Aos iemenitas determinar
o seu futuro 

MIKE WHITNEY*

Às intervenções do imperialismo norte-americano, com a direta colaboração da monarquia saudita, mergulharam todo o Oriente Médio no caos e derramamento de sangue – desde a destruição do Iraque, à transformação da Líbia em um ‘estado falido’ assolado por milícias e a carnificina infligida sobre a Síria... Esta ofensiva predatória ameaça atear uma conflagração em toda a região no mesmo instante em que os EUA elevam as tensões militares com Rússia e a China”.

Bill Van Auken, “A guerra criminosa de Obama contra o Iêmen”

“Irão os mandantes reacionários da Arábia Saudita conseguir quebrar as esperanças legítimas e sonhos entusiastas que ardem nos corações de milhares de jovens da Península Arábica? Nunca!”

Presidente egípcio (de 1956 a 1970) Gamal Abdel Nasser
 

Em seu esforço para prevenir o advento de qualquer “governo com apoio popular na região”, os EUA juntou-se à guerra selvagem de aniquilação da Arábia Saudita contra os rebeldes tribais do norte do Iêmen, os houtis. O Pentágono tem acelerado o envio de bombas, munição e tem fornecido suporte logístico local para maximizar o impacto de suas razias aéreas de bombardeio.

Os EUA também instalou um “centro de fusão conjunta” e “plataformas de abastecimento no ar” e ainda “armamento avançado norte-americano” com a intenção explicita de suprimir o grupo militante que derrubou o governo fantoche dos EUA que governava na capital Canaã no outono de 2014.
O nível de coordenação entre a coalizão árabe de fancaria e os Estados Unidos aponta no sentido de que Washington está completamente ciente não só de que os depósitos de alimentos, fornecimento de água, campos de refugiados e infraestrutura civil estão sendo deliberadamente alvejados e destruídos como ainda deu luz verde a ações que inevitavelmente levarão a generalizada fome e colapso social.
Eis alguns dados de artigo no portal The National:

“A Corporação Econômica do Iêmen, um dos maiores depósitos de alimentos do país por três mísseis da coalizão na cidade de Hodeidah, de acordo do ministério iemenita da Defesa (controlado pelos houtis). O depósito guardava comida suficiente para todo o país. Outro centro de alimentos governamental, também em Hodeidah foi destruído”.
Na mesma cidade, a maior unidade fabril de laticínios do país foi alvo de cinco mísseis, levando à morte de 29 pessoas e ferindo dezenas de outras.

E mais, do Canal News Ásia:
 

Dubai: Navios de guerra da coalizão liderada pela Arábia Saudita bloquearam um navio com mais de 47.000 toneladas de trigo impedindo-o de entrar no porto iemenita”.

Do portal WSWS (World Socialist Web Site):
“Bombardeios aéreos assim como combates no solo atingiram a infraestrutura elétrica cortando a energia em muitas áreas urbanas e suspendendo o funcionamento de muitas bombas que garantem o fornecimento de água nas cidades iemenitas”.
“A zona de exclusão aérea e o bloqueio marítimo efetivamente cortaram o envio de ajuda médica e suprimentos nas últimas duas semanas exacerbando o desenvolvimento de uma crise”.
Outros complexos de estocagem de alimentos em Asr (oeste), Urdhi (centro) e Noqum (sul) também foram bombardeados.

O terrorismo dos EUA
 

É assim que a América luta suas guerras, precipitando crises humanitárias massivas que lhes ajudam a atingir os objetivos políticos. Se isso não é terrorismo então, o que é?
Há mais do Washington Post:
 

“Enquanto toneladas de suprimentos médicos desesperadamente necessários aguardam para voar para o Iêmen, trabalhadores voluntários avisam do desenrolar de uma crise humanitária, afirmando que centenas de pessoas, incluindo dezenas de crianças, foram mortas, mais de 1.700 feridos e outros 100.000 fugiram de suas casas à medida que os combates se intensificaram nas últimas três semanas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde”.
 

