Dilma quer dar a multinacionais 5 blocos da Petrobrás no pré-sal 

Para Diomedes Cesário, ex-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), isso é “inadmissível”

O ex-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Diomedes Cesário, tem toda razão ao afirmar, sobre a venda de campos petrolíferos da Petrobrás, no pré-sal, para a Shell, Exxon, e outras multinacionais do cartel petroleiro, que "é inadmissível é o mínimo que se poderia dizer. Esse tipo de operação é digno do sistema financeiro, não de uma empresa como a Petrobrás, criada por exigência da sociedade brasileira".

No pré-sal, os blocos da Petrobrás postos à venda são os campos petrolíferos de Pão de Açúcar, ao sul da Bacia de Campos (incluindo os poços de Seat e Gávea), e mais os blocos de Júpiter, Carcará, Lebre e Sagitário, na Bacia de Santos. Todos esses campos, observa a revista Portos & Navios, "são gigantes com mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente cada" - e já estão no "data room" (a exposição de dados sobre os campos para os candidatos a compradores).

Somente grandes petroleiras – Shell, Exxon, a norueguesa Statoil e poucas outras – foram "convidadas" a comprar esses campos que pertencem à Petrobrás, "por causa do grande porte dos ativos".

A venda está sendo intermediada pelo Bank of America Merrill Lynch (novo nome do antro de especulação Merril Lynch, abutre das privatizações nos países dependentes, depois de sua falência em setembro de 2008, e aquisição pelo Bank of America).

Também foram contratados o Citibank e o Bradesco - para a venda de uma parte da BR Distribuidora - e o Santander - para a venda da Transportadora Associada de Gás (TAG), que administra a malha nacional de gasodutos (v. Exame, "Petrobras contrata três bancos para vender ativos", 19/03/2015).

Fora do pré-sal, o governo pretende vender o campo de Tartaruga Verde, na bacia de Campos. Segundo a Portos & Navios, este último tem "reservas de 451 milhões de barris equivalentes, deve entrar em operação em 2017 e já foi até encomendada uma plataforma".

Quanto à Transpetro – a frota de petroleiros da Petrobrás – ela está sendo negociada com o bilionário anglo-egípcio Mohamed Al Fayed, para compra parcial ou total.

JUROS

O que disse Diomedes Cesário, ex-presidente da AEPET, é verdade em mais de um sentido.

A Petrobrás é uma empresa produtiva – aliás, a mais importante do Hemisfério Sul. Não é um covil financeiro como os de Wall Street ou como aqueles dos srs. Donald Trump e Eike Batista, conhecidos não como empresários, mas como aquilo que os americanos chamam pelo sugestivo nome de "broker".

Portanto, esquartejá-la (e estamos falando de campos petrolíferos no pré-sal, da maior frota de navios do país e de uma rede de gasodutos que vai de Norte a Sul do país, para citar o mais importante) só pode ter o sentido de privatizá-la aos pedaços.

O que nada tem a ver com o endividamento da Petrobrás. Não somente porque a Petrobrás continua com bom crédito interno e externo.

É verdade que após a nomeação por Dilma de sua amiga Graça Foster para presidente da Petrobrás, o endividamento total da empresa cresceu rapidamente (+144% em reais, entre o primeiro trimestre de 2012 e o primeiro trimestre de 2015).

Mas, 90% do endividamento da empresa é de longo prazo (em dólar, mais de 92% do endividamento da Petrobrás é de longo prazo).

Com a baixa dos custos de extração no pré-sal, sua exploração é extremamente rentável, mesmo com os preços atuais do barril de petróleo – que, por sinal, não tendem a continuar nesse patamar (sobre os custos de extração no pré-sal, atualmente eles já baixaram até US$ 9/barril, abaixo da média da Petrobrás, que é de US$ 14,6/barril e abaixo da média internacional de US$ 15/barril. Cf. a conferência da atual diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes, "Pre-Salt: What Has Been Done So Far and What is Coming Ahead" ["Pré-sal: o que já foi feito e o que vem pela frente"], no último dia cinco, na Offshore Technology Conference 2015, Houston, EUA).

Obviamente, as empresas dificilmente resistem a dirigentes ineptos ou a políticas estabelecidas contra elas pelo governo. Mas vai ser, também, difícil que Dilma arrume outra Graça Foster.

Quanto à política do governo contra a Petrobrás, que se notabiliza por tentar fazer com que o Brasil seja um exportador de petróleo bruto e barato para os EUA e outros países, importando alguma doença holandesa ou nigeriana, junto com gasolina e óleo que a empresa é forçada a fornecer a preço subsidiado para as distribuidoras multinacionais, aí a solução só pode ser a de substituir o governo – mas esse, obviamente, não é um problema que a Petrobrás possa resolver.

