Centrais rechaçam escalada de juros

A decisão em elevar pela terceira vez consecutiva a taxa básica de juros (Selic), anunciada pelo Banco Central (BC) na quarta-feira (10), foi recebida com críticas por centrais e sindicatos. A taxa foi elevada em meio ponto percentual, a 8,5% ao ano.

CGTB

“Com esse aumento de 0,5 ponto percentual da Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central afronta a Nação para favorecer os banqueiros. É por isso que falta dinheiro para investimentos, saúde, educação e transporte. Para promover a gastança com juros, o governo desvia recursos do Orçamento através do famigerado superávit primário”, afirmou o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira). O dirigente da CGTB observou que este foi o terceiro aumento seguido dos juros, alçando o Brasil para o segundo lugar nos juros reais (2,5%). “Além de não combater a inflação, juros altos travam os investimentos e a produção, afetando o nível de emprego, como se já não bastasse a economia estar a passos de tartaruga”, frisou.

Segundo Bira, “em vez de avançar nas mudanças iniciadas por Lula, o Brasil está retrocedendo. O povo brasileiro não votou pela eternização do superávit primário, privatizações ou sucateamento dos serviços públicos. O resultado é que a economia despencou de 7,5% em 2010 para 0,9% em 2012 e continua seguindo ladeira abaixo”, declarou. Segundo ele, as Centrais Sindicais e os movimentos sociais estão mobilizados e vão continuar nas ruas contra a política de favorecimento aos bancos, leilão de petróleo, desnacionalização, desindustrialização, pela redução da jornada e fim do fator previdenciário. “Basta de superávit primário. Mais verbas para educação, saúde e transporte. Pela mudança da política econômica”, ressaltou o presidente da CGTB.

CUT

Já para Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT), sem nenhum tipo de ameaça de descontrole da inflação e a economia brasileira precisando crescer, a decisão é “descabida”. “A elevação da Selic pela terceira vez consecutiva neste ano é totalmente descabida, uma vez que não há qualquer ameaça de descontrole inflacionário no horizonte. Essa medida é prejudicial para a economia, pois vai frear a expansão do crédito, o fortalecimento da produção e do consumo e a geração de empregos, no momento em que a economia brasileira precisa de estímulos para aumentar o PIB”, declarou.

FORÇA

Em nota distribuída à imprensa após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a Força Sindical classificou a decisão como “nefasta” para a economia. “Esta medida mostra claramente a opção da equipe econômica do atual governo, amparada por insensíveis tecnocratas, de continuar privilegiando os especuladores, deixando em segundo plano a produção e a geração de novos empregos”, afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho). Para o sindicalista, o aumento do juro básico da economia contraria os “pilares” da política de governo voltada para a geração de empregos e distribuição de renda.

Para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o caminho da elevação de juros reclamado pelo mercado financeiro é o que vem sendo aplicado nos países europeus. “Os países mergulham e aprofundam sua crise, com mais recessão, com mais desemprego. Então, a saída não é por aí. Precisamos alavancar o crescimento da economia brasileira através do consumo das famílias e do investimento público e privado”, avalia o coordenador do Dieese, Nelson Karan.

 


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