Multidões nas ruas rechaçam o desgoverno da Sra. Rousseff

O recado foi dado pelos brasileiros, mas a presidenta Dilma tem ouvidos moucos 

Será que a presidente Dilma e seu círculo achavam que era possível mentir desavergonhadamente na campanha eleitoral, depois fazer o contrário do que disse - pior: fazer o que Dilma acusava os adversários de querer fazer – e sair impune, sem a revolta e o repúdio do povo?

Pois era exatamente isso o que a senhora Rousseff achava. É só ver a sua reação diante das manifestações que tomaram as ruas no fim de semana. Tanto ela quanto, por exemplo, o sr. Rossetto e o sr. Cardozo, parece que estão no mundo da lua - para escolher um lugar perto.

Achar que poderiam sair impunes, é considerar que o povo brasileiro é composto por débeis mentais. Mesmo após as manifestações, nenhum deles parece ainda ter percebido que isso não é verdade.

PIOR

Ainda no domingo, o sr. Rossetto, secretário da Presidência - que, com o ministro Cardozo, foi rebaixado a porta-voz de Dilma, mostrando, ambos, terrível despreparo para o cargo – fugiu da realidade ao dizer que aqueles que participaram da manifestação de domingo foram os que não votaram em Dilma.

Se fosse verdade, seriam representativos da maioria do eleitorado, pois apenas 38,2% dele votou em Dilma no segundo turno. Mas, além disso, uma parte das manifestações de domingo era composta de eleitores de Dilma que se sentem, com razão, traídos. Testemunhos não faltam.

Mas a situação é ainda pior para o governo, pois a manifestação de sexta-feira, tão incensada por Rossetto, foi convocada em oposição às medidas de Dilma, ou seja, contra o governo. Eis a convocação, assinada pelo presidente da CUT, Wagner Freitas, e pelo secretário-geral da entidade, Sérgio Nobre:

"Conclamamos todas as entidades da CUT e todos os trabalhadores e trabalhadoras CUTistas a participarem das mobilizações do dia 13 de março para defender nossos direitos (não ao PL 4330, retirada imediata das MPs 664 e 665). Conclamamos nossas bases para defender a Democracia e a Reforma Política, através da Constituinte Exclusiva e Soberana, e para barrar a contra-reforma (PEC 352) puxada por Eduardo Cunha no Congresso Nacional. Conclamamos nossas bases para saírem também às ruas no dia 13 de março em defesa da Petrobrás, pela manutenção da Caixa Econômica Federal 100% pública, em defesa da soberania nacional e para exigir mudanças na política econômica do governo (não à elevação da taxa de juros e às medidas de ajuste de caráter regressivo e recessivo)".

Portanto, ninguém foi convocado a ir às ruas na sexta-feira, 13, para apoiar o governo – mas para ser contra o ataque ao país de Dilma, Levy & cia. São eles que estão no governo. São eles que têm poder para emitir medidas provisórias e projetos cassando direitos trabalhistas, aumentar os juros e jogar o país na recessão; da mesma forma, a Petrobrás, a Caixa e a soberania nacional só podem ser ameaçadas por quem está no governo. Não é óbvio?

Mas, se até a CUT e outras entidades que promoveram o ato de sexta-feira estão contra as medidas do governo, quem está a favor do governo?

Indo à essência da questão: só pode ser a favor desse governo quem for contra o país. Não existe possibilidade alguma de ser a favor do país e apoiar um governo de traição nacional. E o principal traidor aqui não é o sr. Joaquim Levy.

Disse a presidente, na segunda-feira, que a corrupção é uma "senhora bastante idosa" (que respeito pela velhice!), que "não nasceu hoje" e que "o dinheiro tem esse poder corruptor". E pôs-se a falar sobre novas leis e novo pacote contra a corrupção.

No Brasil, não faltam leis para colocar ladrões – e ladrões da propriedade e do dinheiro do povo – na cadeia. O que falta não são leis.

O que falta é uma presidente que deixe de acobertar os ladrões com essa conversa de que a corrupção sempre existiu ou de que o problema está no dinheiro e não nos ladrões.

Não é o dinheiro que faz o ladrão, mas o ladrão é que mete a mão no dinheiro alheio, no dinheiro público, sobretudo com a leniência da senhora presidente. Como um ladrão pode entender essa história de que a corrupção "não nasceu hoje", senão como complacência – ou, pior, cumplicidade - com o roubo?

Mas Dilma disse mais: que, em relação à situação do país, não cometeu erro algum, exceto, talvez, algum "erro de dosagem", mas que ela, se existiu esse erro, nem sabe qual foi. Em suma, declarou, fez tudo o que pôde, mas o dinheiro acabou. Por isso, é necessário devastar o país ("No combate à crise, usamos todas as armas, subvenções, subsídios e desoneração para evitar que atingisse empresários, classe média e trabalhadores. Agora, não existem mais recursos para continuarmos fazendo isso. Precisamos fazer ajustes e correções para continuar crescendo").

Realmente, precisamos de correções. Só que no sentido oposto a essa miséria que nos querem impingir. Precisamos baixar os juros, aumentar o investimento público, dar prioridade às empresas genuinamente nacionais – privadas e estatais – nas encomendas do Estado e expandir o mercado interno pelo aumento do poder aquisitivo da população. Nesse sentido, o atentado à Petrobrás é mais criminoso ainda, pois é esta criação gigantesca do povo brasileiro a principal mola propulsora do desenvolvimento nacional – não só na área do petróleo quanto de toda a indústria nacional.

O sr. Joaquim Levy é tudo o que já dissemos dele: um chicago-boy, egresso do FMI, cuja sabedoria econômica consiste em aumentar os juros para transferir bilhões em recursos públicos aos bancos, fundos e outros rentistas; em cortar investimentos e demais gastos públicos pela mesma razão; assim como em apunhalar direitos trabalhistas.

Mas Levy não tem nenhum poder político que não advenha de Dilma – que o escolheu não por acidente ou devido a uma irresistível correlação de forças que de repente transformou em geleia as vértebras presidenciais.

Ela o escolheu porque queria alguém que continuasse a política que já estava implementando. De 2011 a 2014, não era Levy que estava na Fazenda ou no BC - e os juros foram aumentados 16 vezes. Com exceção de um período (01/09/2011 a 10/10/2012), os juros reais estiveram sempre em alta.

Os cortes no investimento, nos gastos e no financiamento público começaram logo em janeiro de 2011, anunciados com fanfarras. O salário mínimo foi contido, sob pretexto de obedecer uma lei que jamais previu que o aumento fosse apenas o piso que determinava. Os salários dos funcionários foram arrochados – e continuam em trajetória de redução do seu valor real.

DESNACIONALIZAÇÃO

A desnacionalização e desindustrialização foram a política oficial do governo. Entre 2011 e 2014 foram desnacionalizadas mais empresas do que nos oito anos anteriores (cf. HP 13/03/2015). Os juros, diretamente, e por deformar o câmbio, provocando uma avalanche de importações, tornaram inviáveis setores inteiros da indústria nacional – não porque não fossem "competitivos", mas porque o governo subsidiou as importações através do dumping cambial.

Joaquim Levy é um troglodita neoliberal – mas foi nomeado para continuar, é verdade que de forma ainda mais brutal, a destruição que Dilma já estava praticando contra o país.

É o resultado dessa política – e da roubalheira desarvorada - que Dilma está colhendo nas ruas.

Estranho seria se o país ficasse inerme diante de uma tentativa de assassinato da própria Nação.

CARLOS LOPES


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Multidões nas ruas rechaçam o desgoverno da Sra. Rousseff

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