Produção industrial patina
a níveis de seis anos atrás

Queda de -1,4% no terceiro trimestre (comparado ao trimestre anterior), um “quantum” de produção inferior em 4% àquele que tínhamos em setembro de 2008 e inferior ao do mês de agosto de 2007

No momento em que a política econômica do atual governo se mostra mais agudamente (e mais lastimavelmente) dependente do dólar - com gente na Fazenda e no Tesouro fazendo novenas para que o tsunami cambial não acabe jamais – a produção industrial de setembro conduz a luta para fora das alucinações meramente especulativas.

Há meses, a política econômica consiste em subir os juros, impedir que o câmbio encontre sua taxa de equilíbrio – mantendo artificialmente o subsídio cambial às importações - e apelar aos bancos externos, fundos especulativos, monopólios multinacionais em geral, para que tomem pedaços do país, desde as estradas até o petróleo. Não que esses monopólios financeiros estrangeiros venham trazer algum investimento, pois, pelo contrário, promete-se que o BNDES abrirá seus cofres para eles. Portanto, o plano é dar a eles o nosso dinheiro para investir. Talvez, como aqueles elementos que queriam doar a Floresta Amazônica aos americanos, o governo tenha a opinião de que a gestão estrangeira é sempre melhor que a brasileira, assim como, segundo a presidente Dilma, a gestão privada é sempre melhor que a gestão pública (ver o seu discurso no Goldman Sachs, em Nova Iorque).

O resultado da produção industrial é o espelho dessa tacanhez, com uma queda de -1,4% no terceiro trimestre (comparado ao trimestre anterior), um “quantum” de produção inferior em 4% àquele que tínhamos em setembro de 2008 – e até inferior ao do mês de agosto de 2007. Patinando em níveis de seis anos atrás, o aumento de 0,7% (setembro/agosto) não tem significação – não apenas porque um número insignificante não tem significação, mas porque sucedeu a zero (agosto/julho) e a -2,4% (julho/junho).

Alguns empresários e economistas têm afirmado que a economia brasileira não cresce porque o seu setor dinâmico, a indústria, foi transformado, predominantemente, numa coleção de maquiladoras, que não criam demanda para outras empresas, porque importam tudo. Assim, o emprego industrial é declinante, a produção retroage, a participação no PIB é cada vez menor - pois maquiladoras adicionam muito pouco valor ao produto – e as queixas sobre uma suposta queda na produtividade são farisaicas, pois, evidente, quando os componentes são importados, o avanço técnico é cada vez menor, se é que existe. Além disso, a desnacionalização não somente da produção, mas das próprias empresas (v. matéria nesta página), empurra a indústria mais ainda para a maquilação de importados. Daí a relação direta da desnacionalização e importação com a desindustrialização do país.

Resta dizer que nada disso é espontâneo, nada disso constitui “mudança estrutural determinada pela dinâmica” da indústria ou da economia, e nada disso, muito menos, é “mudança de paradigma”.

Pelo contrário, tudo isso é consequência deliberada de uma política econômica – ou, digamos de forma um pouco diferente, tudo isso constitui uma política econômica premeditada.

Vejamos, trimestre por trimestre, a variação da produção industrial no atual governo:

1T/2011: +0,8%;

2T/2011: 0,0%;

3T/2011: -1,1%;

4T/2011: -1,7%;

 

1T/2012: -0,9%;

2T/2012: -0,9%;

3T/2012: +1,5%;

4T/2012: -0,1%;

 

1T/2013: +0,9%;

2T/2013: +1,0%;

3T/2013: -1,4%.

Em 11 trimestres, a produção industrial somente aumentou - em relação ao trimestre imediatamente anterior - em quatro trimestres. Em seis trimestres a produção industrial caiu e em um trimestre a variação foi zero.

Isto em uma economia na qual a produção da indústria, no ano anterior (2010), crescera 10,5%.

O que significa esse panorama?

Significa que estamos diante de uma política econômica anti-industrial desde janeiro de 2011. Toda política contra - ou que não tem como centro - a indústria nacional é, necessariamente, inevitavelmente, um política anti-industrial, pois filiais de empresas externas, subsidiárias de multinacionais, são incapazes de industrializar um país ou mantê-lo industrializado, já que obedecem a uma dinâmica nacional que não é a nossa – o que se expressa por suas importações, que, sem uma política de prioridade para as empresas nacionais, destroem elos das cadeias produtivas internas; e pelas remessas de ganhos para a matriz, que, concretamente, reduzem os recursos para investimentos dentro de nosso país. Além disso, multinacionais são monopólios privados, sempre têm como mercado uma faixa estreita da população – a que tem dinheiro para consumir seus produtos, vendidos com sobrepreços para obter superlucros.

Vê-se, por aqui, o quanto é oco (infelizmente, somos obrigados a dizê-lo) o discurso da presidente Dilma na entrega do prêmio “as empresas mais admiradas do Brasil”, da revista “Carta Capital”. Depois de pintar de rosa o ambiente - e errar no índice semestral: “Tivemos uma aceleração do crescimento na primeira metade do ano, com uma expansão de 3,6% sobre os seis meses anteriores”. O crescimento semestral verdadeiro foi 2,6% - disse a presidente que “temos o importante desafio de acelerar ainda mais a expansão dos investimentos”.

Esse “ainda mais” é para passar a impressão de que há uma tremenda expansão dos investimentos no país, o que não é verdade. Reproduzimos os números referentes à variação da Formação Bruta de Capital Fixo (os gastos das empresas com máquinas, equipamentos e edificações) desde o último ano do governo Lula: 2010: +21,3%; 2011: +4,7%; 2012: -4,0%; 2013 (até 2º trimestre): +6%. Esse último aumento, de 6%, fez a taxa de investimento, que estava em 19,5% do PIB em 2010, chegar a 18,6%. Ou seja, na verdade é uma queda na taxa de investimento em relação ao governo Lula.

Não vai ser entregando o país a multinacionais que não querem investir no país – até porque não é para isso que elas existem - que a presidente Dilma conseguirá “acelerar a expansão dos investimentos”. Muito menos sonegando financiamentos do BNDES às empresas nacionais para desviá-los a essas multinacionais.

Sobre a disposição do governo para o investimento, apenas anotaremos que sua política até agora foi a de, este ano, derrubar os investimentos públicos orçamentários em -22,8% de janeiro a setembro, em relação ao mesmo período do ano passado e de deprimir o total do investimento público federal (Orçamento + estatais), que, em termos de PIB, permanece inferior ao de 2010.

Porém, vamos a uma questão óbvia: como é possível aumentar o investimento com os juros nas alturas e aumentando mais a cada 45 dias? Certamente, não é possível. O resto são palavras ao vento.

CARLOS LOPES


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