O outro aspecto – este menos evidente - em que Diomedes Cesário está correto é que, para Dilma & cia., a empresa ideal, ou o ideal de empresa, é sempre um banco – e um grande banco estrangeiro. Por alguma razão psíquica, eles acham os bancos muito competentes, ainda que essa competência seja apenas a de arrancar o couro do povo, desde trabalhadores a empresários nacionais.

O fato é que a política da srª Rousseff consiste no aumento da drenagem de dinheiro da sociedade – do Estado e de todos os setores produtivos – para o setor financeiro. Para isso, é preciso atirar os juros na lua, rebaixar o salário real e manietar (ou destruir, como já está acontecendo) tudo que é produtivo e tudo que é nacional, pois estatais, empresas privadas nacionais e trabalhadores têm o mau hábito de dificultar, através do investimento e do consumo, que os recursos da sociedade e do Estado sejam confiscados pelos parasitas financeiros. Como aumentar o desvio de recursos para os rentistas, através dos juros, se existem os que teimam em aplicar seus recursos na produção?

A questão é que não existe nada no Brasil mais produtivo e mais nacional que a Petrobrás.

MENOR

O projeto do governo Dilma para a Petrobrás, desde o leilão do campo de Libra – sobre o qual Dilma despejou uma verborreica ode à participação épica da Shell e da Total, na entrevista ao "La Jornada", do México – é diminuir o tamanho da empresa para aumentar a privatização multinacional sobre o petróleo.

Quem diz isso é a própria presidente, ao falar de como a Petrobrás pode ser útil às multinacionais que vierem explorar o pré-sal. Em suma, desde que a Petrobrás seja submetida ao esquema do cartel petrolífero externo, Dilma acha que ela tem um "grande" papel.

Mas, para isso, a nossa maior, mais estratégica e mais popular empresa não pode ser tão grande. Com o tamanho atual, ela é, por si só, uma barreira à espoliação do país pelas quadrilhas petroleiras externas. Tem, portanto, na cabeça dos bagres do Planalto, de diminuir de tamanho.

Verdade seja dita, os senhores Renato Duque, Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa e outros dilmistas já deram a sua contribuição para amesquinhar a maior conquista e, provavelmente, maior obra do povo brasileiro, depois do próprio Brasil. Mas não foi suficiente para os interesses das empresas estrangeiras e seus pajens no governo. Para eles, é preciso que a Petrobrás seja bem menor.

É esse o sentido de vender os ativos da empresa, inclusive, agora, cinco blocos no pré-sal, um bloco no pós-sal, a Transpetro - parcial ou totalmente -, gasodutos, distribuidoras de gás, termelétricas e postos de gasolina no exterior, além de abrir o capital da BR Distribuidora.

CARLOS LOPES


Capa
Página 2
Página 3

Dilma quer dar a multinacionais 6 blocos da Petrobrás no pré-sal

Senadores votam contra as viúvas

Eduardo Cunha agora arma para afastar o eleitor da urna com o fim do voto obrigatório

Vice-presidente da Camargo Correa revela à CPI que propina era registrada em uma planilha

Dilma se diz “muito feliz” por tirar direito do desempregado

Página 4 Página 5

Força e CGTB convocam povo às ruas contra cortes e juros altos

CUT e CTB fazem paralisação nacional dia 29 contra medidas do “ajuste fiscal”

Ministro do Planejamento defende reajuste abaixo da inflação para servidores federais

GM deixa mais 5.500 trabalhadores com risco de serem demitidos em São Caetano do Sul (SP)

Trabalhadores da construção civil de Fortaleza param obras por 14% de reajuste nos salários

Paraná: Richa propõe reajuste ainda menor a servidor: 3,45%

Operários da transposição do Rio S. Francisco cruzam os braços

ESPORTES

Página 6

Ingleses cercam parlamento em repúdio a corte de £12 bi

Líder de Coalizão Parem a Guerra: “Blair deveria estar atrás das grades”

Putin responsabiliza EUA e aliados pelo terrorismo no Oriente Médio

Multidão ocupa centro de El Salvador na beatificação do herói monsenhor Romero

Comando Sul dos EUA despeja mais 280 marines na América Central

Montevideo 2015: II Fórum e os caminhos para paz na Colômbia - I

 

Página 7

Pentágono leva antraz a passear em 8 estados e à Coreia do Sul

Paul Craig denuncia que EUA quer desestabilizar Macedônia para brecar gasoduto da Rússia

Greve em Portugal repudia a privatização dos transportes

Citi e Chase escapam do FBI mas Marin não dá a mesma sorte na cúpula da FIFA

Reunião de BRICS em Moscou aprova ‘esforço conjunto por uma ordem mundial justa’

PIB da Ucrânia desaba 17,6% no 1º trimestre
 

Página 8

Pierre Bourdieu: As artimanhas da razão imperialista (e racista) - 1