Petroleiros em greve contra o leilão do campo de Libra

Os 15 sindicatos filiados à FUP e os 5 da FNP estão mobilizados pelo país. Manifestações também acontecerão nesta quinta-feira

Os petroleiros entraram em greve geral de 24 horas nesta quinta-feira (3) em todo o Brasil exigindo a suspensão do leilão de Libra, previsto para ser realizado em 21 de outubro. Além da greve, estão programadas manifestações em várias capitais e cidades-sedes de refinarias e outras estruturas do complexo industrial petroleiro do país. Já na noite de quarta-feira os trabalhadores da Base 34, em Mossoró (RN), se anteciparam e paralisaram suas atividades. Assim também fizeram os petroleiros de Sergipe, que iniciaram a greve no Tecarmo – terminal de gás – em Atalaia, na capital. Os petroleiros sergipanos prometem realizar um grande ato na porta da sede da estatal.

Estão programadas paralisações em praticamente todos os estados. No Norte Fluminense (NF) trinta e quatro plataformas aprovaram a greve neste dia 3 de outubro, data em que a Petrobrás completa 60 anos. O Sindipetro-NF informou que a categoria realiza ato público em local surpresa no início da manhã. Nas plataformas, os trabalhadores manterão as atividades paralisadas durante 24 horas. Neste mesmo período, os petroleiros da base de Cabiúnas realizam Operação Padrão. Os indicativos do Sindipetro foram aprovados em assembléias realizadas desde a última sexta, 30.

Os mais de 150 mil petroleiros liderados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) estão mobilizados para impedir a entrega do campo de Libra. Os 15 sindicatos associados à entidade nacional preparam a grave e as manifestações desta quinta-feira em praticamente todo o território nacional. Os 5 sindicatos ligados à Federação Nacional dos Petroleiros também estão participando ativamente das mobilizações. Estão programadas paralisações nas 14 refinarias da Petrobrás responsáveis pelo processamento de 2 milhões de barris de petróleo por dia e nas cerca de 100 plataformas de petróleo espalhadas por todo o Brasil. Só na Bacia de Campos são 40 plataformas.

No Rio de Janeiro será realizado um showmício na Praça XV comandado pela cantora Beth Carvalho, com a presença de vários artistas que se posicionaram contra o leilão de Libra. O ator Paulo Betti, que estará no ato, gravou vídeo onde diz que "o leilão de Libra - esse grande manancial de óleo - não pode ser realizado". O ato show está sendo organizado pelo Comitê Estadual em Defesa do Petróleo do Rio. Um calendário nacional de luta foi elaborado pelo Comitê Nacional em Defesa do Petróleo que reúne as entidades nacionais dos petroleiros, as Centrais Sindicais, o MST, a UNE e outros movimentos sociais.

A Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet) realiza solenidade no Clube de Engenharia em comemoração aos 60 anos da Petrobrás e contra o leilão de Libra. O vice-presidente da entidade, Fernando Siqueira, disse em audiência pública no Senado na semana passada que "os países desenvolvidos pressionam pela rápida exploração do campo de Libra, a maior reserva descoberta nos últimos 20 anos" "Ninguém leiloa petróleo já descoberto", salientou Siqueira.

Em Brasília, representantes da categoria, militantes dos movimentos sociais e a juventude organizada estão acampados em frente ao Congresso Nacional.

O movimento permanecerá nas ruas até que o governo suspenda o leilão do pré-sal. Também há petroleiros e movimentos sociais acampados em frente ao Edise, prédio sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro.

O Comitê Popular em Defesa do Petróleo, fórum que reúne sindicatos e movimentos sociais do Paraná, realiza nesta quinta-feira (03) um protesto contra o leilão da ANP. A manifestação acontece a partir das 16h30, na Boca Maldita, no Centro de Curitiba. Pela manhã, os petroleiros da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, da Usina do Xisto, em São Mateus do Sul, e dos terminais Transpetro de Paranaguá, São Francisco do Sul e Itajaí farão uma paralisação em protesto contra o leilão e pela campanha reivindicatória da categoria. Os petroleiros estão também em campanha salarial junto com a campanha contra os leilões da ANP. A data-base da categoria venceu no dia 1º de setembro.

Em São Paulo, além da greve dos petroleiros de Campinas, São José dos Campos, Mauá e Baixada Santista, está programada uma grande manifestação em frente à sede da Petrobrás, na Avenida Paulista. A manifestação está programada para as 17 horas. O Comitê Estadual em Defesa do Petróleo, que reúne Sindicatos, personalidades, estudantes, as Centrais Sindicais e partidos políticos distribuiu milhares de panfletos convocando a população a barrar o leilão de Libra. Na noite da quinta-feira a Assembléia Legislativa de São Paulo, por iniciativa do deputado Adriano Diogo (PT), realiza ato solene em comemoração aos 60 anos da Petrobrás e contra o leilão de Libra. A Câmara de Vereadores realizará também um ato, convocado pela vereadora Juliana Cardoso (PT), no próximo dia 10 de outubro, contra o leilão de Libra.

A mobilização pelo cancelamento do leilão de Libra se intensificou após a divulgação da denúncia de que a Petrobras foi espionada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. No início no mês, a FUP e outras entidades chegaram a enviar uma carta à presidente Dilma Rousseff, manifestando preocupação com a soberania nacional. "Não há dúvidas sobre as motivações comerciais na espionagem comandada pelo governo dos Estados Unidos e aliados, dizia o documento. Segundo estimativas iniciais da Agência Nacional de Petróleo as reservas do Campo de Libra podem ultrapassar os 15 bilhões de barris de óleo.

SÉRGIO CRUZ


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Petroleiros em greve contra o leilão do campo de Libra

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