PNAD Contínua derruba fraude governista do ‘pleno emprego’

Desemprego é 7,1% da força de trabalho e não os 4,9% que o governo tilintava em sua propaganda enganosa  

Finalmente, apesar das pressões do Planalto, foram publicados, na última terça-feira, os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do primeiro trimestre deste ano. O desemprego está, por essa pesquisa, em 7,1% da força de trabalho, número bastante superior aos 4,9% da caduca Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que o governo marketeava como suposta prova de "pleno emprego".

Qual a diferença entre as duas pesquisas?

A principal é a seguinte:

1) "a abrangência geográfica da PNAD Contínua é todo o território nacional" (v. IBGE, "PNAD Contínua - Notas Metodológicas", vol. 1, Rio, 2014, p. 21, grifo nosso).

2) "a PME abrange as Regiões Metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre" (v. IBGE, "Pesquisa Mensal de Emprego", Série Relatórios Metodológicos, vol. 23, p. 10).

AMPLA

Sinteticamente: a antiga abrange somente seis regiões metropolitanas. A PNAD Contínua abrange todo o país. A diferença na "taxa de desocupação desta última em relação a antiga PME é de +44,9%. Não é difícil, evidentemente, descobrir qual é a mais confiável, ou seja, qual delas expressa melhor a realidade. Como não existem duas realidades, é exatamente por essa razão que a PME vai ser suspensa definitivamente – porque sua confiabilidade é muito menor, porque, na verdade, ela falseia a realidade; por isso será substituída pela PNAD Contínua, elaborada pelo IBGE nos últimos 10 anos.

No entanto, o governo fez o diabo para que a PNAD Contínua deixasse de ser publicada – para que o público, pelo menos até as eleições, só tomasse conhecimento da moribunda PME. Agora, com a publicação dos resultados da PNAD Contínua, é evidente – tal como denunciamos (v. HP 18/04/2014) - por que o Planalto tanto se empenhou para impedir que os seus resultados fossem divulgados.

Porque a campanha da srª Rousseff é uma marketagem sem escrúpulos de um "pleno emprego" que não existe. Exceto essa fraude, no entanto, a presidente tem outras coisas para dizer na campanha: por exemplo, que, traindo seu compromisso na campanha anterior, escancarou o pré-sal - e logo o maior campo petrolífero do mundo - para a Shell e a Total; ou que esculhambou com o setor elétrico, que virou uma casa de doidos, embora, sempre em benefício dos monopólios externos; ou que derrubou o crescimento de 7,5%, como foi no último ano de Lula, para, hoje, 0,16%; ou que arrasou a produção industrial, que, no mesmo período, foi de +10,5% para -5,8%. Não é uma tremenda agenda de realizações?

Os fatos são recentes: a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR), até há pouco chefe da Casa Civil, pressionou a presidente do IBGE, Wasmália Barata Bivar, para que a PNAD Contínua somente voltasse a ser publicada após as eleições – portanto, o público somente teria acesso à antiquada PME.

A sr ª Barata Bivar obedeceu e suspendeu a divulgação dos resultados da PNAD Contínua até 2015, com um pretexto que nem vamos repetir para não ocupar espaço – ou o tempo do leitor. Com isso, o governo provocou a maior crise no IBGE desde a sua fundação, pelo presidente Getúlio Vargas, em 1938. Em protesto, demitiram-se a diretora de pesquisas, Márcia Quintslr, a coordenadora-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), Denise Britz do Nascimento Silva; colocaram seus cargos à disposição 18 coordenadores e gerentes de pesquisa; e 45 profissionais assinaram um manifesto dirigido à população, denunciando a ingerência para cancelar os resultados da PNAD Contínua.

A presidente do IBGE foi, então, obrigada a revogar suspensão da PNAD Contínua.

Agora, depois da publicação, a ministra Miriam Belchior tenta uma manobra diversionista, usando uma comparação para mostrar que o desemprego diminuiu. Se usássemos outra comparação, constataríamos que o número de desempregados aumentou em quase um milhão nos primeiros três meses do ano. Mas esse jogo de comparações não tem grande importância.

O que realmente importa é que uma "taxa de desocupação" de 7,1% nada tem de baixa. É disso que a prestidigitação da ministra Belchior procura desviar a atenção das pessoas.

Uma taxa de 7,1% é alta, inclusive em termos internacionais. Até o México, país com a desgraça do Nafta a emperrar seu crescimento, tem uma taxa de desemprego menor que essa (4,5%). Além disso, a da China é 4,1%; a da Rússia, 6,2%; a da Malásia, 3%; a da Indonésia, 6,1%; a de Myanmar é 4%; a do Japão é 3,9%; a da Coreia do Sul, 3,1%; a da Bolívia é 6,3%; a do Cazaquistão, 5,2%; a do Equador, 5%; a da Austrália é 6,2%; a do Azerbaidjão, 6%; a do Chile, 6,1%; a do Vietnã, 4,4%; a da República Dominicana, 6,1%; e a da Bielorrússia é apenas 0,6% (cf. FMI, World Economic Outlook Database, April 2014).

Até os EUA, com um notório, crônico e gigantesco problema de desemprego, estão, por critério semelhante ao da PNAD, com uma taxa de 6,3% (cf. U.S. Bureau of Labor Statistics, "The employment situation - April 2014").

Observe o leitor que uma "taxa de desocupação" de 7,1% corresponde a 7.002.000 (sete milhões e duas mil) pessoas desempregadas. Estes, evidentemente, não são todos os desempregados, pois há 2,7 milhões de pessoas classificadas como "trabalhador familiar auxiliar" que são, evidentemente, desempregados, pois esse trabalhador é definido como "pessoa que trabalhava sem receber pagamento, durante pelo menos uma hora na semana de referência, em ajuda a membro da unidade domiciliar que era [trabalhador por] conta própria, empregador ou empregado" (Notas metodológicas, p. 20).

Somente esta soma já elevaria os desempregados para 9,7 milhões.

Além do que, é evidente que entre os "trabalhadores por conta própria" (que são 20,9 milhões, pela PNAD Contínua) há muitos que são, rigorosamente, apenas desempregados.

DISCURSOS

Mas é desnecessário, por agora, abordar os meandros da PNAD Contínua, ou mesmo o fato de que ela aponta que somente 65% da força de trabalho (63,9 milhões em 98,2 milhões de pessoas) está realmente empregada.

Também só mencionaremos de passagem àqueles que foram excluídos da força de trabalho porque não procuraram emprego na "semana de referência". Há 62,6 milhões de pessoas que não fazem parte da força de trabalho. Uma parcela deles também é composta por desempregados.

Com essa realidade, não é possível tratar da questão do desemprego – e dos desempregados - com a leviandade que a atual presidente manifesta, com a invenção de "plenos empregos", painéis cor-de-rosa pintados com a tinta própria da charlatanice e até revoluções espectrais que criam novas classes – sempre médias – da noite para o dia.

Mesmo se contarmos como desempregados somente os "não-ocupados" da pesquisa, tal como o governo fez, isto significa que sete milhões de brasileiros estão sem emprego, o que tem tanto a ver com "pleno emprego" quanto os discursos da presidente Dilma - isto é, nada.

E, certamente, quem acha que sete milhões é pouco, deveria ser obrigado a ficar um mês desempregado. Podemos apostar que, rapidamente, mudaria de opinião ou morreria de fome – ou as duas.

CARLOS LOPES


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