“Nenhum país desenvolvido abre mão de ter indústria”, diz Eduardo

“O Brasil precisa de um presidente com compromisso de defender a indústria brasileira”, disse na Abimaq  

Em um debate seguido de entrevista, promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), na última quinta-feira (7), o candidato à presidência da República pela Coligação Unidos pelo Brasil (PSB, REDE, PPL, PPS, PHS, PRP e PSL), Eduardo Campos, alertou os empresários que lotaram o auditório da entidade, em São Paulo, para a seriedade da crise vivida pelo setor durante a administração de Dilma Rousseff. "A indústria brasileira vive um dos mais duros momentos dos últimos 40 anos", disse Eduardo Campos.

"Nós estamos vivendo um processo de desindustrialização", denunciou o candidato. "Os melhores empregos no Brasil estão sendo perdidos nesse momento, são os empregos industriais", alertou o ex-governador, ao defender enfaticamente a necessidade de medidas de defesa da indústria nacional. "Só no último semestre a indústria de bens de capital, que são as fábricas que fazem fábricas, reduziu em 30% as suas vendas. É uma situação de UTI", acrescentou. "Nós estamos derretendo empregos, demitindo pessoas, reduzindo a expressão da indústria no conjunto da produção da riqueza", destacou o palestrante.

Eduardo propôs medidas que "podem tirar a indústria de máquinas da UTI". "São necessárias medidas de curtíssimo prazo, de médio e longo prazo para salvar a indústria brasileira", prosseguiu. "Não há nenhum país desenvolvido que abriu mão de ter indústria", disse o candidato. Ele reafirmou que "a indústria é fundamental para o desenvolvimento, inclusive dos outros setores da economia. Ela é fundamental para o desenvolvimento da pesquisa, da ciência da inovação". "Muita coisa que a indústria inventa termina sendo muito útil para o setor de serviços, para a agricultura, para o próprio setor público", lembrou Eduardo Campos.

Ele disse concordar que o Brasil "tem que ter mais inserção no comércio exterior, que o Brasil tem que ser um país mais aberto ao comércio exterior, que a indústria brasileira tem que buscar produtividade, investir em inovação", mas, alertou o candidato, "esse processo se dá numa transição". "Assim fizeram todos os países que têm uma indústria forte hoje", acrescentou Campos, frisando que "isso passa sim por ter política de conteúdo local". "Uma política que não agrida nenhuma norma de comércio exterior, nenhum tratado que o Brasil tenha assinado, mas sem abrir mão da nossa indústria", acrescentou. "Temos que usar os mecanismos que as grandes nações do mundo usam para defender sua indústria. Os EUA usam, a União Européia usa, a China usa muito, o Japão usa", apontou.

Eduardo disse ainda que "todos os paises desenvolvidos do mundo defendem a sua indústria e o Brasil precisa fazer o mesmo". "Respeitar os tratados de comércio exterior, ter uma visão de longo prazo que aposte na produtividade, mas defender a indústria brasileira neste momento é fundamental", argumentou. Com isso, enfatizou, "estaremos defendendo os empregos que estamos exportando". Eduardo alertou para o fato de que "são muitas fábricas no Brasil que estão demitindo". "Outras tantas estão reduzindo jornada e salário", denunciou. "O Brasil precisa de um presidente que assuma o compromisso de defender a indústria brasileira", afirmou Campos.

Entre as medidas de curto prazo apontadas pelo candidato da Coligação Unidos pelo Brasil estão desonerações de bens de capital, melhoria no crédito e ampliação do mercado externo, "para o Brasil exportar mais". Segundo Eduardo, "com esse aumento da exportação poderemos garantir os empregos aqui dentro". "Podemos incentivar os empresários a fazerem a modernização do parque fabril brasileiro", assinalou. "As fábricas no Brasil em média têm 17 anos, essa é a idade média das máquinas, nos EUA essa idade é de 7 anos", lembrou o candidato.

Ele criticou os erros e "sobressaltos" do governo Dilma na condução da política econômica e afirmou que, entre outra coisas, isso fez com que "os juros fossem lá prá cima". Segundo Eduardo, o fato dos juros estarem muito altos "fez com que o câmbio fosse parar num lugar que não deveria ir". "Uma boa governança macroeconômica colocará o câmbio no lugar certo", garantiu o presidenciável. Ele defendeu também que o BNDES continue apoiando a indústria nacional. Perguntado qual seria o tamanho do banco em seu governo, ele respondeu que ele "será do tamanho necessário". "Sempre o BNDES esteve financiando a indústria de equipamentos no Brasil", lembrou, acrescentando que "o Brasil tem, há muitos anos, programas com juros de classe mundial para aqueles que querem comprar equipamentos e modernizar seu parque fabril".

Ao ser questionado na entrevista sobre rumores de que haveria aumentos de tarifas logo no início de seu governo, Eduardo foi taxativo: "quem falou em aumento da gasolina foi o ministro Mantega", denunciou. "Essa semana mesmo ele já falou do aumento da gasolina", rebateu o candidato. "O que eu tenho dito e reafirmado, e o Brasil todo já sabe, é que a presidenta Dilma está guardando dentro da gaveta dois aumentos para depois da eleição, o da energia e do combustível", denunciou. "Não sou só eu que estou falando isso, vocês [jornalistas] escrevem sobre isso, a própria Aneel (Agência Nacional de energia Elétrica) falou do aumento da energia, o próprio ministro Mantega falou do aumento do combustível. Eles estão tentando esconder do povo brasileiro que dentro da gaveta da presidenta Dilma estão dois aumentos para depois da eleição, o aumento do combustível e da energia", completou Eduardo Campos.

SÉRGIO CRUZ


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