Vice do PT: texto de baixaria foi da “equipe que cuida do facebook”

Alberto Cantalice desvinculou o artigo da posição oficial do partido. Deputado Vicentinho também criticou o texto

O líder do Partido Socialista Brasileiro (PSB) na Câmara dos Deputados, deputado Beto Albuquerque (RS), divulgou nota (ver íntegra abaixo) na quarta-feira (8), em nome do partido, respondendo às baixarias contra o governador e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, publicadas na última segunda-feira (6), na página oficial do PT nas redes sociais. "Fica evidente o desespero da direção do PT frente à discussão democrática do PSB em ter candidato próprio à Presidência da República em 2014", diz a nota. "Tal desespero só demonstra a força das ideias e do debate que o PSB está propondo, sendo a real alternativa para que o Brasil avance nas mudanças que o povo brasileiro clama e precisa", prossegue o líder socialista.

O artigo apócrifo do PT causou mal-estar até mesmo entre membros do próprio partido. A iniciativa de alguns setores do PT de promover esses ataques causou bastante embaraço na direção do partido e levou o vice-presidente, Alberto Cantalice, a explicar que o que foi escrito no artigo do facebook "não representa a posição oficial do partido". Ele não identificou o autor do texto, mas insistiu que as notas com posições oficiais do partido são sempre assinadas pela executiva. Ou seja, o vice-presidente do PT procurou deixar claro que a histeria revelada no artigo contra Eduardo Campos e Marina Silva não representa o PT. "O artigo foi produzido pela equipe que cuida do Facebook", argumentou. "As notas oficiais são discutidas sempre em reunião e assinadas pela direção do PT. Não foi esse caso", salientou Cantalice. O futuro líder do PT na Câmara dos Deputados, Vicente Paulo da Silva (SP), o Vicentinho, fez duras críticas ao texto do facebook e cobrou respeito "aos aliados e ex-aliados". "Eu não faria isso. Temos de ter uma postura respeitosa com aliados e ex-aliados", resumiu o deputado.

O documento eivado de sectarismo e carregado de ódio contra o governador pernambucano fez lembrar, em alguns de seus trechos, os métodos obscuros e violentos usados muitas vezes pelo tucano José Serra nas eleições passadas e em outras ocasiões. Entre outras coisas, o reles texto diz que Eduardo Campos se mostrou um "tolo", acusa-o de "vender a alma à oposição" e de não ter "compostura pol[ítica". Sem falar da grosseira menção ao avô de Eduardo, o combativo líder Miguel Arraes.

A ira de setores do PT atingiu também, e de forma bastante desrespeitosa, a ex-ministra Marina Silva, dirigente da Rede Sustentabilidade (Rede) e aliada de Eduardo Campos.

O deputado Beto Albuquerque destacou que a divulgação do artigo "revela que a parcela que hoje domina o PT perdeu completamente seu espírito republicano, abandonou seu norte político e transformou-se numa seita fundamentalista". Albuquerque ponderou que não se pode ter um comportamento tão sectário assim em política. Segundo o socialista, a nota só pode significar desespero porque "ataca qualquer um, mesmo sendo um importante ator do campo das esquerdas que discorde em qualquer medida da atual condução política e econômica do país e das velhas práticas políticas que se assiste em Brasília".

"É impossível negar os avanços que o Governo de Pernambuco obteve nos últimos sete anos, sob o comando do presidente nacional do PSB, Eduardo Campos", frisou Albuquerque. "Alegar que o sucesso do Governo de Pernambuco deveu-se a ajuda federal é, no mínimo, ingênuo, pois tal ajuda se fez presente a todos os Estados, inclusive aqueles dirigidos pelo PT", acrescentou. Ele fez questão de lembrar que, apesar disso [recursos a todos os Estados], "nem todos tiveram a mesma capacidade de formulação de projetos, planejamento e execução que o Governador Eduardo Campos, o mais bem avaliado e aprovado do país, reeleito com a maior votação da história do seu Estado".

A resposta da direção do PSB prossegue dizendo que vai "manter-se firme na propositura de mudanças profundas na forma de se fazer política no Brasil, resgatando a dignidade dos partidos e agentes políticos, tão desgastados pela descompostura daqueles que hoje formam a aliança que dirige Brasília". Já o Palácio do Planalto deu ordem para não se comentar o assunto. Segundo interlocutores de Dilma, partido é partido, governo é governo. Nos bastidores, porém, o comentário é de que nem partido nem governo se beneficiam com esse tipo de episódio.

O governador Eduardo Campos minimizou o ocorrido em sua página nas redes sociais e garantiu que seguirá em frente "no projeto de mudar a política brasileira, de promover novas formas de se relacionar com aliados e de retomar o crescimento econômico". "Em respeito às inúmeras pessoas que mandaram mensagens, direi apenas que sigo firme no debate de alto nível sobre o Brasil, sobre a construção de uma nova política que transforme verdadeiramente a vida das pessoas e do país. O resto a gente ignora. Porque, enquanto os cães ladram, a nossa caravana passa", salientou Eduardo. Ele concluiu dizendo que não falaria mais sobre o assunto porque ficou satisfeito com a nota divulgada pelo líder Beto Albuquerque.

SÉRGIO CRUZ


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