Dilma afunda mais e entrega a desarticulação política a Temer 

PT sempre disse que o PMDB era o problema do governo. Agora virou solução com Temer  

 

Depois que Dilma entregou a Levy a área econômica e a Temer a área política do governo, perguntaram alguns: o que sobrou para a presidenta fazer?

A indagação é procedente, pois a resposta é "nada", exceto funções protocolares ou decorativas. Numa república – e república presidencialista – isto é, precisamente, o mesmo que nada. Nem como garota-propaganda do arrocho, Dilma consegue algum sucesso. Mas, se a presidente não é mais necessária, se tornou a si própria dispensável, seu governo deixou de ter função.

Do mesmo modo, o PT, partido supostamente no poder, deixou efetivamente de existir, com a economia entregue a um tucano egresso do governo Fernando Henrique e a política entregue a um peemedebista idem. É agora um partido no poder cujo único poder consiste em apoiar qualquer ato de Levy ou Temer, por mais reacionário, antinacional e antipopular que seja – e promover essa cessão do governo a quem não foi eleito (para não falar no Levy, quem votou em Temer?) à grande jogada política...

PT

Fora isso, cabe ao PT a lastimável tarefa de tentar encobrir o roubo na Petrobrás, ou no Carf, ou no Postalis... Em poucas palavras, tentar encobrir o que já está descoberto, sobretudo quando o vistoso sr. Vaccari continua na Tesouraria do partido.

A maioria dos próceres do PT sempre afirmou que o problema do governo era a aliança com o PMDB. Agora, o PMDB virou solução. Temer, Renan, Padilha, ou até o sr. Cunha, se tornaram os salvadores do governo Dilma.

Para passar no Congresso o pior arrocho contra a Nação que já foi tentado em muito tempo, talvez o pior de todos, entregou o governo – a política – ao sr. Temer, figura medíocre que nunca se destacou por qualquer talento especial que fosse seu, seja na articulação política, ou lá em que seja.

A hipocrisia e a imbecilidade não são excludentes – pelo contrário, em regra convivem no mesmo fariseu. Mas não deixa de ser um caso extremo aquele em que o líder do governo na Câmara, deputado Guimarães (PT-CE), saúda o esticar de canelas do seu partido – e do seu governo – como se fosse a vitória de Napoleão em Marengo. É inevitável pensar no ditado popular: quem é burro pede a Deus que o mate e ao Diabo que o carregue.

Mas não é um problema específico do deputado Guimarães. Apoiar esse governo, só com uma dose apreciável de burrice – e de reacionarismo.

Na quinta-feira, o IBGE publicou os resultados da PNAD Contínua de fevereiro. O desemprego deu um salto: de 6,5% para 7,4% dos trabalhadores, sem contar os que foram declarados "fora da força de trabalho" pelos critérios da pesquisa. Porém, mesmo por esses, houve quase um milhão a mais (950 mil) de desempregados de dezembro de 2014 a fevereiro de 2015, em relação aos três meses anteriores.

Nos dois primeiros meses do ano, a produção da indústria caiu -7,1%. No principal parque industrial, o de São Paulo, a produção afundou -7%; no Rio, também -7%; em Minas Gerais, -7,1%.

Em outros Estados, a situação foi mais catastrófica: na Bahia, a produção industrial foi afogada em -17,5%; em Santa Catarina, -8,2%; no Rio Grande do Sul, -12,2%; no Paraná, -13,2%; no Nordeste, - 8,3%.

Esses resultados, repetimos, são referentes apenas aos dois primeiros meses do ano. Todas as previsões, inclusive as do governo, são de piora violenta da situação no correr do ano.

O povo brasileiro sabe o que isso significa: mães sem ter o que dar de comer aos filhos; homens e mulheres sem emprego; idosos naquela aflição em que quase se começa a desejar a morte; famílias despejadas, na rua ou debaixo de um viaduto; jovens definhando no crack ou assemelhados; e o choro das crianças com fome que atravessa a noite.

Os números mal expressam essa trágica e cruel realidade humana.

Porém, tudo o que Dilma tem para dizer (v. matéria nesta página) é que os prefeitos se preparem, pois os municípios vão ser escalpelados – e danem-se aqueles que precisam de hospitais públicos ou de escolas públicas. Quem mandou ser pobre?

Essa terra devastada, diz ela, está só no começo. É isso o que significa dizer, a um órgão de Wall Street: "nós faremos um grande corte no orçamento. Vamos cortar despesas correntes".

"Despesas correntes" são despesas de custeio, despesas de manutenção - por exemplo, medicamentos para a rede pública de Saúde, livros ou giz para as escolas, limpeza dos próprios públicos ou papel higiênico para onde existam seres humanos na administração.

Os investimentos – a verba para novas obras – já foram reduzidos a uma quantia ridícula (v. matéria na página 2). Agora, Dilma anuncia cortes - "um grande corte" - na manutenção do que já existe. Ela própria diz por quê: "farei de tudo para cumprir a meta".

A meta é entregar 1,2% do PIB em dinheiro aos bancos, fundos e demais rentistas, a título de juros que o próprio governo poderia baixar, pois é ele, através do Banco Central, quem estabelece as taxas de juros dos títulos públicos.

A política é impedir o país de crescer a qualquer custo, para aumentar a parcela de dinheiro público de que se apropriam os parasitas que, aqui e no exterior, amealham bilhões e bilhões em juros.

Por isso, Dilma está desviando o dinheiro da Saúde, Educação, e de qualquer setor que atenda ao povo, para o setor financeiro.

INFÂMIA

Obviamente, é possível seguir outro caminho – baixar os juros, aumentar o investimento público (e, com isso, impulsionar o investimento privado), fazer o país crescer, criando empregos e fazendo a indústria florescer.

Mas a opção de Dilma, desde o primeiro governo, é a oposta.

E, com isso, ela já faliu politicamente em apenas três meses de governo – aliás, antes disso, o estelionato eleitoral já a havia marcado com um sinal de infâmia ainda pior do que aquele que carregava a despudorada Milady, a vilã de Alexandre Dumas em "Os Três Mosqueteiros".

Por consequência, carregou seu partido nesse abismo. Agora, é a própria Dilma e o próprio PT que parecem acreditar que Temer tem mais credibilidade que Dilma – ou qualquer figura do PT. Se não acreditassem nisso, não teriam entregue a ele – sem possibilidade de volta - a articulação política do governo. Mas isso é a própria declaração pública de bancarrota política e moral.

Portanto, estamos em um daqueles casos tão bem assinalados por um dos fundadores da nossa República, Aristides Lobo:

"Desde que as instituições deixam de corresponder às aspirações nacionais, é um crime mantê-las, porque são a expressão de uma tirania, instrumentos de tortura e de desorganização social".

CARLOS LOPES


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Dilma afunda mais e entrega a desarticulação política a Temer

Dilma diz para prefeitos que arrocho vai ser pior   

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ESPORTES  

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