Juiz da Lava Jato vê ameaça à investigação e prende Vaccari   

Juiz Sérgio Moro diz que “não pode ser aceito” que Vaccari continue suas ações livremente “diante das provas até o momento colhidas”

A crise política provocada pelo desgoverno Dilma e pelo assalto aos cofres da Petrobrás não para de se agravar. Na quarta-feira (15), João Vaccari Neto, tesoureiro nacional do PT, partido da presidenta da República, foi preso pela Polícia Federal acusado de ser o operador no esquema de subornos de empreiteiras nas obras da Petrobrás. No despacho, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato, defendeu que "Vaccari à frente da tesouraria do PT poderia persistir na prática de crimes ou perturbar as investigações e a instrução da ação penal" por sua "posição de poder e de influência política".

"Não se trata aqui de exigir seu afastamento voluntário ou o afastamento pela agremiação partidária, presumindo a culpa antes do julgamento, mas constatar que, mesmo diante de acusações graves, persistiu ele, sem abalo, na referida posição de poder e que lhe confere grande influência política. O risco decorrente da permanência dele nessa posição, diante das provas até o momento colhidas, não pode ser aceito", diz Sérgio Moro.

OBSTRUÇÃO

O argumento de Moro para efetuar a prisão de Vaccari, de que o investigado pela Lava Jato continua "operando" o esquema de propina devido à sua posição de "poder e influência política", cria uma situação insustentável para os próximos da fila a serem detidos pelos "federais". Por esse critério, é evidente que os próximos a irem para o xilindró serão os presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), e do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB). Os dois também estão na lista dos envolvidos no esquema de subornos na Petrobrás. Fazem parte da "bancada Lava Jato".

O primeiro foi denunciado diretamente pelo doleiro Alberto Youssef de receber propina milionária das empreiteiras que prestam serviços para a Petrobrás. De acordo com investigadores que atuam no caso, Cunha é suspeito de ter recebido dinheiro do esquema por meio do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", que atuaria como um dos funcionários do doleiro Alberto Youssef. Já Renan Calheiros, por sua vez, foi apontado pelo ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, de ter recebido altos subornos e de ter, inclusive, feito exigências que teriam "furado" os 3% estabelecidos como teto das propinas pelo cartel. Os dois estão vulneráveis porque mantêm - como bem destacou o juiz em relação a Vaccari - uma posição de "grande poder e influência política". Podem usar esses cargos para obstruir os trabalhos de investigação.

Moro afirmou ainda, no despacho que determinou a prisão preventiva de João Vaccari, que o tesoureiro lavou o dinheiro sujo usando uma gráfica de São Paulo chamada Editora Gráfica Atitude. Segundo o juiz, este seria um elemento novo relatado por Augusto Ribeiro, dirigente da empresa Setal Oleo e Gas S/A (SOG), sobre a participação do tesoureiro no esquema de corrupção na Petrobrás. "Há ligações entre a Editora Gráfica Atitude e o Partido dos Trabalhadores, o que pode explicar a solicitação de João Vaccari da realização de repasses para a referida empresa", escreveu Moro. "Observo que, para esses pagamentos à Editora Gráfica Atitude, não há como se cogitar, em princípio, de falta de dolo dos envolvidos, pois não se tratam de doações eleitorais registradas, mas pagamentos efetuados, com simulação, total ou parcial, de serviços prestados por terceiros, a pedido de João Vaccari Neto", afirmou o magistrado.

"Relativamente ao fato novo revelado por Augusto Ribeiro em seu último depoimento, de que, a pedido de João Vaccari, teria também efetuado repasses, por serviços total ou parcialmente simulados, à Editora Gráfica Atitude, o Ministério Público Federal informou que há extratos bancários das empresas Tipuana e Projetec, controladas por Augusto Ribeiro". De acordo com o juiz, foram identificados pagamentos no valor total de R$ 1.501.600 entre junho de 2010 e agosto de 2013 dessas duas empresas para a Editora Gráfica Atitude, com transferências mensais em torno de R$ 93.850 e de R$ 187.700. O juiz disse ainda que Ribeiro afirmou em depoimento que parte da propina do esquema era paga como doações oficiais ao PT e realizadas a pedido de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobrás, preso pela Lava Jato e intermediadas por Vaccari.

