Crise econômica, Santander e os cristãos novos de Dilma

Para a presidenta, 2,5% é maior que os 5% e 7,5% da Índia e da China. “Zera a economia”, disse a veneranda

Segundo a presidente Dilma, na "sabatina" promovida pelo jornal Folha de S. Paulo, "em relação a Israel, eu tenho uma grande consideração, até porque, grande parte de brasileiros são cristãos novos".

"Cristãos novos"? Papagaio! Quando será que eles vão deixar de ser "novos"?

Quase não vale a pena observar que Dilma ainda não sabe que a crença de que os Pereiras, Oliveiras, e outros, são descendentes de judeus convertidos é mera bobagem. Mas ela até descobriu que todo sujeito que há 500 anos teve um antepassado judeu é um "cristão novo". Caramba!

Mas... o que isso tem a ver com Israel? Será que ela acredita que Israel representa os judeus? Ou que Israel representa quem teve um ascendente judeu há 500 anos?

Besteirol à parte, é impressionante como, até quando toma uma decisão acertada, como a retirada do embaixador brasileiro em Israel, Dilma sente necessidade de bajular até mesmo um esbirro do imperialismo, um protetorado norte-americano que se dedica a assassinar crianças e mulheres indefesas. Mas, disse ela, "está havendo um massacre, não um genocídio" - importante discussão conceitual a que as crianças palestinas muito agradecem o aporte da nossa presidente, que, talvez por isso, disse, também, "o embaixador oportunamente vai voltar. Não há ruptura nem nada".

Que efeito pode ter a retirada do embaixador depois disso, dito mesmo com os insultos dos meliantes do governo israelense ao Brasil?

Mas, em Dilma, o lado da mentira é ainda pior que o lado da covardia. Ou, talvez, seja o mesmo.

Sua campanha vive de factoides, falsificações no lugar dos fatos. Tenta-se repetir, em tudo, a campanha de Lula, mesmo quando a repetição não é mais do que comédia.

Agora, tenta-se fabricar um "caso Regina Duarte" com o Santander. A diferença é, apenas, que o original era uma tentativa mentirosa de incutir medo contra Lula. Já no atual, o que o Santander disse aos seus clientes mais ricos é verdade: a continuação de Dilma no Planalto (isto é, a continuação da política econômica de Dilma) significaria a explosão da economia brasileira, como todos os dados e indicadores demonstram. Quem é que, nos meios políticos ou econômicos, não sabe disso, a começar pelo Banco Central, que acaba de rebaixar, no Boletim Focus, a previsão de crescimento para nanométricos 0,9%? Somente quem não quer saber – ou finge, por adesividade ao cargo, não saber.

O presidente Lula, tentando apoiar Dilma, observou que o Santander foi um dos bancos mais beneficiados com a política do governo. É verdade: entre janeiro de 2011 e junho de 2014, o Santander auferiu um colossal lucro líquido de R$ 20 bilhões e 391 milhões, graças aos juros irracionais do governo Dilma. E Lula poderia ter acrescentado que a filial do Santander no Brasil é a mais lucrativa de todas, responsável por mais de 20% do lucro líquido mundial do grupo (em alguns anos, como 2011, quase 30%; e sempre mais que o dobro da matriz na Espanha).

Por isso mesmo, não querem perder dinheiro. Depois de refestelar-se sob Dilma, se a economia estivesse uma maravilha, por que iria avisar aos seus clientes mais ricos que ela está a ponto de explodir? É óbvio que a situação é tão grave que até os beneficiários da orgia financeira estão se acautelando.

Resta saber, agora, qual foi a maior palhaçada:

Se Dilma dizendo que acha "inadmissível", "inaceitável" o que disse o Santander, mas que "não sei o que farei", talvez "conversar pessoalmente com o CEO do banco", pois conhece ele "bastante bem", depois de declarar que "um país não deve aceitar uma interferência de qualquer instituição financeira de qualquer nível" (como se fosse possível a um país não aceitar a interferência de qualquer instituição financeira, especialmente as estrangeiras, quando a presidente deste país, ao invés de governar, não faz outra coisa senão aceitar essas interferências).

