Mexicanos rechaçam a privatização da Pemex

Líder Cuauhtémoc Cárdenas denuncia que “pilhagem da Pemex” que faria o Estado perder a condição de “gestão das áreas estratégicas da indústria petroleira”

Dezenas de milhares de pessoas marcha
ram, no sábado 31, na capital do México em repúdio à chamada Reforma Energética proposta pelo presidente Enrique Peña Nieto, que, se aprovada, escancararia a estatal Petróleos do México, Pemex, às transnacionais, principalmente dos Estados Unidos.

A manifestação contra a privatização da principal empresa do país, como é considerada a Reforma, foi convocada pelos maiores sindicatos (entre eles o dos petroleiros, dos professores e o dos eletricistas), e liderada pelo fundador do Partido da Revolução Democrática (PRD), Cuauhtémoc Cárdenas, filho de Lázaro Cárdenas, que durante seu mandato em 1938 nacionalizou o petróleo.

O ato também contou com a participação ainda do ex-candidato a presidente, Andrés Manuel Lopez Obrador, que recebeu 30% dos votos na última eleição, além dos principais parlamentares da oposição, os manifestantes desmascararam o "argumento" do governo de que a tal reforma traria mais recursos e reativaria a produção, sendo benéfica para o país e para a principal empresa do país.

"Todos esses supostos lucros soam como matemática sem fundamento", assinalou Cárdenas, que qualificou a proposta de Peña Nieto de "antipatriótica", "retrógrada", "entreguista", "neoliberal" e "lesiva aos interesses da nação".

"Não é necessário que se altere a Constituição por nenhum motivo, porque o México já atingiu uma produção de até 3 milhões e meio de barris e isso foi feito sem ajuda de nenhuma empresa estrangeira", apontou Cuauhtémoc. 

López Obrador classificou de "assalto do século" a proposta do governo de Peña Nieto de remendo da Constituição. Ela pretende, além de atingir o petróleo, abrir caminho para a privatização, também, do setor elétrico, via alteração dos artigos 27 e 28 que hoje consagram o monopólio estatal sobre o petróleo e energia.

Para justificar a pilhagem, os dois partidos neoliberais que sustentam o governo, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) e o Partido de Ação Nacional (PAN), dizem que a Pemex está quebrada e não tem tecnologia para desenvolver a extração do petróleo, e que é preciso atrair o capital externo. Peña Nieto garantiu ainda que a privatização vai trazer "empregos e energia mais barata". Mentiras para tentar amainar a indignação popular.

Em março de 1938, o então presidente Lázaro Cárdenas decretou a nacionalização das reservas minerais e dos combustíveis.

Em 1960, após excessos e saques das petroleiras dos Estados Unidos, o México decidiu ceder sua indústria energética às multinacionais, nacionalizando também o sector elétrico e proibindo explicitamente os contratos petroleiros de risco e de partilha.

Agora, caso seja aprovada a reforma dos artigos 27 e 28 da Constituição, "o Estado perderia a exclusividade na gestão das áreas estratégicas da indústria petroleira, desde a exploração das jazidas e consequentemente a gestão e cuidado das reservas, até a transformação industrial dos recursos no refino e petroquímica, assim como nos serviços complementares de armazenamento e transporte", esclareceu Cárdenas, no ato realizado após três horas de marcha pelas principais avenidas do centro da Cidade do México. O líder completou que "essa reforma espúria, apresentada sob a máscara de maior eficiência e modernização da estatal, não pode ser aprovada sob ameaça de significar o desmantelamento da Petróleos Mexicanos, e entregar o desenvolvimento da indústria petroleira".

A manifestação, com muitas bandeiras e palavras de ordem, reuniu, além do movimento sindical, os partidos PRD, Partido do Trabalho, Popular Socialista, Comunista, intelectuais, artistas e movimentos sociais.

A argumentação de Peña Nieto de que o sistema estatal é ineficiente para dirigir o setor devido à descapitalização que sofreu e à falta de investimento, pelo que precisa ser aberto às grandes transnacionais, foi respondida por Andrés López Obrador observando que "PEMEX é a empresa que mais gera recursos no México e a segunda da América Latina". Indicou que "os lucros do petróleo, no caso do nosso país, são muito altos porque o custo de produção de cada barril é de 10 dólares e se vende a 100 dólares. Ou seja, é gerado um lucro de 90 dólares por barril, em média".

Ele frisou que, inclusive "o custo de produção por barril de petróleo é muito alto, já que deveria atingir, no máximo, os 4 dólares. Chega aos 10 dólares devido à corrupção que existe na Pemex, incentivada pela política anti-nacional que o governo implementa".

"Querem pilhar a Pemex e ficar com a galinha dos ovos de ouro, e isso significaria privar o erário da renda petroleira, que representa uma porção substancial do orçamento público, com o que se afetaria a capacidade do Estado de investir na educação, cultura, programas sociais e infra-estrutura", concluiu.

Outras manifestações, debates públicos, e eventos conjuntos com outras categorias em luta, como os professores, foram marcados.


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