ANP e Lobão querem leiloar Libra mesmo com espionagem dos EUA

Presidenta cancelou sua viagem aos Estados Unidos pela
gravidade da arapongagem contra o governo e a Petrobrás

Devido à espionagem norte-americana sobre o país, especial mente sobre si própria e sobre a Petrobrás, a presidente Dilma cancelou sua viagem aos EUA e o encontro com o presidente daquele país. Dilma, muito justamente, reconheceu que o fato é tão grave que demanda uma atitude que, até hoje, nenhum presidente brasileiro havia tomado em 124 anos de história republicana (e, aliás, nenhum governante brasileiro, em 191 anos de história independente do país).

A presidente deixou absolutamente claro onde estava o problema. No dia dois deste mês, em reunião com ministros, declarou que o motivo – ou alvo – da espionagem na NSA era o pré-sal, ou seja, as abundantes reservas petrolíferas descobertas pela Petrobrás, no maior acontecimento da indústria do petróleo nas últimas décadas.

No dia seguinte, a presidente, em nota oficial, afirmou:

"... estamos sendo alvo de mais uma tentativa de violação de nossas comunicações e de nossos dados pela Agência Nacional de Segurança dos EUA. Inicialmente, as denúncias disseram respeito ao governo, às embaixadas e aos cidadãos – inclusive a essa Presidência. Agora, o alvo das tentativas, segundo as denúncias, é a Petrobras, maior empresa brasileira. Sem dúvida, a Petrobras não representa ameaça à segurança de qualquer país. Representa, sim, um dos maiores ativos de petróleo do mundo e um patrimônio do povo brasileiro. (…) fica evidenciado que o motivo das tentativas de violação e de espionagem não é a segurança ou o combate ao terrorismo, mas interesses econômicos e estratégicos".

No dia 12, falando aos outros presidentes dos países que compõem o Mercosul, reafirmou a presidente Dilma:

"... fomos atingidos diretamente pelas recentes denúncias de que as comunicações eletrônicas e telefônicas de cidadãos e instituições de nossos países e de outros países da América Latina estão sendo objeto de espionagem por órgãos de inteligência. Isso fere nossa soberania e atinge os direitos individuais, inalienáveis, de nossa população. Defendemos que a soberania, a segurança de nossos países, a privacidade de nossas comunicações, a privacidade de nossos cidadãos, a privacidade de nossas empresas, devem ser preservadas, e esse é o momento de demonstrar um limite para o Mercosul. O governo e o povo brasileiro não transigem com sua soberania, como eu tenho certeza, os governos e os povos que integram o Mercosul não transigem com a deles".

EXPLICAÇÕES

O acento na questão da soberania e a menção à "privacidade de nossas empresas" - assim como à necessidade de que o Mercosul mostre um limite aos infratores dos EUA – são nítidos. Sobretudo depois das declarações anteriores, é evidente ao que a presidente se refere.

Até a BBC – que não é, certamente, uma campeã dos nossos interesses – considerou que "a tecnologia envolvendo a exploração de petróleo em alta profundidade na camada pré-sal poderia ter sido o alvo da espionagem".

Evidentemente, se a presidente, depois disso – e depois de esperar, embalde, um prazo para que os EUA se explicassem – decidiu suspender sua viagem aos EUA, é porque considerou que a questão não foi resolvida. O fato tem implicações imediatas no leilão do campo de Libra, no pré-sal. Se a presidente cancelou sua viagem e o encontro com o presidente dos EUA devido ao atentado à nossa soberania, configurado pela espionagem sobre a Petrobrás, tendo em vista o pré-sal, como manter um leilão que está maculado na origem por atos que são equivalentes à sabotagem, por parte do país onde estão as principais empresas estrangeiras interessadas nessas imensas jazidas petrolíferas? Realizar esse leilão é dar uma vantagem desonesta, ilegal e, mesmo, criminosa, às multinacionais norte-americanas.

No entanto, a senhora Magda, luminar da Agência Nacional do Petróleo (ANP), e o ministro Lobão - de tão ofuscante brilho que já é nome de cidade mesmo sem ter, aparentemente, morrido - parecem acreditar que sabem mais do que a presidente da República.

DADOS

Mais do que isso, ao garantir que a espionagem americana não conspurcou o leilão do campo de Libra, contra todas as evidências, parecem acreditar não apenas que sabem mais que a presidente Dilma (ou na santidade da espionagem norte-americana – a NSA garantiu que não passa informações às empresas norte-americanas, portanto, deve se tratar de uma atividade filantrópica), mas que têm mais poder e condições que a presidente para avaliar a situação. Dilma cancelou sua viagem aos EUA, considerando que os interesses e a soberania do Brasil não apenas foram desrespeitados, como estão sendo desrespeitados. Magda e Lobão querem realizar o leilão de libra como se esse desrespeito não existisse - e apesar de ser evidente que a NSA e seus clientes, as petroleiras norte-americanas, mandaram para o espaço qualquer aparência (quanto mais a essência) de escrúpulo ou moralidade.

Diz a senhora Magda, tratando os senadores como débeis mentais: "fiquem absolutamente tranquilos. A licitação é pública e nós trabalhamos com dados públicos e não exclusivos. As empresas associadas têm esses dados desde 2010, porque a ANP não trabalha qualquer licitação usando dados privados. Apenas públicos. A área de Libra, por definição, usa dados públicos".

Como não convenceu ninguém, disse, em seguida, que "nosso banco de dados não está conectado à internet. Para roubar essas informações é preciso que haja um espião paranormal".

Mas também não convenceu ninguém – até porque o banco de dados do Pentágono também não está conectado à internet e nem por isso escapou ao roubo de milhares de documentos, aliás, várias vezes. Disse, então, a senhora Magda, que "os dados confidenciais nós guardamos a sete chaves". Para prová-lo, mostrou uma foto do cofre (?!) da ANP, segundo ela, "à prova de incêndio, inundações e outras ameaças". Como se sabe, a NSA ou a CIA têm uma tremenda dificuldade para abrir cofres...

A presidente Dilma, na cerimônia de assinatura da lei dos royalties para a educação, considerou que a espionagem sobre a Petrobrás é tão grave quanto sobre ela própria, primeira mandatária do país. Por isso, não foi ao encontro com Obama, apesar deste ter-lhe telefonado, pedindo que reconsiderasse.

Já o ministro Lobão, disse que a espionagem sobre o Brasil, a presidente e o nosso setor petrolífero, "não muda nada, não cancela o leilão", porque "não há perigo de informações do leilão terem vazado".

Com isso, Lobão admite que há informações que, se vazadas, demandam o cancelamento do leilão.

Mas, como ele sabe que "não há perigo de informações do leilão terem vazado"? Nem a mídia acredita nisso, muito menos tenta sustentá-lo – aliás, foi a Globo que primeiro mostrou as provas da espionagem; nem o boletim da embaixada americana, também conhecido como "Veja", tentou negar a espionagem. Se não houvesse esse perigo – e, mais que perigo, certeza, como é claro por suas declarações – por que a presidente iria cancelar sua viagem aos EUA?

O Lobão e a Magda, portanto, são os únicos que sabem que a espionagem americana ao pré-sal fracassou. Deve ser por isso que, como revelou Edward Snowden, a NSA utilizava a espionagem à Petrobrás como modelo, em suas apresentações, aulas e conferências internas.

CARLOS LOPES


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