Executivos das empreiteiras admitem que pagaram propina

Vice-presidente da Mendes Júnior disse que pagou R$ 8 milhões para garantir seus interesses na refinaria do Paraná 

Integrantes do cartel das empreiteiras presos na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, começaram a admitir - ainda que timidamente - que pagaram propina gorda a diretores da Petrobrás para obterem as obras que foram superfaturadas. Eliminando qualquer arremedo de concorrência, o "clube do bilhão", como ficou conhecido o cartel, passou a assaltar acintosamente os cofres da estatal com sobrepreços milionários, com uma morosidade inaceitável no ritmo das obras e com seguidos e bilionários aditivos que dobravam, e até triplicavam, os valores dos contratos.

Só para se ter uma idéia da dimensão do assalto que esse esquema propiciou aos cofres da Petrobrás, vamos citar aqui o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que nos informa - com um certo atraso, é verdade - que as pessoas físicas e jurídicas (diretores da Petrobrás, operadores e membros do cartel) investigadas na Operação Lava Jato fizeram movimentações consideradas atípicas no valor de R$ 23,7 bilhões entre 2011 e 2014. Segundo o Coaf, só em espécie, o grupo movimentou R$ 906,8 milhões. Ou seja, nas barbas do governo uma hemorragia bilionária dos recursos da Petrobrás. E ainda assim, a presidente da estatal, Graça Foster, afirmou na terça-feira que "não há provas avassaladoras" e que vai "manter os contratos com essas empresas".

Os executivos da Toyo Setal, empresa que tem contratos de cerca de R$ 4,5 bilhões com a Petrobras, Júlio Camargo e Augusto Mendonça Neto, investigados pela Polícia Federal e que assinaram acordos de delação premiada para evitar serem presos, já haviam relatado, em depoimentos à Justiça, que pagaram propina de até R$ 60 milhões ao ex-diretor da Serviços da estatal, Renato Duque, entre 2008 e 2011. Duque foi apontado por Costa, Camargo e Alberto Youssef, como operador do PT, junto com João Vaccari Neto, tesoureiro nacional do partido, nos esquemas de propina na Petrobrás.

Júlio Camargo informou também em seu depoimento a existência de uma conta na Suíça que seria controlada por Duque. Disse ter repassado a esta conta R$ 12 milhões pela conquista de uma obra na refinaria Repar, em Araucária (PR), por um consórcio formado pela Camargo Correa e a Promon Engenharia. Ele disse que o pagamento da propina se dava na maior parte no exterior, em contas indicadas por Duque e Barusco. O presidente e sócio-majoritário da UTC, Ricardo Pessoa, também informou à Polícia Federal que pagou propina de 2,2 milhões de reais a Duque. Em suma, os executivos começaram a abrir uma pequena parte de seu esquema de propinas na Petrobrás.

Calcula-se que somente no esquema de lavagem de dinheiro de Alberto Youssef tenham sido movimentados cerca de R$ 10 bilhões. E este, segundo relato de Paulo Roberto Costa e do próprio doleiro, era o esquema menor. "Nas diretorias onde dominava o PT os 3% iam integralmente para o partido. Onde nós operávamos - que no caso, era o esquema do PP - 1% ficava conosco e 2% ia para o PT", disse Costa, em depoimento à Justiça.

Somente o ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços, Pedro Barusco, que era braço direito de Renato Duque, e que assinou acordo de delação premiada, comprometeu-se a devolver cerca de US$ 100 milhões (R$ 254 milhões). Se Pedro Barusco, que era o segundo na hierarquia, abaixo de Duque, vai devolver sozinho todo esse dinheiro, pode-se imaginar quanto terá sido desviado pelo esquema principal. A força-tarefa do Ministério Público responsável pelas investigações tinha como meta recuperar cerca de R$ 500 milhões para os cofres públicos, mas, só com os primeiros quatro que assinaram acordo, esse valor já passa de R$ 400 milhões.

Em um outro depoimento, o vice-presidente executivo da Mendes Júnior, Sérgio Mendes, disse que pagou R$ 8 milhões em quatro parcelas, entre julho e setembro de 2011, para garantir seus "interesses" na obra da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. Ele declarou que os pagamentos das propinas foram feitos para o doleiro Alberto Youssef que, segundo ele, "agia em nome do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa". O executivo relatou ainda que fez os pagamentos para empresas de Youssef, apontado como o operador do esquema do PP.

Na segunda-feira (17), outro executivo afirmou ter pago a Paulo Roberto Costa e também a Renato Duque. Ao pedir a prorrogação da prisão temporária do ex-diretor de Serviços, por mais cinco dias, a PF considerou as declarações do executivo da Galvão Engenharia. "Foi reconhecido por Erton Medeiros Fonseca o pagamento de vantagens ilícitas no âmbito da Diretoria de Serviços, à época em que o cargo era ocupado por Renato Duque, corroborando com os elementos iniciais que apontam à responsabilidade de Renato Duque", assinala a Polícia Federal. "As provas apontam que ele [Renato Duque], à semelhança de Paulo Roberto Costa e de Pedro Barusco mantém verdadeira fortuna em contas secretas mantidas no exterior", escreveu o juiz federal Sérgio Moro, em seu parecer pela prorrogação da prisão de Duque.

Sérgio Moro, que conduz os processos do caso, determinou também na terça-feira (18), a quebra do sigilo bancário de Renato Duque e de três empresas que seriam usadas por ele e pelo operador do PMDB no esquema, Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano. Baiano se entregou na terça-feira em Curitiba e teve também a quebra de sigilo decretada. Foram decretadas ainda as quebras de sigilo de 14 executivos presos.

A CPMI que investiga o esquema de propinas e o assalto aos cofres da Petrobrás decidiu também na terça-feira pela quebra do sigilo bancário de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, e pela convocação de Paulo Roberto Costa - para acareação com Nestor Cerveró - e de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, afastado do cargo recentemente.

SÉRGIO CRUZ

 


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Executivos das empreiteiras admitem que pagaram propina

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