Desemprego industrial no país cresce pela 24ª vez consecutiva

Em setembro, o recuo é de -0,4% em relação a agosto. Em comparação com igual mês do ano passado, a retração no setor é de -1,4%

Os resultados do emprego industrial em setembro – a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES), do IBGE – merecem um comentário prévio.

Há duas semanas, no dia quatro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse às centrais sindicais que o governo pretendia diminuir os gastos com o seguro-desemprego, considerados “excessivos” por ele,  para passar recursos ao “superávit primário” - o desvio de dinheiro para juros. Mantega chegou a falar em “fraudes”, pois haveria pleno emprego no país, portanto não se justificariam os gastos com seguro-dsemprego. Depois de uma justa revolta dos líderes sindicais contra essas acusações, que só têm o objetivo de tirar dinheiro dos trabalhadores para passá-lo aos bancos – o dinheiro do seguro-desemprego não é do governo, mas dos que contribuem para formar o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) –, Mantega atribuiu tais “fraudes” aos empresários, o que também é injusto. Por sinal, o seguro-desemprego é concedido através da Caixa Econômica Federal, uma instituição do governo.

O que a PIMES de setembro revela é que Mantega quer acreditar no próprio marketing – se é que ele acredita no que disse, o que, por si, é duvidoso.

O desemprego é crescente na indústria. Esse é o motivo dos gastos do seguro-desemprego: a política econômica do governo, essencialmente anti-industrial, provocou uma crise na indústria, que se manifesta, no momento, principalmente pelo desemprego – nas palavras do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), “a indústria não vai bem porque a economia brasileira também não vai bem (…). O emprego é o dado que deixa transparecer, de forma reluzente, essa situação da indústria. (…) Essa crise do emprego industrial tem caráter generalizado. Em onze dos catorze locais e em onze dos dezoito setores investigados houve retração do número de ocupados no período janeiro-setembro” (cf. Análise IEDI, “Emprego industrial em crise aberta”, 12/11/2013).

O relatório do IBGE, talvez por se preocupar sobretudo com a exposição objetiva dos dados, adquire uma certa, apesar de involuntária, eloquência – em virtude do significado próprio desses dados:

O emprego industrial mostrou queda de 1,4% no índice mensal de setembro de 2013, vigésimo-quarto resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto (...). Nas comparações contra iguais períodos do ano anterior, o total do pessoal ocupado assalariado recuou tanto no fechamento do terceiro trimestre de 2013 (-1,2%), como no índice acumulado dos nove meses do ano (-0,9%). (…) No confronto com igual mês do ano anterior, o emprego industrial recuou 1,4%” (cf. IBGE, PIMES, p. 10, grifo nosso).

Ou, senão:

Na análise por trimestres, observa-se que o emprego industrial, ao recuar 1,2% no terceiro trimestre de 2013, apontou o oitavo trimestre consecutivo de resultados negativos, aumentando a intensidade no ritmo de queda frente ao índice do segundo trimestre do ano” (idem, p. 12).

Mas também na comparação com o mês imediatamente anterior:

Em setembro de 2013, o total do pessoal ocupado assalariado na indústria mostrou queda de 0,4% frente ao patamar do mês imediatamente anterior, (…) acumulando nesse período perda de 1,7%. (…) Ainda na série com ajuste sazonal, na comparação trimestre contra trimestre imediatamente anterior, o emprego industrial apontou recuo de 0,9% no terceiro trimestre de 2013, após assinalar taxas negativas no primeiro (-0,2%) e segundo (-0,1%) trimestres do ano” (idem, p. 10).

Não há emprego no setor de serviços, por mais que tenhamos apreço pelas manicures e pelas depiladoras, que compense esse estrago crescente no emprego industrial – até porque os salários no setor de serviços são menores que na indústria.

O aumento do desemprego industrial corresponde a um processo geral de atrofia da indústria, provocado por juros altos, corte no investimento, nos gastos e no financiamento público, taxa de câmbio manipulada contra a produção nacional para estimular importações - e estímulo continuado à desnacionalização da economia, com vênias continuadas ao “investimento direto estrangeiro” (IDE), que entra no país para tomar empresas já construídas por brasileiros.

Assim, as médias empresas e a produção de bens intermediários, setores onde sempre se localizou o principal contingente das empresas nacionais, estão, literalmente, encolhendo, diminuindo sua participação no conjunto da economia.

O resultado é que a própria indústria de transformação, o setor chave para o crescimento, está reduzindo cada vez mais o seu peso. Para que o leitor tenha uma ideia, vejamos alguns números sobre a participação da indústria de transformação no conjunto do valor adicionado – ou seja, no PIB – da economia (a fonte é o IBGE):

1947: 19,89%

1955: 21,16%

1961: 27,85%

1964: 27,10%

1980: 33,70%

1985: 35,88%

1994: 26,79%

2002: 16,85%

2004: 19,22%

2012: 13,25%

Em suma, o peso atual da indústria de transformação no PIB é inferior ao do governo Dutra, há 66 anos. Na década de 80 (a chamada “década perdida”) a participação da indústria de transformação era semelhante à que existe na China atual. Depois, ela caiu no governo Collor e no governo Fernando Henrique, tem ainda uma recuperação no governo Lula, para hoje se reduzir apenas a 13,25%, provavelmente menos, pois ao longo de 2013 a perda de peso da indústria de transformação continuou.

Como se chegou a isso? Pela destruição de elos da cadeia produtiva, basicamente pela substituição da produção de bens intermediários por importações – sem esquecer a participação dos outros setores, onde isso também ocorreu: o setor de bens de consumo (duráveis e não duráveis) e o setor de bens de capital. Obviamente, na medida em que a economia se desnacionaliza, esses elos das cadeias produtivas são detonados, pois as filiais de multinacionais pertencem a cadeias produtivas externas – daí o aumento das importações.

Seria inevitável que essa situação se refletisse no emprego – e, antes de tudo, no emprego industrial. Infelizmente, a continuar essa política econômica, é só o começo.

CARLOS LOPES

 

 

 

 

 


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