“Março comparativamente ao mesmo mês do ano passado teve 6,54% a menos de emprego”

Fiesp: desemprego atinge 173 mil e tem pior março da história

Em 12 meses, o setor mais atingido foi a indústria de máquinas e equipamentos: -13,1%. Só no mês de março, foram demitidos 7.380 trabalhadores em SP, centro da indústria de transformação do país

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no dia 16, divulgou a sua Pesquisa de Nível de Emprego referente a março.

Nos 12 meses entre março de 2014 e março de 2015, a indústria instalada em São Paulo demitiu 173 mil trabalhadores. São Paulo é o centro da indústria de transformação do país: 41% da indústria de transformação do país encontra-se neste Estado, o que faz com que sua participação no Produto Interno Bruto seja 32,1% (o segundo lugar, o Rio de Janeiro, tem, pela última edição das Contas Regionais, do IBGE, 11,5% do PIB).

O setor mais atingido foi a indústria de máquinas e equipamentos (em 12 meses, o número de trabalhadores caiu -13,1%; só em março, foram demitidos 7.380 trabalhadores). Trata-se do setor que produz “bens de investimento” ou “bens de capital”. A queda mostra que a política do governo provocou um declínio acelerado no investimento – ou seja, nos gastos das empresas com máquinas, equipamentos e construções para expandir sua capacidade produtiva.

A questão é que as empresas industriais estão sob o torniquete dos juros altos, do bloqueio aos investimentos públicos – e do achatamento do mercado interno, devido a uma contenção salarial que já se tornou arrocho, provocando a queda do consumo, e do mercado externo, devido a um câmbio deformado que ainda está longe da correção. Que empresário irá investir, se não existe quem compre os produtos de sua empresa?

Mas essa é a política do governo – aliás, mais corretamente, a política do governo é piorar essa situação. Se podia haver dúvidas em alguma cândida alma, o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2016, que o Planalto enviou ao Congresso, tirou essas dúvidas: por ele, o crescimento médio previsto até o fim do governo Dilma é 1,2% ao ano.

Mais detalhadamente, diz o governo, no PLDO 2016, que suas metas de crescimento para o país são: -0,9% (2015); 1,3% (2016); 1,9% (2017) e 2,4% (2018).

Se fossem verdadeiros, não chegaria a ser um crescimento medíocre – até mesmo pífio é uma palavra demasiado generosa para esse despautério, que atiraria um dos maiores e mais ricos países do mundo no pântano da estagnação por mais quatro anos.

Mas, a verdade é que o governo não tem a menor ideia de quão fundo será o buraco que está cavando. Mesmo assim, esses números têm alguma utilidade, sobretudo quando sabemos que, se continuar essa política – esse desgoverno – a realidade será muito pior.

A utilidade é que o governo está dizendo que o “ajuste” - o pacote neoliberal – é por todo o governo Dilma. Acabou aquela conversa – de Dilma, na campanha elitoral – de que o primeiro mandato foi para “preparar os fundamentos para um novo ciclo de crescimento” (v. encontro de Dilma com prefeitos, 23/08/2014). O que está no PLDO 2016 é que, se depender desse governo, não vai haver crescimento algum.

O resto são declarações atuais tão estelionatárias quanto às de sua campanha eleitoral. As enganações e ilusões de que o objetivo desse “ajuste” neoliberal é fazer o país crescer, não são mais do que isso mesmo: enganações e ilusões. Não é para fazer o país crescer que Dilma nomeou o sr. Levy, que nada sabe de crescimento e detesta indústria – mais se for nacional.

Resumindo: o país não chegou a essa situação - em que, no principal parque industrial, 173 mil trabalhadores foram, até agora, demitidos – devido à Natureza ou por obra e graça de uma das pessoas da Santíssima Trindade.

O país chegou a essa situação porque houve uma política econômica que levou a essa situação. É uma mentira o conto de Dilma, de que passou quatro anos fazendo “política anticíclica” (ou seja, anti-crise), por isso, agora, supõe-se, é preciso fazer o contrário - o que só pode ser uma política a favor da crise.

Isso é tão ridículo que nem necessita que entremos em detalhes – além do que já mencionamos sobre taxas de juros, câmbio, investimento público, etc. Evidentemente, uma política “anticíclica” que conduz a uma crise e depois necessita do seu contrário, pode ser tudo -  uma palhaçada, uma vigarice ou uma estupidez – menos uma  política “anticíclica”. Se houvesse necessidade de prova, bastaria lembrar que não havia crise quando Dilma assumiu o governo – o país crescia a +7,5% e a produção industrial crescia a +10,5% ao ano.

Quem jogou o país na crise foi o governo Dilma, por executar uma política neoliberal das mais sem-vergonhas, do tipo que não ousa dizer seu nome para enganar os eleitores.

Consumado o desastre, a solução de Dilma & associados foi chamar um tucano com sete anos de estágio na sede do FMI, em Washington, para fazer um “ajuste” - ou seja, a solução para o desastre é a catástrofe. Arrasar mais o país, cortar investimentos públicos, subir mais os juros, cortar direitos dos trabalhadores, e, sobretudo, rebaixar o salário real.

A política é aumentar a sangria do setor produtivo para o setor financeiro externo. A atual onda de basbaquice entreguista que percorre o governo (há poucos dias um ministro preconizou a entrega da dragagem dos portos públicos a “investidores estrangeiros”, porque eles são estrangeiros) é a expressão ideológica dessa política, caduca já em 1899, quando Campos Sales aplicou-a, faliu literalmente todas as empresas industriais e até os bancos nacionais – e saiu do governo debaixo de pedradas.

O Brasil seria semelhante ao mundo do espelho, que o Mandrake uma vez visitou – onde tudo era o inverso do nosso - se uma política de destruição nacional, de recessão, desemprego, quebradeira das empresas, fome e miséria, levasse ao crescimento.

Em um livro importante – “Conta de Juros Grande & Favela - Formação da Elite Rentista no Capitalismo Tardio e Periférico” – os economistas Alcino Ferreira Camara Neto e Matias Vernengo observam que o Brasil está há 30 anos sendo submetido a um “ajuste” atrás do outro sem que nunca, segundo os neoliberais, fique ajustado.

Só alguns petistas – agora neo-tucanos – é que não sabem que essa política leva ao afundamento, mais e mais, do país, isto é, ao oposto do crescimento. Aliás, eles sabem. Seu problema, principalmente, não é falta de conhecimento, mas de vergonha.

Fora isso, esses “ajustes” levaram, em mais de uma ocasião, à substituição do governo pelo método mais democrático.

Sobre o resultado do emprego em março, na indústria paulista, declarou o diretor Paulo Francini que era “um número muito ruim. E nos coloca na rota de um 2015 certamente negativo na geração de empregos na indústria de transformação”. A Fiesp e o Ciesp estimam que o mercado de trabalho da indústria de São Paulo deve encerrar este ano com uma queda de ao menos 5%, porque há “um número razoável de empresas em recuperação judicial”.

J. AMARO


 

 




 


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