Cafezinho das múltis a tucanos na
Linha 5 foi de R$ 46 milhões

Segundo reportagem da revista IstoÉ já foram analisados pelo MP 16 contratos. Prejuízo aos cofres públicos foi de ao menos R$ 425 milhões

O esquema de pagamento de propinas e superfaturamento das obras do Metrô de São Paulo e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos está deixando os tucanos, que se mantém no poder no estado há 20 anos, em maus lençóis.

Novas denúncias, apresentadas pela revista IstoÉ, revelam que o prejuízo causado aos cofres públicos paulistas pelo conluio entre políticos do PSDB e o cartel das multinacionais do setor de transporte Alstom, Bombardier, CAF, Siemens, TTrans e Mitsui foi de ao menos R$ 425 milhões.

Somente no contrato entre as múltis e governo de São Paulo para a fase 1 das obras da linha 5 – Lilás, a propina recebida por políticos tucanos e diretores do Metrô foi de R$ 46 milhões.

As investigações estão sendo realizadas pelo Ministério Público de São Paulo e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a partir de documentos e testemunhos dado por diretores e funcionários da multinacional alemã Siemens, empresa integrante do cartel, que se aproveita da delação premiada para atacar suas concorrentes do setor.

Segundo reportagem de Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sérgio Pardellas, publicada pela revista IstoÉ, o achaque aos cofres públicos, como chamou o esquema uma das autoridades envolvidas na investigação, era administrado pelos diretores do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), e de políticos do alto escalão tucano chegou a superfaturar os contratos em até 30%.

“Foram analisados 16 contratos correspondentes a seis projetos. Os valores, dizem fontes ligadas à investigação ouvidas por IstoÉ, ainda devem se ampliar com o detalhamento de outros certames vencidos em São Paulo pelas empresas integrantes do cartel nesses e em outros projetos”.

Com o depoimento de um ex-funcionário da multinacional alemã, Siemens ficou evidente o esquema pelas multinacionais citadas acima para vencer e lucrar com licitações públicas durante os sucessivos governos do PSDB nos últimos 20 anos. Além de contar com a participação de autoridades e servidores públicos para abastecer um propinoduto milionário que desviou dinheiro das obras para políticos tucanos.

“Não se sabia quão rentável era este cartel. Ao se aprofundarem, nos últimos dias, na análise da papelada e depoimentos colhidos até agora, integrantes do Cade e do Ministério Público se surpreenderam com a quantidade de irregularidades encontradas nos acordos firmados entre os governos tucanos de São Paulo e as companhias encarregadas da manutenção e aquisição de trens e da construção de linhas do Metrô e de trens”.

LINHA 5

Nos contratos envolvendo superfaturamento, segundo a publicação, está a instalação da fase 1 da Linha 5 Lilás do Metrô da cidade de São Paulo. A licitação foi vencida pelo consórcio Sistrem, formado pela francesa Alstom, a alemã Siemens, a ADtranz (da canadense Bombardier) e a espanhola CAF. Os serviços foram orçados em R$ 615 milhões. Segundo testemunhos ao Cade e ao MP, o contrato rendeu uma comissão de 7,5% a políticos do PSDB e dirigentes da estatal – o que significa cerca de R$ 46 milhões em propina.

De acordo com a revista, o responsável por estabelecer o esquema com as empresas no contrato era o executivo Masao Suzuki, da Mitsui. Apesar disso, sua empresa não foi a principal beneficiária. Quem ficou com a maior parte dos valores recebidos na fase 1 da Linha 5 Lilás do Metrô foi a Alstom, que comandou o cartel durante a licitação.

Segundo a publicação, o contrato da Linha 2 do Metrô, o superfaturamento identificado até agora causou um prejuízo de R$ 67,5 milhões aos cofres paulistas. As licitações investigadas foram vencidas pela Alstom, Siemens e pelo consórcio Metrosist, da qual a Alstom também fez parte. O contrato, orçado em R$ 81,7 milhões, previa a prestação de serviços de engenharia, o fornecimento, a montagem e a instalação de sistemas destinados à extensão oeste da Linha 2 Verde. Desde que foi assinado, em outubro de 1997, recebeu 13 reajustes. Enquanto as multinacionais francesa e alemã ficaram responsáveis pelo projeto para fornecimento e implantação do trecho Ana Rosa/ Ipiranga. A Asltom e a Siemens receberam R$ 143,6 milhões para executar o serviço.

O sobrepreço de 30%, segundo as investigações citadas pela IstoÉ, foi estabelecido também em contratos firmados entre as empresas pertencentes ao cartel e a CPTM. “Entre eles, o firmado em 2002 para prestação de serviços de manutenção preventiva e corretiva de dez trens da série 3000. A Siemens ganhou o certame por um valor original de R$ 33,7 milhões. Em seguida, o conglomerado alemão subcontratou a MGE Transportes para serviços que nunca foram realizados. A MGE, na verdade, serviu de ponte para que a Siemens pudesse efetuar o pagamento da propina de 5% acertada com autoridades e dirigentes do Metrô e da CPTM. O dinheiro da comissão – cerca de R$ 1,7 milhão só nessa negociata, mais uma vez tinha como destino final a alta cúpula da estatal e políticos ligados ao PSDB. A propina seria distribuída, segundo depoimento ao Cade, pelo diretor da CPTM, Luiz Lavorente. Além da MGE, a Siemens também recorreu à companhia japonesa Mitsui para intermediar pagamentos de propina em outras transações”.

INCÊNDIO

A matéria publicada na última edição da IstoÉ relembrou ainda o desaparecimento de uma pasta amarela com cerca de 200 páginas guardada na 1ª Vara Criminal do Fórum da cidade de Itu, interior paulista que expõe ainda mais as falcatruas tucanas.

“Trata-se do processo judicial 9900.98.2012 que investiga um incêndio criminoso que consumiu durante cinco horas 15.339 caixas de documentos e 3.001 tubos de desenhos técnicos. A papelada fazia parte dos arquivos do metrô armazenados havia três décadas. Entre os papeis que viraram cinzas estão contratos assinados entre 1977 e 2011, laudos técnicos, processos de contratação, de incidentes, propostas, empenhos, além de relatórios de acompanhamento de contratos de 1968 até 2009. Sob segredo de Justiça, a investigação que poderá ser reaberta pelo Ministério Público, diante das novas revelações sobre o caso feitas por IstoÉ”.

No dia 9 de julho do ano passado, 9 homens armados e encapuzados invadiram o galpão da PA Arquivos Ltda, em Itu e renderam os dois vigias, roubaram 10 computadores, espalharam gasolina pelo prédio de 5 mil metros quadrados e atearam fogo. Nada restou.

A polícia 4 meses depois concluiu que foi apenas mais um crime comum. “As investigações não deram em nada”, admitiu a delegada de Policia Civil Milena, que só se identificou pelo primeiro nome. “Os homens estavam encapuzados e não foram identificados”, disse a policial.

Os documentos oficiais do governo, todo o arquivo do Metrô foram levados para Itu que não tinha as mínimas condições para a guarda do material. O galpão fica em plena zona rural da cidade, entre uma criação de coelhos e um pasto com cocheiras de gado.

De acordo com as fontes da revista, “o governo estadual sabia exatamente da precariedade da construção quando transferiu os arquivos para o local”. O prédio foi incendiado poucos dias depois da migração do material para o espaço. Outra excentricidade do crime é que o fato só foi confirmado oficialmente pelo governo seis meses depois do ocorrido.

 
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