Dilma avisa, às vésperas do Congresso do PT: Levy sou eu

“A responsabilidade não é exclusiva dele”, disse. “Não se pode fazer isso, criar um Judas”, protestou a presidenta, alegando que não “há alternativa” senão fazer o arrocho arrocho na economia é “essencial” 

Às vésperas do Congresso do PT, Dilma declarou que as críticas de setores do partido ao sr. Joaquim Levy são "injustas", pois "não se pode criar um Judas", já que não é dele a "responsabilidade exclusiva" (aliás, não somente a responsabilidade "exclusiva", mas também a principal, não é dele. Não consta que o sr. Levy seja presidente da República).

JUDAS

Mas, realmente, ninguém precisa criar "um Judas". Os traidores e vendilhões do próprio país e do próprio povo (e da própria honra) criam a si próprios, quando optam, devido a interesses materiais ou covardia - geralmente, os dois – por seu infamante ofício. Forçoso é reconhecer que Levy, mesmo antes que Fernando Henrique lhe desse uma vida pública, sempre foi a atual nulidade, ou seja, um neoliberal. Que se saiba, sempre esteve do mesmo lado – o dos monopólios financeiros externos. O Judas aqui é Dilma – e não porque alguém a criou, mas porque ela preferiu esse triste papel.

É, aliás, sintomático que, ao defender Levy contra alguns petistas, ela tenha protestado, lembrando do Sábado de Aleluia, contra a suposta "criação" de um "Judas". Cada um sabe onde lhe aperta o sapato.

Mas, por que será tão difícil para o PT chegar à conclusão – aliás, óbvia – de que Dilma aderiu ao outro lado, à direita, ao neoliberalismo, ou seja, que preferiu tornar-se agente dos monopólios financeiros externos contra os trabalhadores, contra o povo e contra o país?

Na terça-feira, o IBGE divulgou o resultado da produção industrial regional: de janeiro até abril, a produção industrial caiu -7,1% em São Paulo, -7,7% em Minas, -5,5% no Rio, -12,3% na Bahia, -8,1% no Rio Grande do Sul, -8,5% no Paraná - e vamos parar por aqui, porque é suficiente para ver o panorama.

Segundo a PNAD Contínua, 1 milhão e 300 mil trabalhadores perderam o emprego de fevereiro a abril.

A tendência é de piora brutal da situação – até porque o espetáculo das "concessões", levado ao ar na manhã de terça-feira, é palhaçada. Um picadeiro para incautos e sujeitos de má-fé, não por acaso apenas dois dias antes do Congresso do PT, para que alguns dilmistas digam lá que a situação é ruim, mas vai ficar maravilhosa, contanto que todos esperem, passivamente, que o país seja destruído.

Que hecatombe mais Dilma terá de provocar para que os petistas cheguem a uma conclusão que é fácil para qualquer trabalhador ou cidadão comum – que Dilma rompeu seus últimos laços com a nação, com o povo, e, sobretudo, com os trabalhadores?

Será que os petistas preferem ser arrastados para a cova rasa, política e moral, do que perceber (ou admitir) que Dilma os traiu?

Ou será que o programa de governo que Dilma está implementando era o programa do PT na campanha eleitoral para presidente?

Não estamos nos referindo, evidentemente, àqueles que degeneraram tanto (ou quase) quanto Dilma - ou aos escravos do DAS, que não conseguem conceber mais a existência, senão incrustada na máquina pública, recebendo transfusões que acham mais vitais do que o oxigênio da atmosfera.

Mas, deblaterar sobre "ondas conservadoras" ou "ofensivas da direita", esquecendo – ou com o objetivo de omitir - que a principal representante da direita hoje (principal porque está no poder) é Dilma, serve apenas para facilitar o serviço da direita. Aliás, foi isso o que aconteceu na votação das MPs 664 e 665 – isto é, no corte dos direitos dos trabalhadores. Para não chocar com Dilma, os sindicalistas do PT preferiram se abster de travar o combate no Congresso Nacional.

