Dilma diz que está “aperfeiçoando as políticas sociais” com arrocho

Em mensagem, pediu que o Congresso carimbe e avalize suas medidas antipovo

Provavelmente, já passou dos limites da tolerância do público ver alguns indivíduos que, contra a prudência e a realidade, apresentaram, na campanha eleitoral, a candidata Dilma Rousseff como o suprassumo das virtudes proletárias, ficarem agora perguntando o que houve com Dilma.

Ela está seguindo o mesmo caminho desde o leilão do campo de Libra: o da traição ao país e total bancarrota moral. O discurso na reunião do Ministério e a mensagem que enviou ao Congresso – um pedido aos parlamentares para que se suicidem politicamente, aprovando uma infâmia contra o país, os empresários, os trabalhadores, enfim, o povo - apenas confirmam essa radical falta de caráter.

Por exemplo: "Vamos adequar o seguro-desemprego, o abono-salarial, a pensão por morte e o auxílio-doença às novas condições socioeconômicas do País. (…) Vamos mostrar que é possível conciliar ajustes na economia com a preservação de direitos trabalhistas e sociais".

Ou seja, o corte de direitos vai mostrar que é possível preservar direitos.

CARTEL

Em seu discurso na reunião do Ministério, ela, pela primeira vez, defendeu as empresas nacionais – para defender o cartel dos ladrões ou clube do bilhão - os saqueadores da Petrobrás.

Disse ela: "as pessoas tem que ser punidas, e não as empresas".

Uma empresa pertence a uma ou várias pessoas. Dilma não acha um absurdo, pelo visto, que a Petrobrás, pertencente aos brasileiros, seja prejudicada pelo roubo desbragado que ocorria na época em que a presidente do conselho da estatal era ela própria.

Mas acha um absurdo que as empresas de propriedade dos ladrões sejam "punidas" porque roubaram a Petrobrás. Evidentemente, a punição dos ladrões não pode deixar de ser uma punição às empresas que usaram para roubar. Se não for assim, não será punição alguma. Portanto, a suposta defesa de Dilma das "empresas nacionais" é uma defesa dos ladrões da Petrobrás.

Deveria ser um crime tipificado em lei – e talvez seja – uma presidente dizer, numa mensagem ao Congresso: "Ampliamos muito nossos investimentos na saúde, com o propósito de oferecer cuidado mais humanizado e de maior qualidade às brasileiras e aos brasileiros".

Todo o investimento federal realmente liberado, em Saúde, em 2014, foi apenas R$ 1,5 bilhão, o que é somente 15,92% do que o Congresso autorizara - e míseros 0,5% do que o governo federal transferiu, sob a forma de juros, no mesmo período, aos bancos, fundos e outros parasitas do dinheiro público (cf. Tesouro Nacional, RREO, dezembro 2014).

Desde 2012, o investimento em Saúde encontra-se estagnado. O Brasil é, hoje, segundo a OMS, o único país do mundo onde existe um sistema público de Saúde, mas o gasto privado com Saúde é maior que o gasto público - apesar de 75% da população somente ter o sistema público para recorrer.

A política do governo Dilma foi a de favorecer sequiosamente a existência de dois sistemas de saúde: um para quem pode pagar e o outro, com recursos indigentes, para quem não pode pagar, isto é, para 75% da população. E vamos apenas nos referir àquela invenção tucana, também adotada pelo governo Dilma, em que os recursos e os próprios públicos não são indigentes, mas são entregues a alguns apaniguados, "organizações sociais" de fancaria, etc.

Que sentido há em nossos gastos com Saúde, em percentagem do PIB, serem inferiores aos da Libéria, Serra Leoa ou Micronésia? O sentido é restringir ao máximo os gastos públicos com Saúde para que alguns monopólios, agora estrangeiros, imponham seus "planos" e "seguros-saúde". Afinal, por que alguém iria recorrer a eles, se o sistema público fosse o que os idealizadores do SUS planejaram?

Essa privatização tresloucada da Saúde não é apenas contrária à toda doutrina de Saúde Pública desde a queda da ditadura – é, além disso, totalmente inconstitucional.

O leitor pode estranhar que gastemos tanto espaço com essa questão, ao abordar a mensagem presidencial. Mas por aqui é possível ter uma ideia da impudicícia a que se chegou nos recônditos palacianos.

Todo mundo sabe que a Saúde – a do povo - é um setor aos frangalhos, que funciona, quando funciona, pela abnegação de alguns heróis. Mas, segundo Dilma, em sua mensagem ao Congresso, sua administração do setor foi espetacular, tanto assim que não há menção a um único defeito. Só resta aperfeiçoar a maravilha que já existe...

A mesma coisa na Educação – mas não falaremos, por falta de espaço, em como Dilma, segundo ela mesma, transformou a educação no Brasil em um espelho da perfeição, onde todos podem adquirir a mesma cultura da presidente – ou, por exemplo, da Kátia Abreu, que tem uma grande agricultura...

Com o país já em recessão, Dilma está provocando uma recessão maior ainda – com um aumento muito maior de juros, cortes com máquina zero nos investimentos e demais gastos públicos, restrição de crédito e de meio circulante (isto é, dinheiro), corte nos direitos trabalhistas, câmbio manipulado para subsidiar importações, etc. O desemprego já começa a se tornar escandaloso - como aconteceu recentemente em Sorocaba (v. pág. 5 desta edição).

Mas, diz a senhora Rousseff: "A redução das desigualdades, a eliminação da pobreza e a ampliação dos direitos sociais são marcas fundamentais do meu governo. Ajustes fazem parte do dia a dia da política econômica. Não promoveremos recessão e retrocessos".

A recessão (isto é, o "ajuste") não é para promover recessão. Será para promover crescimento? E a destruição do emprego não é para promover retrocesso. Será para promover a justiça social?

Exatamente. Segundo Dilma, "a razão de ser da gestão responsável e consistente da política econômica é estimular o crescimento e dar meios para a execução de políticas que melhoram o bem-estar".

Por isso ela está fazendo uma política que afunda o país na recessão, açulando o desemprego. Assim, quanto ao corte dos investimentos públicos - e o bloqueio, com os juros, aos investimentos privados – é porque "o meu governo também tem compromissos fundamentais com o estímulo aos investimentos".

VIGARICE

Porém, a mais genial descoberta – e a vigarice mais repulsiva – é a de que "se nossas empresas conseguirem competir no resto do mundo, elas conseguirão competir facilmente no Brasil, onde já desfrutam de vantagens locais".

Se, apesar do câmbio, dos juros, da falta de financiamento e de mercado, as empresas nacionais conseguirem derrotar a General Eletric nos EUA, a Alstom na França e a Siemens na Alemanha, aí elas não terão dificuldades em competir dentro do nosso país, ou seja, no país delas.

Vamos repetir: para que as empresas nacionais sejam competitivas dentro do Brasil é necessário, antes, que elas sejam competitivas em outros países.

Outra vez: ao invés de ter como base o seu próprio país – como fazem as empresas de qualquer outro país, a começar pelos EUA - Dilma está dizendo que as empresas nacionais têm que ser competitivas lá fora, como condição para ser competitivas aqui dentro, pois, "já desfrutam de vantagens locais" - quais sejam, a de ser massacradas pelo seu subserviente governo.

CARLOS LOPES


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