Caged: pacote de Dilma/Levy causa queda do emprego e do salário real

Certamente que -50.354 empregos com carteira assinada, em um trimestre, já seria algo desastroso, se essa totalização não ofuscasse coisas ainda piores

O resultado em março – e no primeiro trimestre - do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), que registra as admissões e demissões de trabalhadores com carteira assinada, leva, como dizia o outro, a algumas reflexões.

A moda atual – aliás, pouco original – no Planalto e em sua mídia é dizer que Dilma e Levy estão destruindo o país para que ele cresça.

No dia em que a tentativa de assassinato for o melhor, mais saudável e mais carinhoso tratamento para as crianças crescerem, talvez os homiziados no Alvorada, Fazenda e BC possam dizer essa asneira. Como isso nunca vai acontecer, pagarão por cada mentira que disserem. Mas é bom não abusarem do direito duvidoso de serem débeis mentais, porque um dia, e já estamos quase nele, a casa cai. A tolerância do povo tem limite. Mais fácil é expulsá-los de onde estão, do que ter paciência para vê-los debochar da desgraça que causam às pessoas.

Vejamos os números do CAGED.

Certamente que -50.354 empregos com carteira assinada, em um trimestre, já seria algo desastroso, se essa totalização (admissões totais menos demissões totais) não ofuscasse coisas ainda piores.

No comércio varejista houve 129.723 demissões. Na construção civil, -50.974 empregos desapareceram. Isto quer dizer que, no trimestre, o número de empregados com carteira assinada no comércio varejista diminuiu -1,7%, e, na construção civil, -1,66%. Isto, repetimos, em um trimestre.

Setores como a indústria de material de transporte reduziram seu pessoal em -1,73%. É interessante - embora somente sob o aspecto de como alguns puxa-sacos podem ser ridículos - os foguetes de setores do governo porque houve uma variação positiva de +19.282 empregos em março em relação à fevereiro na série “sem ajuste”, ou seja, onde não se leva em conta nem que o número de dias de um mês (fevereiro) é menor que a de outro (março).

Além disso, houve queda do salário real (“... os salários médios reais de admissão, apresentaram uma queda real de 1,26%, em relação ao mesmo trimestre de 2014, tomando como referência o INPC/IBGE médio do primeiro trimestre de 2015”). No Nordeste, essa queda no salário chegou a -3,48%. Em 21 Estados houve queda do salário real.

Houve um aumento de 15.119 empregos com carteira assinada na indústria de transformação. Os fogueteiros já mencionados omitiram que, ao lado, no mesmo quadro estatístico, há o registro de que, nos últimos 12 meses, esse setor demitiu 256.724 trabalhadores que tinham carteira assinada. É óbvio que nem Dilma e Levy conseguem que o emprego caia sempre todo o tempo. Porém, mais de 250 mil demissões na indústria é um resultado horripilante, exceto para quem está preocupado apenas em se aboletar no governo para (como diz o povo) “se dar bem”, à custa de trair e destruir o país.

Desde outubro de 2013, as demissões de trabalhadores com carteira assinada na indústria de transformação chegam a 359.176 pessoas (v. CAGED, tabela 8.1).

Mas isso é verdade em relação ao emprego com carteira assinada em geral: de setembro de 2014 a março de 2015, foram demitidas 635.404 pessoas (cf. idem).

Até mesmo houve desemprego na agricultura (que, segundo aquela gênia - desculpem o barbarismo, leitores - que Dilma nomeou ministra, Kátia Abreu, é a solução para o Brasil - como se o passado pudesse ser o futuro).

Quanto aos serviços sem o comércio (o CAGED separa o comércio dos outros serviços), a sua dinâmica é dependente do conjunto da economia, em especial, da própria indústria. O que significam os 106 mil que se empregaram nesses serviços no primeiro trimestre? Infelizmente, tudo ou quase tudo é resultado do desemprego na indústria.

Retornemos, agora, às transudações submissas, que passam por pensamento no Planalto e adjacências.

Como um país vai crescer com uma brutal política de desemprego, de quebradeira das empresas (as falências de médias empresas, no acumulado do ano, aumentaram +140% em janeiro, +145,5% em fevereiro e +131,6% em março, segundo o último relatório da Serasa), de corte dos investimentos públicos, dos gastos correntes públicos e dos financiamentos públicos - e com juros tão irracionais, tão absurdos, tão disparatados, que não existem em lugar algum do mundo?

A resposta é: não vai, enquanto durar essa política, porque não é para crescer que os neoliberais fazem “ajustes”. O objetivo do pacote é aumentar a transferência de recursos do Estado, da sociedade e do setor produtivo da economia para o setor financeiro - sobretudo externo. É para isso que os neoliberais fazem os seus “ajustes”, o que implica em não deixar o país crescer, exceto em ínfima medida: aquela que garante a existência dos recursos que são transferidos.

Tanto isso é verdade que a senhora Rousseff sentiu necessidade, há poucos dias, de fazer uma atuação, quer dizer, uma encenação, que nem é nova, de que as privatizações vão fazer o país crescer no segundo semestre (v. matéria nesta página).
Se o “ajuste” neoliberal fosse para fazer o país crescer, não haveria necessidade dessa encenação. Esta é, justamente, a prova de que até Dilma, que não é uma privilegiada mental, sabe que o “ajuste” é, sucintamente, para afundar o país. Daí a encenação do último sábado, no Palácio do Alvorada.

Esta farsa é mais uma reedição do “road show” das privatizações do primeiro mandato de Dilma. Na primeira, o governo anunciou “investimentos de US$ 235 bilhões” (cf. MF, “The Brazilian Economy and Investment Opportunities”, 26/02/2013).

Agora, os 235 bilhões de dólares viraram R$ 150 bilhões e o governo oferece a mesma coisa: rodovias, aeroportos, ferrovias, tudo com dinheiro do FGTS e do Fundo da Marinha Mercante. E, diz o sr. Levy que, “durante as Reuniões de Primavera do FMI” (não é quase poético?), “convidou o Banco Mundial a participar do estudo e desenvolvimento de mecanismos para ampliar a participação de investidores nacionais e internacionais”.

Além da vagabundagem que isso revela (ao invés de trabalhar, o governo acha mais fácil entregar a monopólios estrangeiros a infraestrutura, mesmo quando o dinheiro do suposto investimento é nosso), somente duas perguntas, amigo leitor: quando foi que privatizações conduziram a mais investimento e mais crescimento?

Quase todos os brasileiros sabem a resposta: nunca, pois toda privatização é, precisamente, um desinvestimento – e desinvestimento maior ainda quando se fornece aos açambarcadores da propriedade pública o dinheiro que eles não vão investir (todo investimento significa menos lucros remetidos para fora do país).

A segunda pergunta é: qual o país do mundo que conseguiu crescer, se desenvolver, com sua infraestrutura desnacionalizada?

Precisamente, leitor: nenhum.

CARLOS LOPES


Capa
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ESPORTES

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