Por falar nisso, os sindicalistas do PT lançaram, há poucos dias, um manifesto ao Congresso do partido – que será em Salvador a partir da próxima quinta-feira – onde, entre outras coisas, dizem:

"O PT, que completou 35 anos, hoje está imerso numa profunda crise. (…) o governo (…) optou por uma guinada na política econômica, com medidas de ataques a direitos dos trabalhadores (…). Causou profunda decepção na militância sindical petista a aprovação das MPs 664 e 665, que restringem o acesso das camadas mais vulneráveis de nossa classe a direitos trabalhistas e previdenciários. (…) Consideramos que a política de ajuste fiscal regressivo e recessivo inaugurada com a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda coloca o PT contra a classe trabalhadora e as camadas populares que sempre foram sua principal base de apoio. Trata-se de uma política econômica que diminui o papel do Estado, corta investimentos e eleva juros, acabando por restringir direitos sociais, rebaixar salários e aumentar o desemprego, com impactos negativos no PIB".

Tudo isso é correto, exceto que essa política tenha começado com Levy – que é apenas a consequência da adesão de Dilma. Embora possa ser inconsciente, nem por isso é um erro acidental, pois seu fundo é a tentativa, nesse manifesto, de sustentar Dilma contra uma suposta "direita" ("Aproveitando-se dessa situação, a oposição e a direita cresceram nas ruas e nas instituições, com o apoio da grande imprensa").

Será que os sindicalistas do PT acham que a maior expressão da direita no Brasil é o Telhada - ou o Bolsonaro?

Tal postulação seria ridícula, até porque não é o Telhada nem o Bolsonaro que estão implementando os aumentos de juros, a derrubada do crescimento, o desemprego, a destruição da indústria nacional, o arrocho salarial, o corte nos direitos trabalhistas e previdenciários, os cortes nos investimentos e demais gastos públicos, a entrega completa do Tesouro aos bancos e outros rentistas - ou a tentativa de privatizar e desnacionalizar a infraestrutura do país.

ALTERNATIVA

Foi Dilma quem, outra vez, na segunda-feira, disse que "o ajuste é essencial. Não é algo que você pode ou não fazer, não há alternativa senão fazê-lo", repetindo, por sinal, uma frase ("não há alternativa", etc.) do grande economista chileno Augusto Pinochet.

Parece coisa dos sinistros borgs, de Jornada nas Estrelas, que sempre repetem "é inútil resistir, você vai ser assimilado, é inútil resistir".

Só não há alternativa para quem não quer que haja alternativa, assim como somente é inútil resistir para quem não quer resistir – e exatamente porque aderiu aos inimigos, pois este é o pequeno e provisório mundo dos Laval & Quislings, dos Silvérios & Calabares e das Dilmas & Fernando-henriques (que nos perdoem as Dilmas que não têm nada a ver com isso).

É claro que existe alternativa – aliás, existe o que é certo, o que beneficia o país e o povo, e aquilo que é errado, pois só beneficia um minúsculo punhado de vampiros financeiros, os mais importantes alocados fora de nossas fronteiras, à custa do sangue, seiva e suor do Brasil.

Baixar os juros, aumentar os investimentos públicos, expandir o mercado interno através do aumento do poder aquisitivo da população, implementar, com financiamento público, um programa de substituição das importações – em suma, tudo o que já fizemos em outras épocas, com um resultado espetacular ("De 1930 a 1980, o crescimento foi sustentado e crescente, com taxa média anual de 6,7%" - cf. E. Reis, F. Blanco, L. Morandi, M. Medina e M. Paiva Abreu, "Século XX nas Contas Nacionais" in "Estatísticas do Século XX", IBGE, Rio, 2006).

E isso se deu apesar de alguns tropeços (os governos Dutra e Castello Branco, por exemplo) e em piores condições econômicas: quando o país tinha muito menos experiência industrial (ou empresarial) acumulada, quando a Petrobrás ou não existia ou não havia se tornado a potência que o governo Dilma se esforça por acabar - e quando nenhum pré-sal fora ainda descoberto.

CARLOS LOPES


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Dilma avisa, às vésperas do Congresso do PT: Levy sou eu

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