CNT: 83,2% querem realização de manifestações contra o governo

72,2% consideram ruim e péssimo o governo de Dilma, na pesquisa divulgada na segunda-feira 

Somente 4,7% da população, revelou a pesquisa CNT/MDA divulgada na segunda-feira, creem que Dilma está cumprindo plenamente o que prometeu na campanha eleitoral. Outros 12,9% acreditam que ela só está cumprindo "em parte". E 81% responderam que ela não está cumprindo, nem mesmo parcialmente, o que prometeu na campanha eleitoral. Uma parcela maior ainda – nada menos que 83,2% - são favoráveis a realizar manifestações contra Dilma e o governo.

Na eleição, Dilma teve, no segundo turno, 38% dos votos do eleitorado - 62% não votaram nela.

Agora, com menos de três meses de governo, há 81% - mais de 4/5 (quatro quintos) – que abominam o estelionato eleitoral e 83,2% a favor de fazer manifestações contra o governo, numa pesquisa em que 41,6% dos consultados votaram em Dilma nas últimas eleições (os pesquisados que votaram em Aécio foram 37,8% e os que anularam o voto ou votaram em branco, 10,8%).

Em suma, na pesquisa, a parcela dos que votaram em Dilma (41,6%) é maior que a parcela do eleitorado (38%) que votou nela. Portanto, se houve alguma tendenciosidade, seria a favor de Dilma.

Mas, se essa tendenciosidade existiu, a situação de Dilma é abissal, ou seja, está quase ao fundo da fossa das Marianas, ponto mais fundo da Terra: somente 1,1% consideram que o segundo governo Dilma é ótimo e apenas 6,4% que ele é "bom", enquanto 72,2% o consideram ruim ou péssimo. Ou, agregando os dados de modo mais resumido: enquanto 72,2% acham que o governo é ruim ou péssimo, somente 7,5% o consideram bom ou ótimo (cf. Pesquisa CNT/MDA, Rodada 127, tabela 12).

Em relação à pesquisa anterior da CNT/MDA, em setembro de 2014, os que consideram o governo "bom ou ótimo" caíram de 41% para 7,5%, enquanto os que acham o governo "ruim ou péssimo" aumentaram de 24% para 72,2%.

Mas, antes que nos lembrem, essa comparação entre duas rodadas da Pesquisa CNT/MDA é uma comparação entre dois governos, ou seja, há uma eleição entre essas duas rodadas da pesquisa. Embora, já que Dilma foi eleita, seria de esperar que a popularidade do governo subisse. Mas, qual o quê...

Não seja por isso. Se houver quem levante o mísero argumento de que são dois governos diferentes, resta a popularidade da própria Dilma, também aferida pela pesquisa CNT/MDA, que é pior ainda que a popularidade do seu governo: o desempenho de Dilma foi reprovado por 77,7% dos entrevistados. Em relação à pesquisa anterior, a aprovação da senhora presidente caiu de 56% para 18,9%, enquanto a reprovação subiu de 40% para 77,7%.

Aqui, repetimos, não se trata de uma comparação entre dois governos, mas do que a população acha da senhora Dilma. Então, como é possível que o povo considere Dilma ainda pior que o seu governo?

O fato é que a propaganda enganosa de sua suposta capacidade gerencial – tão visível na barafunda do setor elétrico, que agora ela descarregou nas contas de luz sobre o povo - deu com os burros n’água.

A população descobriu que essa capacidade gerencial se resume a dedurar outros para fugir à própria responsabilidade (ao mesmo tempo que acoberta uma quadrilha que assalta a Petrobrás) e a dizer pela televisão que o país está uma rósea maravilha, enquanto ela mesma faz grassar os juros altos, a recessão - o desemprego e a quebradeira das empresas nacionais - o arrocho salarial, o sucateamento dos serviços públicos, a privatização indecente do patrimônio público e o império do dólar dentro do país.

Essa política de favorecimento aos setores financeiros e corruptos, de desnacionalização acelerada da economia, de extinção da indústria e estagnação – melhor seria: retrocesso – do crescimento e da distribuição de renda, é tudo o que ela tem a oferecer ao país, mas exatamente porque não é dela essa política, da qual é apenas uma serviçal, é verdade que das mais arrogantes, isto é, das mais asnáticas.

Apesar disso tudo, o espantoso é que, antes de completados três meses de governo, haja 81% apontando o estelionato eleitoral, 83,2% a favor de realizar das manifestações contra o governo e nada menos que 59,7% a favor do impeachment imediato de Dilma (pesquisa cit., tabela 50).

Somente 34,7% são contra o impeachment – mas só 18,9% aprovam a presidente, o que quer dizer que uma parcela grande dos que não estão a favor do impeachment também são contra Dilma.

O agravante é, exatamente, o estelionato eleitoral, o fato de que Dilma, na campanha eleitoral, disse que não ia fazer nada do que está fazendo e ainda acusou seus adversários de querer fazer o que agora está fazendo.

Isso torna a percepção das pessoas sobre Dilma, e seu estelionato eleitoral, mais aguda. Incrível é que ela e seus sequazes tenham achado que era possível escapar impunes dessa fraude contra a Nação.

Não vamos nos deter nas perguntas (aliás, nas respostas) sobre expectativas da população, pois, com Dilma no Planalto, elas são as piores - embora, sempre é possível que piorem ainda mais - em relação a emprego, renda ou situação da Saúde, Educação e Segurança.

Apenas frisaremos que Dilma já vinha aplicando a mesma política antes das eleições. O que ela fez durante a campanha foi negar que estivesse fazendo o que já estava fazendo – e pretendia piorar – atribuindo seu crime a outros candidatos, sobretudo a Marina Silva.

 

CARLOS LOPES


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