)”.

Para Ubiraci Dantas, presidente da CGTB, é fundamental a unidade dos movimentos sociais, “para deixarmos bem claro que a prioridade do país deve ser o investimento na melhoria do serviço público, e não o superávit primário”. “Esse dinheiro, que está sendo reservado aos bancos, pertence aos brasileiros e deve ser investido no nosso desenvolvimento”, afirma.

Já aderiram às mobilizações os petroleiros de todo o país, organizados pela FUP (Federação Única dos Petroleiros), a Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), os portuários de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Suape (PE), o Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil), os Correios, os Metroviários de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e do Distrito Federal, os bancários de todo o país, o Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais – que envolve a base de vários setores –, a CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos), a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN).

Segundo o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves (Juruna), “alguns sindicatos vão paralisar fábricas, outros irão às ruas. Cada Central, Sindicato, ou movimento social vai atuar de acordo com suas forças. O que interessa é que todos estão engajados na mesma causa”. Moacyr Tesch, secretário-geral da Nova Central Sindical de Trabalhadores, informa: “Cada regional estadual está cuidando dos encaminhamentos. A orientação é fazer tudo em sintonia com as demais Centrais”.

Em São Paulo a mobilização começa desde a manhã em diversas cidades do interior e litoral, e na capital a concentrarão de diversas categorias se inicia na porta das fábricas. Os trabalhadores seguem para encontrar, ao meio dia, o restante do movimento social na Avenida Paulista, no centro da capital. Em Brasília, os servidores estarão concentrados a partir de 15h, em frente à Biblioteca Nacional de Brasília, Leonel de Moura Brizola, junto ao Eixo Monumental, de onde partirão em caminhada até o Ministério do Planejamento.

O presidente da UGT, Ricardo Patah, destaca que os comerciários de São Paulo, motoboys e pessoal do asseio e conservação já estão mobilizados, e acrescenta que “queremos ser ouvidos por governo e Congresso. A Pauta Trabalhista é consistente. É boa para os trabalhadores e ajuda nos avanços sociais defendidos pela própria presidente Dilma”.

No Rio de Janeiro a concentração está marcada para às 15h, na Candelária, e segue em direção à Cinelândia. Em Porto Alegre, pela manhã, as categorias planejam realizar assembleias e debates, em que convocam os trabalhadores para o ato, à tarde. A marcha está marcada para as 14h, com concentração no monumento do Laçador, ao lado do Aeroporto Salgado Filho, e na Rótula do Papa, ambas seguindo até o Largo Glênio Peres, no centro da cidade. “É importante que os deputados percebam as nossas lutas e parem de legislar em dissintonia com a realidade, passem a ouvir os trabalhadores”, defende o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

Além do investimento público e o fim dos leilões, a pauta unificada pede Redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução do salário; fim do fator previdenciário e aumento das aposentadorias; contra o PL 4330, que permite a terceirização de atividades fim; e a reforma agrária.


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Ou nos libertamos do superávit primário ou ele destrói o Brasil

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Cadê o processo contra a Globo? (Fernando Brito)

Barbosa, cofres públicos, seu filho, Huck e Valério

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Servidores gregos rejeitam as demissões a mando da Troika

Portugal: trabalhadores marcham pelo fim de governo de arrocho

Nasserista Sabahi exige que governo de transição assuma de imediato 

Turquia: multidão volta à Praça Taksim depois de decisão judicial contra sua desfiguração

Danny Glover condena racismo e falta de democracia nos EUA

 

 

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Dívida dos Estados: imposição do ‘superávit primário’ e devastação

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