Copom se curva aos bancos e eleva juros pela quarta vez consecutiva

Nenhuma consideração econômica presidiu à decisão, já que o crescimento se arrasta em direção a menos de 2% e nem mesmo havia o pretexto da inflação

Pela quarta vez consecutiva, o Comitê de
Política Monetária (Copom) do Banco Central se curvou aos bancos e demais beneficiários dos juros altos e elevou na quarta-feira (28/08) a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, passando de 8,5% para 9,0% ao ano. Nenhuma consideração econômica presidiu à decisão, já que o crescimento se arrasta em direção a menos de 2% e nem mesmo havia o pretexto da inflação – o IPCA está caindo desde fevereiro, atingindo quase zero (0,03%) em julho; e o INPC cai desde abril, e, no momento, está negativo (-0,13% em julho).

No entanto, diz o anúncio da decisão: "Dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,00% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano".

A inflação já está em declínio há vários meses. E o aumento de juros pode apenas contribuir para que os bancos aumentem seus ganhos com a dívida pública – e para que menos do que é arrecadado com impostos seja destinado às necessidades da população. Porém, ao iniciar sua nota com "dando prosseguimento", o BC anunciou que pretende continuar aumentando a taxa básica de juros – isto é, o piso dos juros do país.

Como piso dos juros, os três aumentos anteriores já tinham feito com que a taxa média do crédito à pessoa física fosse para 36,2% com um spread (a suposta e falsa taxa de risco) de inacreditáveis 25,7 pontos percentuais (cf. BC, Nota sobre Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro, Quadro II, 28/08/2013).

Com o aumento da quarta-feira, a taxa real de juros (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses) alcançou 2,8% ao ano, a terceira maior do mundo. Com isso, o BC aumentou o diferencial entre as taxas de juros internas e externas – portanto, açulou a invasão do país por dólares especulativos, que atravessam as fronteiras em busca de ganhos parasitários, com a consequente estagnação e retrocesso das economias que parasitam. No caso, o BC pretende que o efeito no câmbio dessa invasão patrocinada pelos juros altos seja o de, outra vez, hipervalorizar o real, subsidiando ainda mais as mercadorias importadas contra os produtos internos. Mas não porque haja inflação, e sim porque o objetivo de subsidiar importações é, antes de tudo, o de beneficiar monopólios estrangeiros com o desencalhe de seus estoques.

A média internacional dos juros básicos está em -0,4% ao ano - e a taxa básica dos Estados Unidos está em -1,2%. Portanto, seu diferencial em relação à taxa do BC está em estonteantes 4 pontos percentuais. Ou seja, um verdadeiro imã à montanha de dólares, que, apesar das declarações do seu presidente, continuam a ser emitidos pelo FED (banco central dos EUA) a cada mês.

Desde o começo do ano até o último dias 23, o governo federal transferiu R$ 118.500.984.214,50 (118 bilhões, 500 milhões, 984 mil, 214 reais e 50 centavos) aos bancos sob a forma de juros, sem contar os restos a pagar, isto é, quantias de orçamentos de outros anos.

Em investimentos, o governo somente liberou efetivamente R$ 5.467.364.724,25 (5 bilhões, 467 milhões, 364 mil, 724 reais e 25 centavos). Portanto, a quantia transferida aos bancos em juros é 22 vezes o que foi investido, referente ao Orçamento deste ano.

Quanto às dotações por órgão, o dinheiro para juros é 2,5 vezes o que foi liberado, até a mesma data, referente ao Orçamento de 2013, para a Saúde (R$ 47.297.659.347,36) e mais de 3 vezes o que foi liberado para a Saúde (R$ 37.311.116.684,25).

A aceleração nas transferências aos bancos sob a forma de juros é inteiramente devida aos aumentos de juros perpetrados pelo BC. Não há aumento da dívida que justifique essas transferências. Pelo contrário: o aumento de juros é que está fazendo com que a dívida federal aumente.

Com o Banco Central fazendo o jogo do rentismo, e o resto do governo conformando-se em assistir passivamente a esse bacanal com o dinheiro público, os bancos, que vinham pressionando para que a Selic atingisse 9,5% no final do ano, agora projetam 10% ao ano nos próximos meses. Um assessor do Palácio do Planalto declarou à imprensa que esperava que os juros chegassem a 9,75% até o final do ano...

O aumento dos juros foi repudiado pelas entidades de trabalhadores e de empresários. "A economia brasileira está parando e, com essa medida, o Banco Central pode precipitar uma recessão, gerando desemprego e redução de renda", afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

Realmente, com um crescimento cada vez mais rasteiro, o quarto aumento de juros – com a descarada trombeta de outros em seguida – lança o governo e certas pretensões eleitorais no pântano da mediocridade, expressa pelo baixo crescimento, ou, mesmo, recessão. E tudo isso para contentar banqueiros que nem moram por aqui...

VALDO ALBUQUERQUE


Capa
Página 2
Página 3

AGU: “não foi concedido asilo político territorial para Molina”

Votos pela cassação não atingem quorum e Donadon mantém cargo

Siqueira: ANP favoreceu altamente as múltis no edital do leilão de Libra

Magda estimula golpe contra lei que Lula criou para proteger o petróleo do pré-sal

Moradores de Laranjeiras se revoltam com destruição e bagunça dos baderneiros

Folha é autoritária e omite o direito ao contraditório (Requião)

Marina quer que o TSE desrespeite a lei para beneficiar seu partido

Página 4 Página 5 Página 6

Desemprego na França já atinge 4,85 milhões

Trabalhadores rejeitam elevação da contribuição previdenciária a 43 anos

Índia lança programa de subsídio de alimento para 800 milhões de pessoas

Economia da China cresce 7,6% em doze meses

Colômbia: petroleiros, professores e mineiros aderem à greve iniciada pelos camponeses

Quanto mais infame é a política exterior dos EUA, mais se apoia na cumplicidade da mídia (II)

Fundador de Pink Floyd pede boicote em apoio a palestinos

 

Página 7 Página 8

Getúlio Vargas e a estratégia para um Brasil livre, justo e desenvolvido

FV-  '\Q2 DC ZVBNM