Manifestações e greves por todo o país marcam Dia Nacional de Luta 

Mobilização atingiu todos os estados 

O Brasil amanheceu com manifestações e greves nas principais capitais brasileiras e em diversas cidades do interior, na quinta-feira, 11 de julho. O Dia Nacional de Lutas com Greves e Paralisações, organizado pelas centrais sindicais, reuniu trabalhadores das fábricas, do comércio, da construção civil e pesada, dos portos, e de diversas outras categorias em atos, passeatas, além de bloqueios de rodovias.

Em São Paulo, 15 mil trabalhadores fecharam a Av. Paulista. Parecia um dia de domingo na capital, sem nenhum engarrafamento, nem mesmo na hora do hush. O ato reuniu os presidentes das centrais sindicais e lideranças da UNE, MST e partidos políticos. As agências bancárias da avenida também aderiram à greve. Antes do encontro, trabalhadores realizam manifestações em outros pontos da cidade, como nas marginais Tietê e Pinheiros, Radial Leste, Av. Salim Farah Maluf, Ponte do Socorro e Ponte Estaiada.

Durante a manifestação, os dirigentes sindicais rechaçaram a política econômica do governo de manter o superávit primário, ao mesmo tempo em que a população vive em condições cada vez piores com transporte, saúde, educação precários.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, ressaltou que há dois pontos dos quais a central diverge completamente do governo federal: a taxa de juros e o superávit primário. Freitas afirma que “foi uma excrescência” a elevação da taxa de juros pelo banco central na quarta-feira, dia 10. 

Para o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), as riquezas produzidas pelos brasileiros precisam ser investidas no nosso desenvolvimento. “Não é possível o governo federal transferir através do superávit primário, juros e amortizações, desde 2011, mais de um trilhão de reais”. E denunciou “por que fazer leilão? Aqui no Brasil nós já temos a Petrobrás, portanto, fazer leilão é entregar o petróleo brasileiro para as multinacionais, assim como estão entregando os portos”.

Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical, também criticou a política do governo: “A equipe econômica perdeu as condições de dirigir o Brasil. É necessário a demissão da equipe econômica. O ministro Mantega fala e ninguém mais presta atenção. Ele não tem mais condições de ser ministro”, afirmou. 

PAUTAS 

Os trabalhadores reivindicam o fim do fator previdenciário, redução da jornada de trabalho para 40 horas, política de valorização dos aposentados, 10% do PIB para Educação e 10% do PIB para a Saúde, transporte de qualidade, fim do projeto das terceirizações (PL 4330), fim dos leilões do petróleo e reforma agrária.

Wagner Gomes, presidente da CTB, ressaltou que a pauta da classe trabalhadora já foi entregue à presidente Dilma em 2010, e que, para cumpri-la, o governo precisa mudar a política macroeconômica e aprofundar as mudanças conquistadas no governo Lula. Luizinho, presidente da NCST-SP, que esteve representando a NCST nacional, bem como o presidente da UGT, Ricardo Patah, também se manifestaram. A presidente da UNE, Virgínia Barros, participou do ato e convocou os estudantes a se somarem à luta dos trabalhadores.

Representantes dos partidos políticos também participaram do ato. Saudaram os manifestantes Edinho Silva, presidente do PT-SP, Lídia Correa, presidente do PPL-SP, Joilson Cardoso, secretário de Relações Sindicais do PSB, deputado Ivan Valente, pelo PSol-SP, deputado Alcides Amazonas, pelo PCdoB e Ana Luiza, representante do PSTU. 

MOBILIZAÇÃO NACIONAL 

As greves e manifestações tomaram conta de todo o país, mobilizando todos os estados. Em Brasília, mais de sete mil pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios. Em Porto Alegre, o Dia Nacional de Lutas teve a adesão de todos os trabalhadores do transporte público. As linhas de ônibus não funcionaram e o Trensurb, que liga Porto Alegre com outras cidades de região metropolitana, como Canoas, Esteio e São Leopoldo, também não funcionou. Por volta das 16h os manifestantes convocados pelas centrais, partidos políticos e movimentos sociais já se concentravam no Largo Glênio Peres. Cerca de 5 mil pessoas engrossaram o movimento. Outras 1,5 mil manifestantes rumaram para a Câmara dos vereadores de Porto Alegre.

