Rússia: “se EUA não mostra
as provas é porque não tem”

Alusões a não se sabe que interceptações de não se sabe quem, que nao demonstram nada, não podem servir de fundamento para decisões de guerra e paz, advertiu Moscou a Obama

 O chanceler russo Serguei Lavrov afirmou que as su postas ‘provas’ até aqui apresentadas pelos EUA – sobre o suposto uso de armas químicas contra Goutha pelo governo sírio - “não nos convenceram absolutamente”. “Foram-nos mostrados alguns esquetes, mas não há nada de concreto, nenhuma coordenada geográfica ou detalhe .. e nenhuma prova de que o teste foi feito por profissionais”, apontou. “Não há fatos que dêem sustentação, há apenas conversa repetitiva do tipo ‘nós sabemos com certeza’, continuou. “E quando nós solicitamos mais clarificação, recebemos a seguinte resposta: “vocês estão cientes de que isso é informação secreta, portanto não podemos mostrar a vocês”. “Então ainda não há quaisquer fatos”.

Por sua vez, o presidente russo Vladimir Putin assinalou que “se há provas sobre o uso de armas químicas, estas devem ser apresentadas” ao Conselho de Segurança da ONU e aos inspetores. “Se não forem, é porque não existem”. Ele considerou um “absurdo completo” a alegação do governo Obama de que o governo sírio usou armas químicas contra seu próprio povo, o que vem sendo usado de pretexto por Washington para querer bombardear a Síria. Na semana passada, Rússia e China vetaram na ONU resolução proposta para dar aval ao ataque.

“As alusões a não se sabe que interceptações de não se sabe que conversas que não demonstram nada não podem servir de fundamento para tomar decisões tão transcendentes como o uso da força contra um Estado soberano”, reiterou Putin. Ele sugeriu que a questão síria seja discutida durante a cúpula do G-20 de São Petersburgo.

Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Barack Obama, e seu secretário do Departamento de Estado, John Kerry, se revezaram na afirmação de que “sabem que foi Assad” o culpado pelas vítimas de Ghouta, mas repetindo o tempo todo que não podem mostrar porque são “provas secretas”. A França, sob o social-democrata François Hollande, fabricou um dossiê sobre o “arsenal químico de Assad”.

No parlamento inglês, a pretensão de Cameron de marchar ao lado de Obama na agressão foi rotundamente repelida na câmara dos comuns, sob o lema “primeiro as provas, depois a decisão”. Cameron não conseguiu convencer nem seus companheiros conservadores, que estão à esquerda de Hollande. Isolado, Obama acabou por optar por adiar o ataque, e pedir autorização ao Congresso dos EUA, que só se reunirá após a volta do recesso parlamentar em 9 de setembro.

Conforme repararam alguns analistas, as “provas” de Obama e Kerry conseguem ter menos substância que as exibidas por W. Bush e Colin Powell, e conhecidas como a fraude que possibilitou a invasão do Iraque. Sem esquecer outras fabricações dos EUA, como o inexistente “ataque do Golfo de Tonkin”, que serviu de pretexto para a guerra do Vietnã.

Putin se declarou convencido de que a acusação a Assad “não passa de uma provocação daqueles que querem envolver outros países no conflito sírio e assegurar o apoio de atores internacionais poderosos, em primeiro lugar, o dos Estados Unidos”. Como se sabe, toda a estratégia do governo Assad, nos últimos dois anos e meio foi combater os contras, com o cuidado de evitar dar qualquer pretexto para uma intervenção militar dos EUA, e sempre deixando claro que o arsenal químico não seria usado.

SEM EVIDÊNCIA

Mesmo o que Kerry e Obama dizem que está “absolutamente provado”, não é exatamente assim, segundo a agência de notícias “Associated Press”, que revelou que a alegação de interceptação de conversa entre militares sírios discutindo o ataque “era de baixa patente, sem nenhuma evidência direta ligando o ataque ao círculo íntimo de Assad ou a algum comandante sênior sírio”, de acordo com fontes da inteligência, que falaram sob anonimato.

Ainda segundo a AP, “enquanto o secretário de Estado John Kerry disse na segunda-feira que ligações entre o ataque e o governo Assad eram ‘inegáveis”, autoridades da inteligência dos EUA [leia-se CIA] não estão tão certos de que o suspeitado ataque químico foi cometido sob ordens de Assad ou mesmo completamente certos de que foi cometido por forças do governo”.

 
                                                           ANTONIO PIMENTA



 

 

                                                                    


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