Empresários e centrais condenam ‘ajuste’ no ato em prol da indústria

Movimento é um grito de alerta sobre a “situação de lesa-pátria” que torna inviável produzir no país, afirma Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq

As Centrais Força Sindical, CGTB e UGT e 42 entidades empresariais, como Abimaq, Abiquim, Abigraf, Sindipeças e Aço Brasil, lançaram oficialmente, na segunda-feira (6), em São Paulo, o movimento Coalizão Indústria-Trabalho para a Competitividade e o Desenvolvimento. Trabalhadores e empresários denunciam os juros altos, câmbio sobrevalorizado, a cumulatividade de impostos e o arrocho sobre os trabalhadores como as principais causas da atual paralisia econômica.
“Nosso movimento é um grande grito de alerta à sociedade e ao governo sobre a situação de lesa-pátria, resultante de situações macroeconômicas, que tornam inviável, qualquer fabricação, salvo exceções, de qualquer manufatura competitiva nesse país, que dirá exportação”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, ressaltando ainda a queda da participação da indústria de transformação de 35% para 10,9% na formação do Produto Interno Bruto (PIB).

“VAMOS PARA RUA”

O empresário Jorge Gerdau, representando o Instituto Aço Brasil, destacou que “este momento é histórico. Estou profundamente emocionado com os pronunciamentos e estou convicto que desta vez nós vamos ganhar esta luta”. Um trabalhador gritou do plenário: “Vamos para rua”. Gerdau concordou: “Isso, vamos para a rua”. Continuando, o empresário disse estar “otimista com essa mobilização pela dimensão da representação. Somos aqui mais de 50% do faturamento da indústria de transformação”.

“Eu comecei minha vida na indústria quando tínhamos mais de 30% do PIB, caiu para 24%, caiu para 13%, caiu para 12% e continua caindo mês a mês. É inaceitável. Por isso, nós precisamos nos unir mais do que nunca”, acrescentou Gerdau, que se mostrou “emocionado e até irritado” com a condução da política econômica: “Vamos lutar, lutar, lutar, até conseguirmos os nossos objetivos, porque é de interesse do país”. Ele ressaltou três pontos: cumulatividade de impostos, que hoje chega a 15% na cadeia produtiva, redução do juros em níveis e o câmbio equlibrado. “Os países fazem política cambiais para estimular as exportações e diminuir as importações. O Brasil faz o contrário”.
Entre os discursos das lideranças da Coalização, os trabalhadores - que lotaram o auditório Celso Furtado, do Centro de Convenções do Anhembi – bradavam palavras de ordem como “Se o juro não baixar, o Brasil vai parar” e “Agora é união para acabar com a recessão”.

“Estamos vivendo uma grande crise neste país, que une trabalhadores e empresários nesta coalizão. Este movimento é a favor do Brasil, da produção e do emprego. Mas nós não podemos deixar de falar que quando um governante diz que para corrigir distorções tem de retirar direitos é porque a coisa está feia. Tira o seguro-desemprego, tira do pescador o seguro-defeso, com o mesmo objetivo do corte da pensão e do abono salarial. São políticas totalmente equivocadas que não podemos aceitar”, disse o presidente da Força Sindical, Miguel Torres.

O sindicalista defendeu a necessidade ampliar a mobilização e atrair mais sindicalistas e lideranças empresariais para a Coalizão, “para a mesma luta, que é salvar esse país que está em um caminho ruim. A perspectiva é praticamente zero. O governo está paralisado”. “Vamos levar a luta para fora deste plenário”.

Para o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), “a situação está catastrófica. A desnacionalização e a desindustrialização está aumentando a cada dia que passa. Desde abril de 2013 se elevou a taxa Selic de 7% para 12,75%. A cada ponto percentual de aumento de juros representa gastos de R$ 28 bilhões, um bolsa-família anual. Essa política está matando a nossa indústria. E quando se mata a indústria também está se matando o emprego”.

De acordo com Bira, “não há desenvolvimento sem indústria. Não indústria sem investimento público. Não há indústria sem ter para quem vender. Cai a indústria, cai o crescimento e cai o emprego. civil. É por essa e outras que mais de 2 milhões de pessoas foram às ruas dizer ‘Basta, Fora Dilma’, porque está prejudicando o Brasil. Vamos para as ruas para salvar a indústria e salvar o emprego. Pela redução dos juros aos patamares internacionais. Pela revogação das MP’s 664 e 665. Por um câmbio equilibrado. Contra o aumento de impostos. Pela retomada dos investimentos públicos”.

O secretário-geral da UGT, Canindé Pegado, frisou que “o Brasil vem há tempo com essa política capenga, esculhambada. A indústria de transformação não tem tido estímulos eficientes e é prejudicada por políticas do governo. Os trabalhadores sabem que na indústria de transformação é onde se tem os melhores empregos e os melhores salários. Acabar com a indústria é acabar com o emprego também. As taxas de juros no Brasil são incompatíveis. Nos Estados Unidos a taxa de juros é próxima de zero. No Brasil, a Selic é próxima a 13%”.

“Ou os trabalhadores e os empresários se juntam, ou quebra a indústria nacional. Não aceitamos mais isso. O governo que trouxe de volta a inflação, que estabeleceu as maiores taxas de juros do mundo, agora cismou que quem tem que pagar a conta, de novo, são os trabalhadores e empresários. Dobraram o valor da folha de pagamento das empresas e tiram o abono salarial, o seguro-desemprego e proteção dos pescadores. Vamos juntar forças para salvar a indústria nacional”, frisou o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD-SP).

Pastoriza apresentou números consolidados da indústria de transformação. De 2000 a 2007, o setor teve um superávit de US$ 148 bilhões na balança comercial. Entre 2008 e 2014 a situação se inverteu e registrou déficit comercial de US$ 206 bilhões. De janeiro de 2013 a janeiro de 2015 foram perdidos 487.746 empregos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2002, último ano do governo FHC, a participação da indústria de transformação no PIB era de 14,4%. Em 2003, no primeiro de governo Lula, subiu para 16,9% e para 17,9% no ano seguinte. A partir daí foi caindo e chegou a 10,9% em 2014.

VALDO ALBUQUERQUE



 


Capa
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CARTAS

ESPORTES

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Página 7

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   Putin: “os que pressionam nosso país nunca tiveram nem terão êxito”

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Marco Antonio Campanella: em defesa da honra do Brasil

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