Assassinato de jovem negro por polícia racista conflagra Baltimore

  O jovem negro Freddie Gray teve o pescoço quebrado ao ser abordado pela polícia. Faleceu uma semana depois e, após seu funeral, os protestos contra o crime se transformaram em rebelião contra a injustiça

O assassinato de mais um negro desarmado nos EUA pela polícia racista conflagrou Baltimore na noite de segunda-feira (27) para terça-feira (28), com viaturas e prédios incendiados, lojas saqueadas, a Guarda Nacional convocada pelo governador do Estado e toque de recolher decretado por sete dias na cidade, após o funeral do jovem Freddie Gray, de 25 anos. Gray teve o pescoço quebrado em uma abordagem policial no dia 19 quando estava com amigos, foi enfiado no camburão e entrou em coma, acabando por morrer uma semana depois.

Os brados de “All night, all day/ we will fight/for Freddie Gray” [A noite inteira, o dia inteiro/ nós lutaremos por Freddie Gray”], “Sem Justiça, Sem Paz” e “Vidas de Negros Importam” se espalharam pelas ruas de Baltimore, com os estudantes secundaristas saindo das escolas para expressarem seu repúdio a mais esse crime – justo nos EUA, cujo governo vive cinicamente pontificando sobre “direitos humanos” no mundo inteiro. E nos EUA os negros sequer conquistaram o direito de ficarem vivos, sem estar à mercê de um policial racista e dos tribunais e instituições que os protegem.

Assim, a conflagração na cidade de 620 mil habitantes da costa leste, no estado de Mariland, e centro de uma área metropolitana de 2,7 milhões de habitantes, e a 65 km da capital do país, Washington, não foi um “raio em céu azul”. Nem a indignação da sua população.

Antes de Freddie, a brutalidade policial e a certeza de impunidade já haviam, da forma mais estúpida e sem ser possível ocultar o racismo, arrancado as vidas de Michael Brown (“Mãos ao Alto, Não Atire”); do camelô estrangulado Eric Garner; do menino de 12 anos Tamir Rice, em um parque com uma arma de brinquedo; e do alvejado pelas costas com oito tiros, Walter Scott.

Só para ficar nos casos de maior repercussão - e isso sob o “primeiro presidente negro da América”, com ministra da Justiça negra e, no caso de Baltimore, também uma prefeita negra, Stephanie Rawling-Blake.

Ao invés de responsabilizarem a impunidade e a cumplicidade de governos e tribunais com os matadores racistas pela explosão de revolta, o establishment insiste em atribuir a supostos “vândalos” a altercação da ordem verificada. Aliás, ainda de pequena monta, diante do que pode vir pela frente, se o regime de Obama insistir em fechar os olhos e deixar que os racistas continuem jogando gasolina no incêndio em curso. As aulas foram suspensas na terça-feira (28). Cinco mil soldados da Guarda Nacional vão participar da ocupação de Baltimore, reforçadas por policiais de condados vizinhos.

Vídeos gravados por testemunhas, com celulares, da prisão de Freddie comprovam a violência policial contra o jovem, que teve três vértebras cervicais fraturadas. Segundo as imagens, ele berrava de dor antes de ser enfiado no camburão, que fez três paradas sem explicação no trajeto. Anthony Batss, o comissário de polícia de Baltimore, admitiu que a polícia não prestou socorro médico ao jovem no momento em que ele foi preso.

Está previsto que a investigação policial sobre a morte fique pronta até sexta-feira, 1º de maio, quando se saberá se os confrontos barraram a impunidade nas cortes racistas ou não – isto é, se haverá indiciamento dos assassinos. Já o Departamento de Justiça de Obama prossegue na costumeira encenação: irá lançar uma investigação federal para “apurar se os direitos civis de Gray foram violados enquanto ele este sob custódia”. Será que concluirá que o direito civil de Freddie de não ter seu pescoço quebrado por um policial racista não foi “respeitado”?

ANTONIO PIMENTA


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