Balanço confirma roubalheira bilionária contra a Petrobrás 

Empresa teve prejuízo de R$ 6,2 bilhões com desvios das empreiteiras e pagamentos de propinas a ex-diretores. Rombo de R$ 21,6 bilhões é inédito na história da estatal

A Petrobrás divulgou na quarta-feira (22) o tão esperado balanço do exercício de 2014. A petroleira informou no relatório que a baixa contábil provocada pelo esquema de subornos revelado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal foi de R$ 6,194 bilhões.

Ou seja, a empresa oficializou que essa foi a perda provocada pelo assalto aos seus cofres pelo cartel das empreiteiras em conluio com políticos da base aliada do governo. Além de registrar as perdas com o roubo, ela registrou também um prejuízo de R$ 21,587 bilhões no ano passado. O resultado do 3º trimestre também foi negativo. De um lucro de R$ 3,1 bilhões para um prejuízo de R$ 5,339 bilhões.

SUBESTIMADO

Ao comentar o balanço, o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, disse que não tem "clarividência muito clara se foi de fora para dentro ou de dentro da fora". A dúvida do senhor Bendine não procede. Os fatos são sobejos em demonstrar que o roubo foi tanto de dentro para fora como de fora para dentro. Os partidos beneficiados com o assalto (PT, PP e PMDB) estavam de fora, mas infiltraram seus "agentes" em diretorias estratégicas da estatal e se acertaram por fora com o cartel das empreiteiras. Juntos eles roubaram no mínimo R$ 6 bilhões dos cofres da empresa. É no mínimo porque o próprio presidente admitiu que esse valor não é preciso e pode estar muito subestimado.

Segundo Bendine, o cálculo com as perdas provocadas pelo escândalo das propinas pode ser considerado "conservador" e, caso apareçam fatos novos nas investigações, o valor poderá ser corrigido. "A gente pode até entender que esse número provisionado foi conservador. A gente tentou extrapolar o máximo possível para dar este tipo de conforto e ter um faixa para trabalhar, na medida que isso for apurado e julgado", disse. Dos R$ 6,2 bilhões calculados como tendo sido desviados, segundo o balanço, a maior parte (55%) ocorreu na área de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa.

O cálculo foi aproximado. A empresa não tinha como chegar agora no valor exato que foi roubado de seus cofres e usou o critério geral de contabilizar todos os contratos das 27 empreiteiras do cartel, identificando todos os pagamentos feitos, e calculou 3% sobre esse valor - taxa de propina definida pela quadrilha – chegando aos R$ 6 bilhões divulgados. Tudo bem, pode ser mais. Seguramente é maior o valor que foi surrupiado da Petrobrás por esses bandidos, afinal houve superfaturamento de até 20% nas obras, houve aditivos bilionários, obras arrastadas, etc. Mas, o mínimo que se espera agora, com essa oficialização, é que o PT, o PMDB e o PP tomem vergonha e devolvam o dinheiro desviado. Não há mais como sustentar a conversa fiada de que ninguém viu, que não há provas, etc. E os acordos de leniência – ou melhor, de "acobertamento" – das empreiteiras com o governo [através da CGU] não podem ser feitos, eles estão desmoralizados. Tanto as empreiteiras criminosas como os partidos acumpliciados a elas terão que devolver o dinheiro roubado. Isso é o mínimo que a nação exige.

É fato também, que as perdas da Petrobrás não foram provocadas só pelo assalto aos seus cofres pelos bandidos. A lambança que este governo fez na gestão da empresa é impressionante e é ele o responsável pela maior parte do prejuízo. O governo conseguiu provocar uma perda de tal monta que jamais foi visto coisa igual dentro da empresa. A última vez que a Petrobrás ficou no vermelho foi em 1991, em plena era Collor. O tresloucado e sua política neoliberal alucinada fez a Petrobrás ter um prejuízo de R$ 1,21 bilhão. Graça Foster, indicada diretamente por Dilma, terminou sua gestão com esse recorde de R$ 21,5 bilhões no vermelho. Muito maior que Collor. Não é à toa que se ouve tanto a palavra impeachment ultimamente. Foi uma sucessão de erros, de decisões equivocadas e de traição aos interesses da Petrobrás.

A primeira grande traição foi o leilão de Libra. Ali começou o desastre. O governo e a direção da Petrobrás entregaram o maior campo de petróleo do mundo, descoberto pela estatal, para um consórcio vencedor do leilão com hegemonia de empresas estrangeiras, entre elas a Shell e a Total. Começava a ficar claro que o governo Dilma e a diretora indicada por ela trabalhavam abertamente contra a Petrobrás. Depois mantiveram a obrigação da estatal de comprar gasolina e derivados no mercado internacional a um preço elevado para vendê-los para suas concorrentes internas, entre elas a própria Shell, a preço subsidiado. No balanço fica evidente que essa política trouxe prejuízos financeiros gigantescos para a empresa. A balança comercial da Petrobrás, que passou a vender petróleo e importar derivados, foi negativa em US$ 15 bilhões em 2014.

Mas, não foi só isso. Em plena expansão do consumo interno de derivados, o governo decidiu cortar investimentos nas refinarias, atrasando a conclusão das obras da Comperj, no Rio de Janeiro, e da Abreu e Lima, em Pernambuco. Com o corte anunciado de 30% nos investimentos programados, houve também a decisão de suspender a construção das refinarias do Ceará e do Maranhão. Isso obrigou a Petrobrás a seguir importando mais e mais derivados. Ela foi forçada a exportar petróleo barato e importar gasolina cara. Ou seja, foi estrangulada. E o pior é que essa gasolina cara era para abastecer os monopólios de distribuição privados a preços mais baixos. Tudo por determinação expressa do Planalto.

Os cortes, os atrasos nas construções das refinarias, os descalabros na administração da Petrobrás, sob a direção de Foster, e os escândalos de subornos e desvios dos cofres da empresa pelas empreiteiras e partidos "da base" levaram a diretoria a ter que admitir uma desvalorização de ativos, publicada no balanço, de R$ 44 bilhões. Segundo a presidência da Petrobras, a desvalorização dos ativos foi calculada levando em consideração o atraso em projetos de refino no país por um longo período, a queda nos preços do petróleo e a redução da demanda. Mas, é evidente que o peso maior do prejuízo está na paralisação das obras, principalmente das refinarias, na recessão, nas demissões estimuladas e na insistência por um longo tempo no subsídio para os concorrentes na aquisição da gasolina importada.

JUSTIÇA

E, agora se sabe que o atraso nas obras já vinha de muito mais tempo. Ele foi agravado com a decisão do governo de baixar um pacote recessivo e desviar os públicos, os recursos do setor produtivo, da sociedade e dos trabalhadores para os banqueiros. Mas, o ritmo de tartaruga das obras da Petrobrás já vinha de muito tempo, por causa da atuação criminosa do "cartel do bilhão". Não se concluía uma obra sequer. Tudo por conta da sabotagem das empreiteiras do "clube". Elas aumentavam seus ganhos com aditivos e mais aditivos e nunca terminavam obra nenhuma. Essa era uma das fontes do roubo à estatal. E as empreiteiras assaltantes eram protegidas pelos diretores e "agentes políticos" que recebiam as propinas. É essa gente toda que vai ter que prestar contas à Justiça, quer queira ou não o governo Dilma.

SÉRGIO CRUZ


Capa
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Balanço confirma roubalheira bilionária contra a Petrobrás

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