Em Belo Horizonte 10 mil foram às ruas. O metrô e os trens também aderiram à paralisação. Os manifestantes se concentraram pela manhã na Praça Sete, na Região Central de Belo Horizonte, e a passeata foi encerrada, por volta das 18h, em frente à Rede Globo Minas.

Os ônibus e os trens também pararam em Vitória, no Espírito Santo. Os hospitais só atenderam casos de urgência e emergência. Mais de 7 mil foram as ruas.

No Paraná, metalúrgicos paralisaram as principais fábricas do estado desde a manhã - como Renault, Volvo e Volkswagen, assim como o Porto de Paranaguá (ver matéria ao lado). Os trabalhadores bloquearam estradas na região de Curitiba, onde a passagem nos pedágios foi liberada em pelo menos 14 praças do estado. 

Veja abaixo algumas cidades que participaram das manifestações 

PE: Recife, Santa Maria da Boa Vista, Águas Belas, Ipojuca – PA: Belém, Curionópolis, Paraupebas, Salinópolis, Barcarena – SC: Florianópolis, Correa Pinto, Itajaí, Laguna, Criciúma, Chapecó, São Francisco do SulPR: São José dos Pinhais, Paranaguá, São Luiz do Purunã, Cascavel, Arapongas, Floresta, Campo Mourão, Mandaguari, Corbélia, Nova Laranjeiras, Candói, Castelo Branco, Jataizinho, Cambará, Mauá da Serra, Imbaú, Lapa – PB: João Pessoa, Campina Grande, Cajazeiras, Souza, Olho d’Água, Caapora, Mamanguape, Cabedelo – BA: Salvador, Eunápolis, Itamaraju, Teixeira de Freitas, Amélia Rodrigues, MaragogipeMG: Belo Horizonte, Betim, Mariana, Ouro Preto, Ponte Nova, Governador Valadares, Ipatinga, Montes Claros, São João Del ReiRS: Porto Alegre, Pinheiro Machado, Capão do Leão, São Borja, Caxias do Sul, Erechim, Carazinho, Canoas, Cachoeira do Sul, Gravataí, Alecrim, Santo Cristo, Bagé, Pelotas, Venâncio Aires, Passo Fundo, Rio Grande, Ijuí – AL: Maceió, Joaquim Gomes, Novo Lino, Fleixeiras, Messias, Delmiro Gouveia, Atalaia, Murici, Maragogi - ES: Vitória, GuarapariRJ: Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Volta Redonda, Macaé, Rio das Ostras, Niterói, Barra Mansa, Piraí, Itaguaí MA: São Luiz do MaranhãoGO: Goiânia, Anápolis, Catalão – RR: Boa VistaAP: MacapáPI: TeresinaTO: Palmas – AC: Rio BrancoSE: Aracaju, RO: Porto VelhoMT: Cuiabá, Sorriso, Paranaíta – CE: Fortaleza, Quixeramobim, Tabuleiro do Norte – DF: Brasília – RN: Natal – MS: Campo GrandeAM: Manaus.

(Veja na matéria ao lado as cidades de São Paulo que participaram do movimento).


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Trabalhadores ampliam a voz das ruas para o Brasil crescer

Amorim: Brasil está vulnerável à espionagem

Fernando Brito: o MP falhou e se omitiu no sumiço do processo de sonegação da Globo

Royalties para Educação e Saúde: Câmara rejeita mudanças do Senado e repõe verbas

Siqueira: a lei não prevê a tabela que a ANP criou para o pre-sal

Requião: a Bozz Allen planejou programas para o governo FHC

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Rússia exibe provas do uso de gás sarin pelos mercenários na Síria

Egito: premiê assume propondo cortar subsídios a alimentos e gás de cozinha

Cristina: “Estado é fundamental para reerguer a economia da Argentina”

Centrais sindicais gregas convocam greve geral contra a demissão massiva no setor público

   “Submissão de Peña Nieto a EUA joga o povo na miséria”

Ex-ministro chinês condenado a pena de morte por corrupção

 

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Tancredo e a emancipação do Brasil

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