Nem a CNN conseguiu fechar os olhos e informa que “os sauditas lançaram sua última agressão invocando o mais frágil dos pretextos, o de que ela quer ‘restaurar o governo legítimo’ e ‘proteger a Constituição do Iêmen e as eleições”.
 

E, como o repórter da CNN, Ali Alahmed, ironizou: “A necessidade de proteger Constituições e eleições é uma mensagem bastante estranha do representante de uma monarquia absoluta... Os reais motivos do reinado parecem claros se olharmos a história de monarquia saudita de combater de forma persistente os esforços de construção de governos democráticos que dêem poder ao povo e a desculpa de que resiste à influência iraniana, enquanto isso, parece nada mais do que bazófia sectária”.
 

Ainda que concordemos com a tese básica de Alahmed, achamos que a regra se aplica mais aos Estados Unidos que à Arábia Saudita. Afinal de contas, é os EUA que foi de um país a outro, derrubando governos, instalando fantoches e espalhando a anarquia onde quer que vá. Seja qual tiver sido o papel dos sauditas no grande plano de Washington de redesenhar o mapa do Oriente Médio e projetar os tentáculos sobre a Eurásia é bastante pequeno em comparação. É os EUA que se recusa a permitir que emerja qualquer governo independente na região que se comprometeu a controlar. São os EUA que facilitam os ataques sobre os iemenitas inocentes fornecendo bombas, armamento e suporte logístico à liderança reacionária saudita.
Nem os EUA, nem a Arábia Saudita têm qualquer direito de intervirem nos assuntos internos do Iêmen ou de instarlar seus próprios fantoches para dirigir o governo. Esta definição cabe por direito ao povo iemenita. E ainda que o atual processo seja confuso e violento, os rebeldes houtis representam melhor a população local do que qualquer um em Riad ou Washington.

* Publicamos acima os principais trechos da matéria do articulista norte-americano divulgada pelo site Counterpunch


Capa
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MPF denuncia Vaccari e Renato Duque por lavagem de propina

Aliada de Eduardo Cunha alega na PF não lembrar o motivo de assinar requerimentos

Presidenta decide não falar nada para o trabalhador no Primeiro de Maio, na TV 

Fala de Dilma sobre terceirização é dúbia

arta reafirma relatório contra adiamento da redução das dívidas de Estados e municípios

“É necessário sair da base do governo Dilma”, defende governador pedetista do MT

Calote do governo federal obriga governo do RS a adiar pagamento da parcela da dívida com a União

Na PF, Gleisi admite que pediu doação ao Cartel do Bilhão

Página 4 Página 5

Professores retomam greve no PR contra assalto à Previdência

Pressão dos trabalhadores reverte 500 demissões na Mercedes-Benz

Ministro afirma ter confiança que MPs que roubam direitos trabalhistas ‘serão aprovadas’

Professores de São Paulo aprovam continuidade da greve

Philips é condenada a indenizar trabalhadores por contaminação

ESPORTES

Página 6

   A política de sabotagem e privatização da senhora Rousseff contra a Petrobrás

Página 7

Assassinato de jovem negro por polícia racista conflagra Baltimore

Testemunha relata: policial deu joelhaço nas costas de Freddie

   Castor Bryant: “não sei como você pode ser negro nos EUA e ficar em silêncio”

  
Corrupção e impunidade nos EUA

Comunidade internacional mobiliza ajuda para o Nepal

   Ativistas entregam na ONU 8 milhões de assinaturas por um mundo sem a Bomba-A

Página 8

Cameron faz cortes no NHS e já atinge tratamento de leucemia

Motoqueiros russos repetem trajeto do Exército Vermelho rumo a Berlim na 2a Guerra

Professores em greve marcham em Bogotá por salários e contra a privatização do ensino público

México: pais repudiam 2 anos de impunidade de agressores dos 43 estudantes em Iguala

Marcha contra agressão de Obama a Venezuela toma as ruas de Caracas

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