Para sindicalistas, veto à correção do IR é confisco ao salário dos trabalhadores

A notícia do veto da presidente Dilma à correção na tabela de imposto de renda foi classificada pelos sindicalistas como mais uma medida tirada de seu "saco de maldades" contra os trabalhadores.

Na última terça-feira (20), o texto aprovado pelo Congresso Nacional que corrigia em 6,5% (compatível com a inflação do ano passado) a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), foi vetado. O reajuste será de 4,5% (o que equivale à meta irreal de inflação do governo), conforme anunciado, aumentando o peso do imposto sobre os salários.

"É a política Robin Hood ao contrário, ou seja, a promoção do aumento da desigualdade", afirma o presidente da Força Sindical, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes e da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, Miguel Torres, por nota.

Nesta lógica, diz a Força, o governo privilegia suas metas fiscais e "tira justamente de quem produz, ganha salário base e depende de benefícios de valores irrisórios para sobreviver".

"Os trabalhadores estão pagando por todas as contrapartidas que o governo federal não exigiu dos que receberam vultosos subsídios nos últimos anos e das grandes fortunas, que não pagam impostos e continuam acumulando riqueza", denuncia.

Para a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), com o veto "o governo Dilma mostrou mais uma vez para quem governa: bancos e grandes conglomerados, sobretudo estrangeiros. Tudo em nome de um ‘ajuste fiscal’ que não passa de ações para engordar o famigerado superávit primário, o desvio de recursos para pagamento de juros", diz nota do presidente Ubiraci Danta de Oliveira, o Bira.

Atualmente – e com o veto da correção – quem recebe acima de R$ 1.787,78, ou passa a receber por causa de um aumento salarial, mesmo que este só corrija a inflação, já é obrigado a contribuir. Sem corrigir pela inflação oficial, os rendimentos são corroídos e sacrificados pelos impostos.

Caso houvesse correção, a obrigação só recairia sobre rendas acima de R$ 1.903,98. Ainda assim, não recomporia as perdas acumuladas desde 1996, que se fossem corrigidas hoje, tornariam isentos trabalhadores com rendimentos de até R$ 2.937,12.

"Salário de R$ 1,7 mil não é renda, é sobrevivência. Quem ganha até R$ 3 mil tem o suficiente para sobreviver. A contribuição do imposto de renda tem que ser acima disso", defende o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS), Claudir Nespolo. "Se transfere renda de quem mais precisa para quem menos precisa. O País não vai encontrar o curso do seu desenvolvimento se render-se ao apelo do rentismo", diz. Quando a presidente anunciou o veto, alegou que o reajuste levaria a um impacto fiscal de R$ 7 bilhões.

"Enquanto continua concedendo com uma série de isenções fiscais aos patrões, como faz com a política de desoneração da folha de pagamento, o governo Dilma esfola os trabalhadores com impostos ainda mais altos. A respeito do veto à correção da tabela do Imposto de Renda, o governo Dilma se apropria indevidamente dos reajustes conquistados pelos trabalhadores, mesmo que estes só tenham reposto a inflação. Outra palavra para isso é roubo", criticou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.

"O que podemos apurar é que quem vai carregar o peso de todas essas medidas é o trabalhador. Ao final, essas decisões todas serão suportadas pelo consumidor final. É o que está por trás dessa lógica e que nós não aceitamos", afirmou a CTB por meio de nota.

"Em menos de um mês de governo já aumentou os juros, reduziu as pensões das viúvas, restringiu o seguro-desemprego e o abono salarial e agora veta a correção da tabela pela inflação, o que não é nada do outro mundo. Se o governo quer ajustar as contas públicas é só acabar com o desperdício estúpido de cerca de R$ 260 bilhões anuais com juros", conclui a CGTB.

 


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