O despacho do juiz federal acrescenta ainda que "pelo relato de cinco criminosos colaboradores, João Vaccari Neto participou intensamente do esquema criminoso do pagamento de propina e de lavagem de dinheiro que contaminou as operações da Petrobrás e da Sete Brasil, cabendo a ele o recolhimento de valores em favor de agentes políticos do Partido dos Trabalhadores. Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef, Pedro Barusco, Augusto Ribeiro e Eduardo Leite são, porém, criminosos confessos que revelaram os fatos, em acordo de colaboração premiada, buscando obter benefícios legais", diz o documento do juiz.

A cunhada de João Vaccari, Marice Correa Lima, também teve sua prisão preventiva decretada, mas, até o fechamento desta edição, ainda se encontrava foragida. Ela deve ser presa a qualquer momento. Em depoimento à Justiça, Alberto Youssef informou que a Toshiba participou de uma licitação para uma obra na Comperj em 2009 ou 2010 e que a empresa japonesa fez transferências para uma conta da MO Consultoria, e que Youssef sacou da conta da MO pouco mais de R$ 400 mil reais, e entregou a uma emissária de Vaccari chamada de Marice. Depois ele ficou sabendo que Marice tratava-se da cunhada de Vaccari. Ele disse que recebeu Marice em seu escritório, a pedido do diretor da Toshiba, de nome Piva, e entregou o dinheiro a ela para que chegasse às mãos do PT. Ele disse que outra parcela de R$ 400 mil foi entregue por seu funcionário Rafael Ângulo Lopes a Piva em frente à sede do diretório nacional do PT em São Paulo.

As movimentações financeiras da cunhada de Vaccari também foram alvo de intensas investigações por parte da Polícia Federal. Em 2013, segundo o magistrado, Marice havia declarado a compra de um imóvel em construção, apartamento 44 Ed. Navia Mar Cantabrico Guarujá- SP, com recursos aplicados no montante de R$ 200.000,00 até 31/12/2012. Nesta data, ela informou a desistência do negócio e que teria recebido um crédito de R$ 432.000,00 da OAS Empreendimentos S/A. No mesmo ano de 2013, há fortes indícios de movimentação financeira incompatível de Marice junto ao Banco do Brasil. A possível fraude é reforçada pela verificação de que a OAS vendeu em 16/12/2013 o mesmo apartamento por R$ 337.000,00, valor significativamente abaixo dos R$ 432.000,00 que por ele pagou a Marice em 2012 e ainda por desistência do negócio pelo qual ela teria pago R$ 200.000,00.

FAMÍLIA

A quebra de sigilo bancário revelou também que Giselda Rousie de Lima, esposa de João Vaccari, foi envolvida nas transações do marido. Ela recebeu da CRA Comércio de Produtos Agropecuários em 19/11/2008 R$ 400.000,00 em sua conta corrente. Em 27/11/2008 foi compensado cheque de R$ 300.000,00 destinados a Fernando Rodrigues Liberado, proprietário do apartamento adquirido por R$ 500.000,00. Em 22/12/2009, mais de um ano depois, foi transferido da conta de Giselda R$ 400.000,00 para a conta da CRA. A referida empresa, com capital social de apenas R$ 10.000,00, teria como sócio majoritário, com 99% das cotas, Carlos Alberto Pereira da Costa, que, por sua vez, confessadamente, seria o representante formal de Alberto Youssef na empresa GFD Investimentos e estaria envolvido em crimes de lavagem de dinheiro.

Ainda nas quebras de sigilos ficou revelado também que Nayara de Lima Vaccari, filha de João Vaccari, apresentou significativo acréscimo patrimonial entre 2009 e 2014. Segundo o despacho, "entre os anos calendários de 2008 e 2013 ela não declarou nenhum rendimento tributável próprio de trabalho, exceção a um pequeno valor de bolsa de residente em medicina de dois anos. Observe-se, por importante para a investigação e aprofundamento da real origem dos recursos, que seu patrimônio pessoal neste período sem atividade laboral própria independente e capacidade financeira corresponde, cresceu de R$ 240 mil, atingindo em 31/12/2013 mais de R$ 1 milhão". Toda a origem do acréscimo patrimonial de Nayara resulta de empréstimos e doações de João Vaccari (doação de R$ 131.453,93 em 2009), de Giselda Rousie de Lima (doação de R$ 280.000,00 em 2013) e de Marice Correa Lima (empréstimo de R$ 345.000,00 em 2013). Tudo isso terá que ser muito bem explicado por Vaccari em depoimentos à Polícia Federal e à Justiça.

SÉRGIO CRUZ

 


Capa
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Juiz da Lava Jato vê ameaça à investigação e prende Vaccari

Vaccari lavou propina através de gráfica e doações eleitorais, dizem procuradores

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