Ou se o Santander, jurando que "reitera sua convicção de que a economia brasileira seguirá sua bem-sucedida trajetória", com seu presidente mundial, Emílio Botín, aparecendo para dizer que "seguimos invirtiendo y animando a todo el mundo a que invierta en Brasil" e que o relatório "no es del banco", mas de um "analista" que "não consultou seus superiores" (como se os analistas de banco não soubessem o que os "seus superiores" pensam - e não fizessem seus relatórios, precisamente, em função desse conhecimento dos "seus superiores").

Durante o governo Dilma, o país teve o mais baixo crescimento econômico da sua História (com exceção apenas de Collor, que nunca foi um governo). Daí, é um acinte a sua chefe dizer que o problema é que "a partir de 2010, 2011, tivemos uma piora no que se refere a crise em relação aos emergentes".

Nesse caso, não é ignorância. Ela sabe que está mentindo.

Em 2010, último ano do governo Lula, a média de crescimento dos países "emergentes" foi 7,5% - e o Brasil cresceu, também, 7,5%.

Em 2011, os "emergentes" cresceram 6,4% - e o Brasil, 2,7%.

Em 2012, os "emergentes" cresceram 5,1% - e o Brasil, 1%.

Em 2013, os "emergentes" cresceram 4,7% - e o Brasil, 2,5%.

Em 2014, a última projeção para o crescimento dos emergentes é 4,6% - e a do Brasil, 0,9% (cf. IMF, World Economic Outlook; IBGE, Contas Nacionais Trimestrais; e BC, Boletim Focus).

A política anti-industrial de Dilma, sua adesão à política tucana de juros altos, câmbio a favor das importações e estímulo à desnacionalização e desindustrialização derrubaram o nosso crescimento, que estava na média dos "emergentes" (7,5% em 2010) para abaixo dos demais – e também abaixo da média mundial e até da média da América Latina. Mas, segundo Dilma, "nenhum país se recuperou" (sic). A começar pelo Brasil, é falso. A maioria dos países emergentes nem entrou em crise. A derrubada do crescimento no Brasil, a partir de 2011, nada teve a ver com qualquer crise dos "emergentes".

Mas, ela continuou: "Tanto a Índia como a China tiveram reduções grandes em sua taxa, de 10%, está [agora] próxima do que eles consideram que zera a economia, a mesma coisa com a Índia. Nós crescemos no ano passado 2,5%".

A China cresceu 9,3% (2011); 7,7% (2012); 7,7% (2013) e a projeção para 2014 é 7,4%.

A Índia cresceu 7,7% (2011); 4,7% (2012); 5% (2013) e a projeção para 2014 é 5,4% (cf. IMF, WEO).

Portanto, esse "eles consideram que zera a economia" é mentira, porque os chineses e indianos não são doidos para achar que taxas em torno de 5% e 7% "zeram a economia".

Os 2,5% que a economia no Brasil cresceu em 2013, não são apenas medíocres: são o 119º (centésimo décimo nono) crescimento do mundo entre 188 países (cf. IMF, WEO Database, April 2014).

Mas, disse ela, "como que esse país vai entrar nessa crise? No mundo inteiro, dos 20 maiores países, quantos fazem superávit primário? São seis, e um é o Brasil. Nós temos robustez fiscal".

Logo, a economia brasileira vai bem não porque cresceu – 2,5% é mais estagnação do que crescimento – mas porque o governo desvia o dinheiro público das necessidades do povo para os cofres dos bancos, sob a forma de juros. É a isso que se chama "superávit primário".

De onde se conclui que o Santander é um antro de especuladores e de aproveitadores – mas não é burro. Não há como isso não afundar no pântano – e a curto prazo.

CARLOS LOPES


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